sábado, 3 de setembro de 2016

sábado, 27 de agosto de 2016

Sai (mais) uma medalha de lata para Portugal nos Jogos Olímpicos!

Ouro, prata e bronze. Metais preciosos que premeiam aqueles que ocupam os três primeiros lugares do pódio nas Olímpiadas, de quatro em quatro anos. O bulicio competitivo, a exigência técnica crescente, a gestão emocional da maior das competições tornam, a cada quatro anos, imprevisível a atribuição das três medalhas nas diferentes competições. O que, no fundo, torna (ainda) mais atractivos os Jogos onde o espírito olímpico se exponencia e ganha significado. Já a medalha de lata é tão previsível como a vitória de Usain Bolt, numa corrida do hectómetro, contra qualquer um que leia estas linhas ou que as tenha escrito.
A medalha de lata é para nós, enquanto povo que acompanha (?) os Jogos Olímpicos. Para nós, enquanto povo que, tal como um interruptor, activa a sua suposta cultura desportiva de quatro em quatro anos, não conseguindo disfarçar a ausência da mesma e de deixar de assumir uma ignorância atrevida que se traduz numa exigência cega e num gatilho fácil para opiniões e para teclados hiperactivos.
Mais alto, mais longe, mais forte. É o lema. Devíamos acrescentar “mais justos, mais humildes”, no nosso caso. Mais alto, mais longe, mais forte, mais justos, mais humildes. A ausência de medalhas não traduz a qualidade dos atletas, de forma pura e simples. Traduz a ausência de uma cultura e de uma política desportiva coerente, perene no tempo e que resista a ciclos políticos e devaneios passageiros. E que requer, diga-se, investimento financeiro e, acima de tudo, pensamento estratégico.
Pensemos. A relação com o fenómeno desportivo, nas suas diversas dimensões, que existe no nosso país prima por demasiadas lacunas. A Educação Física (que continua a ser tratada por muitos, de forma redutora, por “aulas de ginástica”…) é vista, normalmente, como um peso no currículo dos alunos, um mal necessário. O Desporto Escolar, a minha escola do desporto, é uma aposta adiada, ainda que me pareça que, na Região, marcamos pontos neste domínio.
Há, em muitos e muitas, uma sobranceria incompreensível em relação ao desporto, como se constituísse uma expressão de segunda categoria face a outras. Sim, muitos destes permitem-se descer do patamar do preconceito e da arrogância para ver os Jogos, fazer partilhas nas redes sociais sobre os desportos tidos como válidos ou socialmente mais valorizados e tornarem-se pseudo-especialistas em desporto. Para, após essa extraordinária metamorfose, e a partir do último instante da cerimónia de encerramento, iniciar uma hibernação e reactivar o arsenal de comentários depreciativos em relação a tudo o que se relacionar com o desporto, nos quatro anos seguintes. Claro. Excepção feita a quando se ganha. Ou o clube de futebol ou a selecção, que só se acompanham quando as vitórias são iminentes.
Confundimos, demasiadas vezes o desporto, enquanto escola de valores e ideais, com o reducionismo do futebol. Mesmo no futebol a relação é, fundamentalmente, com o clube, não com o desporto. Aliás, num país que gira em torno de três eucaliptos, o fenómeno desportivo é, tantas vezes, prostituído pela ânsia de ganhar, de substituir as agruras do quotidiano pela fugaz alegria da vitória. Estádios minimamente cheios quando há vitórias, vazios quando não as há. Estádios, quase sempre, vazios nos clubes mais pequenos, mesmo aqueles dos clubes locais. Cá na terra, por exemplo, quantas pessoas que marcaram presença no Angrense-FC Porto, para a Taça de Portugal, compareceram no jogo seguinte, no Municipal de Angra? Eu, que lá fui, confirmo que poucas. Muito poucas.
Não percebemos os valores inerentes ao desporto, nem a forma como o desporto de alta competição funciona. Tendemos a achar, com a nossa medalha de lata bem lustrosa ao peito, que as medalhas que ganhamos traduzem o desporto nacional. Errado. Dependemos de foras-de-série que, num país diferente, atingiriam um patamar estratosférico ou que, em muitos casos, treinam ou já treinaram em paises estrangeiros (João Sousa, em Barcelona, ou Patrícia Mamona, nos Estados Unidos, por exemplo). Não percebemos que o desporto é uma escola de valores, onde se exponenciam o trabalho, a dedicação, a perseverança, a aprendizagem da frustração, da sã competição, do respeito pelo outro ou da coragem (e não são estes muitos dos valores que queremos educar aos nossos filhos e filhas?...). Não levamos os miúdos a competições desportivas e, muitos, não os acompanhamos nos treinos, nem comparecemos nos momentos competitivos.
Não percebemos, ou nem sequer sabemos ou queremos saber, o que implica o desporto de alta competição, nos dias de hoje. Não sabemos o investimento que existe no fenómeno desportivo nos outros países, achando que devemos ter o mesmo número de medalhas que países de igual ou menor dimensão. Não percebemos que, nos Jogos Olímpicos não se comparam, unicamente, resultados mas, fundamentalmente, processos.
Portugal investirá, no ciclo 2013-2017, um total de 17,7 milhões de euros para todas modalidades e 4,55 milhões de euros para o ano de 2016. Repito para todas as modalidades e para todos os atletas, aqueles que se qualificam e aqueles que não logram a qualificação. A Irlanda, país mais pequeno que nós, investe perto de 40 milhões em quatro anos. Planeou investir 10 milhões de euros por medalha olímpica. Uma ninharia se pensarmos que, por medalha olímpica, a China investe 40 milhões de euros e que, no Reino Unido, um ciclo olímpico implica um investimento de mais de 400 milhões de euros. Resumindo, o investimento numa única modalidade, em muitos países, supera o nosso investimento global. O desporto olímpico é feito de ciclos de quatros anos; já a evolução dos atletas decorre durante décadas, numa maratona de sucessos, obstáculos e pormenores, não numa corrida de 100 metros de duas semanas.
Criticamos os atletas pelo facto de não nos colocarem no topo do medalheiro ou por se “queixarem” das condições que não têm, na sua preparação olímpica. Fazemo-lo, contudo, quando, por vezes, só trabalhamos nas condições ideais ou recusamos desafios pessoais e profissionais, não sabendo lidar com o risco que as mesmas implicam. Criticamos. Exigimos. Lustramos a nossa medalha de lata.
Quantos frequentaram uma competição desportiva, sem ser um jogo de futebol, nos últimos quatro anos? Quantos procuraram um atestado para dispensar os filhos da Educação Física, quando, lá bem no fundo, não há uma razão válida para isso? Quantos acompanharam os clubes locais, seja em que modalidade for? Quantos, sequer, conhecem os jogadores de futebol dos seus clubes ou viram um jogo completo nos últimos quatro anos? Quantos conhecem um herói, sem medalhas ao peito, chamado João Rodrigues, o nosso recordista de Olímpiadas?
Revi-me nos diplomas olímpicos (sim, nos Jogos Olímpicos distribuem-se medalhas de ouro, prata e bronze, ganham-se medalhas de lata e asseguram-se diplomas olímpicos) conquistados, vibrei com a medalha de Telma Monteiro (umas das foras de série que, atrás, referi), acompanhei o esforço dos maratonistas na cauda do pelotão e daqueles que participaram com as nossas cores ao peito. Não ganhar medalhas não é motivo para não lhes agradecer.
Agradeço a todos, à falta de razão concreta para não o fazer. Agradeço por fazerem parte dos melhores do mundo naquilo que fazem, honraria que nunca na minha vida terei nas coisas que, profissionalmente, faço. Agradeço por representarem o meu país, mesmo quando partem para a competição sabendo que o fazem de um ponto de partida mais distante que a grande maioria dos restantes competidores.
Sonho, um dia, em que participamos em quase todas as modalidades, conquistando uma ou outra medalha e dezenas de diplomas olímpicos. Preferia isso, traduziria isso um crescimento na cultura desportiva do país, do que a existência de meia dúzia de foras de série que garantissem medalhas. Essas viriam por acréscimo, no futuro. Essa entidade longínqua pela qual, em tudo e também no desporto, nos recusamos a saber esperar.
Daqui a quatro anos, estaremos em Tóquio. Espero que sem a medalha de lata que, hoje, nos pesa no peito.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Lugares esquecidos: Farol da Ponta dos Rosais, Ilha de São Jorge

O Farol da Ponta dos Rosais, localizado na Ilha de São Jorge, foi inaugurado no primeiro dia de Maio de 1958, sendo na altura considerado como o melhor e tecnologicamente mais avançado estrutura faroleira nacional, aspecto que me já me tinha sido confidenciado pela M.J., simpática colega que, em tempos, já residiu. O projecto inicial foi da autoria de João Lobo Fialho.

Este farol distinguia-se, igualmente, pela sua auto-suficiência de energia e água, dada a distância da povoação mais próxima (Rosais)

Em 1964 foi temporariamente abandonado pelos seus habitantes aquando da crise sísmica dos Rosais e da erupção submarina que então ocorreu nas suas proximidades. Passada a crise, permaneceu habitado até 1 de Janeiro de 1980, sendo então definitivamente evacuado na sequência dos desabamentos de falésias provocados pelo terramoto de 1980 que, igualmente, fustigou a Terceira (provocando danos irreparáveis no Farol da Serreta). Passou a funcionar automaticamente após aquela data, deixando de emitir os seus relâmpagos por intervenção directa do homem em 5 de Julho de 1982. Em substituição do possante farol, no cimo da torre foi instalado um pequeno farolim alimentado a energia solar.

Na primeira foto é possível ver o Farol, e instalações de apoio, em altura de funcionamento pleno. Nas restantes o estado actual que, no fundo, traduz o abandono a que foi votado, apesar de ser um Sítio de Interesse Comunitário, atestado em Directiva Europeia. E de, no fundo, encerrar em si uma parte importante do espólio faroleiro português e açoriano. 












Vista do caminho que conduz ao Farol dos Rosais.

 

Um farol abandonado devia ser algo proibido. O simbolismo especial e bonito do Farol não se compadece com o abandono, ainda que se compadeça com o rigor frio das folhas de excel, com o insensível teclar da calculadora ou com o arrastar das esferas do ábaco. Um farol é, sem dúvida, uma das construções mais bonitas, simbolicamente ricas que existem. A luz, a orientação que fornece, o feixe de vida que abre na escuridão colorido de esperança. Ainda assim, mesmo abandonado, um farol é sempre bonito. A esperança nunca poderá estar em ruínas. 

Fontes: 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Farol_da_Ponta_dos_Rosais; 
http://www.amn.pt/DF/Paginas/FaroldosRosais.aspx; 
http://atlanticofarois.blogspot.pt/2012/09/construcao-do-farol-dos-rosais.html; 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXIV

Que há semi-verdades, que não são totalmente mentiras, que podemos usar sem problema de consciência.

Que há oportunidades que têm que ser aproveitadas, tal como o Éder fez hoje.

Que educar bem uma criança para o caminho certo, quando a nossa Causa desceu de divisão, é muito difícil.

Mariana (ao telefone porque está nas primeiras férias com os avós) - Parabéns, papá. Portugal ganhou o jogo! Eu estive a ver!

Pai de Mariana (que possui um conflito de interesses com o Éder desde que este saíu da Académica* e, no momento da frase seguinte, corou interiormente de vergonha) - Sabias que o senhor que marcou o golo aprendeu a marcar golos na Académica?

Mariana - A sério, papá?!

Pai de Mariana - Sim! O golo foi aprendido na Académica.

Mariana - Boa, papá!

* Que está descrito para a posteridade neste blogue.

sábado, 7 de maio de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXIII

Diz a A., irmã do coração que é só um jogo de onze homens de cada lado atrás de uma bola.

Tento eu, e o F., explicar-lhe, atabalhoadamente, que não. Falhamos a explicar aquilo que não se explica.

A Académica é uma das filosofias cá de casa. Hoje, com a sua descida de divisão, catorze anos depois, foi um dia triste.

Hoje aprendeu-se que, com um dia triste, se pode perceber que a incondicionalidade desta e de outras coisas vai sendo aprendida. E isso é bom. Muito bom.

Pai de Mariana (com um buraco negro no coração): Mariana, hoje aconteceu uma coisa muito má à Académica?

Mariana: O que foi?

Pai de Mariana: A Académica desceu de divisão...

Mariana: O que é isso?

Pai de Mariana: Vão deixar de jogar com os melhores... terão que ganhar muitas vezes para voltar a jogar na Primeira Divisão.

Mariana: Não foram bons.

Pai de Mariana: Sim.

Mariana: Ok.

Pai de Mariana: Mas somos da Académica na mesma, certo?... (medo na resposta)

Mariana: Sim, claro que sim.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXII

Que as mensagens passam.

Que vale a pena travar um trabalho constante contra a insegurança e contra a estúpida tendência do ser humano para o sofrimento.

Que, ainda assim, há uma ténue fronteira entre a segurança pessoal e o reflexo do Narciso e que há que ter cuidado com ela...

Mariana (durante uma viagem de carro em que já tinha questionado os pais sobre o sentido da vida) - É bom ter uma filha, não é?

Pais de Mariana - Sim.

Mariana - Mas ter-me a mim é melhor ainda, não é?

Pai de Mariana (em pensamento) - Mai'nada!

domingo, 13 de março de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXI

Serão caseiro, com a televisão sintonizada na RTP Açores, aquando da transmissão do noticiário (sim... cá em casa vê-se, religiosamente, as notícias açorianas. Sim... este que vos escreve é o único que professa, voluntariamente, tal religião). Passa uma peça sobre a Feira da Mulher, realizada em Angra.

Mariana - Também há a feira do homem?

Pais de Mariana - Não.

Mariana - Então se existe a feira da mulher, também devia existir a feira do homem.

Pais de Mariana - E o que é que tu achas disso?

Mariana - Se só há a feira da mulher é uma coisa totó.

Hoje aprendeu-se que a Mariana está a desenvolver o conceito de igualdade.

quinta-feira, 10 de março de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXX

Que a Princesa continua a crescer bem.

Que a sua relação com os livros e com as histórias continua a mudar.

Que há dinâmicas que se estão a inverter.

Que a autonomia se vai construíndo...

Mariana (com um livro na mão, após a hora de jantar): Papá, queres que te leia um livro?




terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXIX

Que o relógio está a contar.

Que em casa de ferreiro...

Que a Princesa cresce mais rápido do que a capacidade de adaptação do senhor seu pai.

Mariana e pai, em pleno momento Domingo de manhã, estavam na sala. Cada um tinha o seu "momento zen". Ela via bonecos, ele lia o jornal. A mãe dormia. O Domingo de manhã ninguém lhe tira.

Mariana (após ver uma cena dos desenhos animados) - Papá, viste? Bateu-lhe no pipi!

Pai de Mariana (numa habitual exercício de negação do crescimento da pequena) - Então, Mariana?!

Mariana - Tens razão. Bateu na pénis dele!

Pai de Mariana (repetindo o exercício de negação) - Mariana, não digas isso.

Mariana - Porquê? É o nome certo. Bateu-lhe na pénis. Tu também tens uma pénis. E eu tenho uma "vegine".

Pai de Mariana (em pensamento) - Está bonito, está...


Quando levar a mal, no Carnaval, devia ser obrigatório...

Mais uma vez, na época carnavalesca, deambulando pelos canais televisivos, foi impossível não nos depararmos com as reportagens, por vezes inenarráveis, sobre os Carnavais espalhados pelo país. Por esses dias, dou sempre por mim a lembrar um pequeno "E" que encontrava colocado nos calendários no quadradinho reservado ao dia de Carnaval, que me intrigava quando andava na escola, em petiz. Se é dia de Carnaval, porque raio aparece um "E" e não um "C", pensava.

Este ano dei por mim, novamente, a pensar no Entrudo ou, dito de maneira diferente, a rejeitar, ainda mais, o entendimento bafiento e abrasileirado que se tornou regra em Portugal quando se aproxima esta altura do ano. Não deixa de ser irónico que o povo que se está a abrasileirar no Carnaval, tenha sido o povo que levou as práticas do Entrudo para o Brasil... Sim, as voltas da história são retorcidas. No fim de contas, o que muitos fizeram, ao longo dos tempos, foi trocar a tradição portuguesa de festejo do Entrudo pela versão brasileira carnavalesca do mesmo que, insidiosamente, foi sendo recambiada para o nosso cantinho.

E o Entrudo, entendido como uma súmula das verdadeiras tradições nacionais, foi sendo esquecido em nome da sua subversão na forma de ritmos e práticas culturalmente e meteorologicamente desfasadas, de senhoras desengonçadas cuja quantidade de tecido no corpo é indirectamente proporcional ao volume do mesmo, pela parolada do endeusamento dos actores de telenovela e por uma imitação de outros carnavais contextualmente e culturalmente localizados. O que é uma pena. Ao contrário do que se possa pensar, e do que é habitualmente salientado nesta altura, o Entrudo é rico em tradições, hábitos e movimentos culturais que, não havendo uma inflexão carnavalesca, se irão perder e tornar uma simples excentricidade. A tradição terceirense de festejo do Carnaval é um feliz exemplo da perenidade da tradição carnavalesca popular, que, sadiamente, não acusa a erosão do tempo ou o ostracismo de tantos que não o querem, ou não o sabem, valorizar.

Na Terceira, e noutras paragens do país, resistem hábitos culturalmente e contextualmente enraizados que deviam, e facilmente podiam, ser enfatizados, permitindo ganhar terreno à más imitações acríticas daquilo que se faz noutros locais do mundo. E se é certo, ou pelo menos dado como certo, que no Carnaval ninguém leva a mal, também é certo que rrita que poucas pessoas não levem a mal que lhes sejam insidiosamente subtraídas coisas que são suas. Levar a mal o ostracismo mediático, na comunicação social nacional, deveria ser obrigatório no Carnaval. Levar a mal a disparidade mediática entre esta singularidade da Terceira e outras que a caracterizam deveria, igualmente, acontecer. Pelo menos na opinião deste terceirense adoptivo que, quer-me parece, não está sozinho na opinião…

Este ano, a Terceira voltou a protagonizar aquele que é um espectáculo de arte popular singular, enorme, significativo e, que continua a ser, desconhecido para tantos e tantas fora da Ilha. Um Carnaval de luxo cuja importância e significado não encontra eco na forma como é tido em conta, noutras paragens. Um tesouro que continua a ser ignorado, fora destas nove ilhas, sem merecer uma reportagem digna nos órgãos de comunicação social nacionais. Abaixo os sambistas de ocasião! Vivam os caretos, os gigantones e, acima de tudo, todas as danças. comédias e bailinhos do Carnaval da Terceira e todas as pessoas que participam, nas mais variadas formas, neste fenómeno único.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXVIII

Que, quando as sinapses se vão formando a bom ritmo, a linguagem começa a ganhar novos significados.

Que o sarcasmo, ainda que os petizes não o saibam definir a contento, se aprende bem cedo.

Que as definições dos conceitos de uma pequena de seis anos é muito mais interessante do que aquelas que os adultos encontram. Mesmo.

Que, como noutras alturas, a Princesa está a crescer bem.

Cá em casa, temos um cão. Gostamos tanto dele, como ele gosta de fazer covas no jardim. E, no episódio da história de hoje, autênticos túneis. Sim. O cão é grande e desaparece nele.

Pai de Mariana (enquanto voltava a tapar o túnel, gesto que o cão aprecia tanto, mas tanto que tende a retomar o seu túnel capaz de propiciar a evasão de um El Chapo qualquer): Tobias, não! Não!

Mariana (enquanto olha para o cão e ajuda no trabalho de Sísifo que o seu pai tende a repetir): Posso agradecer ao Tobias?

Pais de Mariana: O quê?!

Mariana: Agradecer quando uma coisa é má...

Pais de Mariana (renitentes...): Podes...

Mariana: Obrigadinha, Tobias. Quando se agradece em bem, diz-se obrigado. Quando se agradece em mau, é obrigadinha.

Obrigado, Mariana.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Académica

Na minha profissão, enquanto psicólogo, falo muito de limites, da necessidade de os estabelecer, de os respeitar e da firmeza necessária quando os mesmos são ultrapassados. Da forma como os mesmos, por exemplo nas relações, não devem ser re-traçados de forma recorrente, de uma forma que perturbe uma das partes e que lhe roube a sua identidade, os seus valores, a sua singularidade enquanto pessoa.

Hoje, com este vergonhoso mercado de Inverno, batemos mais uma vez no limite, aquele que retraçamos há anos. Aquele que já estava mais do que ultrapassado, aquando da FInal da Taça de 2012. Foi uma das maiores alegrias da minha vida, mas deu um balão de oxigénio a quem não o merecia. A quem não o aproveitou. Não, poupem as teclas, não estou a dizer que preferia não ter ganho a Taça. Estou a dizer que me revolta onde estamos, só, quatro anos depois. Em tudo, TUDO, estamos pior. Em TUDO continuamos a ultrapassar limites. Dir-me-ão que na formação estamos melhor. Não sei. Tardamos em ter uma política que a enobreça. Temos gente responsável com vínculos mais do que precários ao clube. Temos gente competente nas camadas jovens, seja nos jogadores, seja nos treinadores. Seremos capazes de as agarrar? Temo que não. Temos pessoas, não temos uma política. Aderlan é um dos piores laterais que já passou pela Académica; leio que temos um puto bom nos juniores, que fizeram uma óptima carreira até agora. Joga? Tem uma oportunidade? Não. Não vou na teoria dos amarelanços a mais no jogo com o Sporting. O Aderlan é expulso, e bem expulso. Assim como o Rafael Lopes poderia ter visto uma amarelo alaranjado mais do que justo. Assim como marcamos um golo ridículo de tão ilegal que era. O terceiro golo é responsabilidade do Aderlan que se fez expulsar. A culpa não é dele. É de quem o contratou. A ele, ao Ofori, ao Lucas Mineiro e a dezenas e dezenas de jogadores. Nunca falamos de Luís Agostinho. Será, penso, o director desportivo que, há mais tempo, ocupa um lugar semelhante na Primeira Liga. Dirige desportivamente o quê? Com que critério? Com que salário? Com que produtividade? Presumo que, na Académica, não haja avaliação de desempenho. Na Académica habituámo-nos a não entender as decisões. Já não estranhamos. Discutimos uns com os outros, os progressistas contra os tradicionalistas, os do pontapé na bola contra os do jogador estudante, os coimbrinhas contra os cosmopolitas, os do JES contra os do Anti-JES. Pelo meio, a Académica definha. A energia tem que estar focado na alternativa. Tem que haver alternativa. Ontem já era tarde.

Já agora, há quatro anos ganhávamos ao Atlético de Madrid, orgulhando na carreira na Liga Europa. Onde estamos, hoje, em TUDO? Pois.

Estou-me marimbando para quem me/nos acusa de poesia desmesurada ou de um so called sebastianismo. Até para que me/nos acusa de ser coimbrinha (seja lá isso o que for que, em 34 anos de vida, nunca entendi). Sei que muitos de nós têm uma visão do que pode ser a Académica, na sua singularidade. Com diferenças na diversidade de opiniões, mas, espero, com a certeza do carácter absoluto dos valores que nos distinguem. É ser coimbrinha reconhecer a VERGONHA que, no momento, somos? É ser poeta ter aprendido o que é a Académica e querer que haja uma versão simbiótica que conjugue valores com modernidade, rentabilizando formação, futsal (sim… o ideal do jogador-estudante pode exponenciar-se, também, aqui!) e sucesso desportivo? É saudosista querer uma Académica ligada à Universidade e à cidade? É ser coimbrinha revoltar-me contra o degredo em que estamos? É ser sebastianista desejar alguém, uma equipa, uma visão para a Académica que não nos envergonhe, no lugar de pessoas em que cada vez menos se revêem?

Já agora, há quatro anos metíamos mais de quinze mil pessoas, num dia de semana à noite contra a Oliveirense? E agora, onde estamos? Com duas mil pessoas por jogo, uma claque alienada e um número de sócios a mirrar todos os meses (o que, naturalmente, é altamente conveniente…? Quantas pessoas conhecem, como eu conheço, que deixaram de ser sócias, nos últimos anos? Centenas? Milhares!

Acho, sinceramente, que evitaremos a descida. Acho, com pena, que continuaremos a re-traçar o limite. A fugir dos rótulos, numa espiral conformista. TUDO o que a Académica não devia ser.

Sugiro que, um dia, tal como eu já fiz, vão ver um jogo da SF. A “outra” Académica. Cheira mais a Briosa, do que o OAF. Uma caricatura de si mesma, no momento.

Acabou o tempo desta Direcção que está a matar a Académica e a alienar o seu património histórico. E, pelo que vou lendo, a não fazer grande bem ao património financeiro. Chega. Acabou o tempo de um presidente que nos envergonhou, ainda que tenha tido um papel válido numa altura em que ninguém queria agarrar na Académica. Sim, tem esse mérito. Dou-lhe esse mérito. Chega de um Godinho que ameaça sócios e que, igualmente, se eterniza. Chega de um Agostinho, como atrás referi.

Há menos de quatro anos, sonhámos. Hoje já não estranhamos o pesadelo.

Quero, mesmo, a minha Académica de volta. Estou farto de ver todos os limites ultrapassados. Sei que não estou sozinho.

A-CA-DÉ-MI-CA

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O voto açoriano

Além dos 52% que fizeram de Marcelo o nosso Presidente, há outro número a reter, aqui nos Açores.

Uma Região em que quase 70% dos eleitores escolhem não votar terá que se deitar no divã e pensar sobre si mesma, sarando as suas dores. Que o faça e rápido... Este número é um susto e um perigo, 

Bem sei que uma democracia doente possa ser conveniente para alguns, mas há valores que têm que ser absolutos. O ideal democrático é um deles.

sábado, 23 de janeiro de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXVII

Que a sondagem à boca das urnas/do coração da Mariana, ditou um vencedor (in)esperado.

Que as ideologias da Mariana são, pelos vistos, inabaláveis, eleição após eleição... o Álvaro Cunhal morreria de inveja.

Que as dificuldades de compreender o significado de umas eleições é directamente proporcional às certezas que cria e mantém no seu coração.

Pai de Mariana - Sabias que amanhã é um dia importante, Mariana? Amanhã, eu e a mãe, vamos votar.

Mariana - Votar? Para que é isso?

Pais de Mariana - Para escolhermos pessoas que vão tomar decisões por nós e em quem sentimos que podemos confiar. Decidimos qual será a melhor pessoa e escolhemo-la.

Mariana (com um ar que colocaria qualquer um dos reais candidatos em sentido) - Vão votar na Tia L.*, não é?

Pais de Mariana - Não...

* Uma das tias do coração da Princesa, na Terceira.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Desaparecido da/na Ilha Terceira

Desapareceu, da Ilha Terceira, há várias semanas. 

Tem quatro biliões e meio de anos, ainda que aparente ter menos idade.

Quando desapareceu trajava de amarelo, com tons de dourado, emanando brilho das suas vestes.

Já foi visto, episodicamente, na Terceira, nos últimos tempos, pelo que se acredita que não terá abandonado, de vez, a Ilha. Há, assim, esperança que possa ser encontrado e trazido, de novo, ao convívio daqueles que lhe são queridos.

Aproximadamente cinquenta e cinco mil pessoas aguardam notícias, desejosas do seu aparecimento.

É portador de doença psiquiátrica, padecendo de Perturbação Bipolar, alternando, de forma inexplicável, períodos de brilho intenso com longos períodos de ausência e de evitamento social, desaparecendo do convívio de todas as pessoas, mesmo das mais familiares. 

Quaisquer notícias sobre o seu paradeiro deverão ser comunicadas às autoridades competentes ou a qualquer terceirense interessado.

Chama-se Sol. Responde, igualmente, por solis, para os amantes da cultura latina.

Angra do Heroísmo, 22 de Janeiro de 2016






quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXVI

Que há atenção, muito mais atenção do que pensamos nos olhos de uma pequena de seis anos.

Que a parentalidade é, mesmo, uma soma de pequenas coisas que, dia após dia, ganham dimensão.

Que, numa parentalidade feliz, os olhos de uma pequena de seis anos estão, magneticamente, à procura das pequenas coisas, aquelas que são segurança e que marcam. No bom sentido. No único sentido que deveria existir.

Que somos uns terroristas, quando nos esquecemos de tudo isto.

Que, quando não nos esquecemos, podemos sentir um genuíno orgulho nos pais que conseguimos ser.

Mariana (percebendo que o pai está a usar uma pulseira que ela construiu para ele há uma série de meses, que não terá o ar mais masculino do mundo) - Papá estás a usar a pulseira que eu fiz para ti?

Pai de Mariana - Sim.

Mariana (com um ar pleno de perspicácia) - E usas no trabalho?

Pai de Mariana - Sim.

Mariana (com o mesmo ar) - E as pessoas não dizem nada? Não dizem que andas com uma pulseira de menina?!

Pai de Mariana - Dizem.

Mariana - E tu andas com a pulseira na mesma?!

Pai de Mariana - Sim. Se foste tu fizeste a pulseira para mim, não me interessam o que os outros dizem. Ando com ela porque me faz lembrar de ti.

Mariana (acompanhando a frase de um abraço) - Obrigado, papá.



sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXV

Que a linguagem é plena de subtilezas.

Que a aculturação terceirense da Mariana enriquece o manancial de subtilezas possíveis na língua portuguesa.

Que, aos seis anos, alguém começa a dar nota da sua personalidade.

Que há tempos que estão a terminar.

Pai de Mariana (regressado a casa depois de não ter encontrado um furacão, a seguir ao trabalho) - Estás a comer uma pastilha elástica?

Mariana (a mascar de forma visível) - Não! Isto é uma gama.

Pai de Mariana - E qual é a diferença?

Mariana (com o ar mais seguro do mundo, qual Obama no discurso do Estado da Nação) - Uma gama* não faz balões, a pastilha elástica faz!

Pai de Mariana (em pensamento, a tentar não dar parte de fraco, depois de ficar confundido com a resposta segura da Princesa e a olhar de soslaio para a mãe de Mariana, procurando uma qualquer confirmação e/ou resposta...) - Mas uma gama não é sempre igual a uma pastilha elástica?!

Pai de Mariana - Pronto, pronto... Deita isso fora, rápido.

Pai de Mariana (uns segundos depois, em pensamento, olhando a pequena a mascar a pastilha) - Estúpido.

* Aportuguesamento da palavra inglesa "gum"; um dos muitos aportuguesamentos, da língua inglesa, que existem no linguagar açoriano, em geral, e terceirense, em particular. Desafio aos continentais: o que será uma suera? Ou um bacemento?


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

domingo, 15 de novembro de 2015

A propósito da existência de um terrorista português...

Os portugueses são um povo lixado e que, nalgumas alturas, conseguem baralhar aquilo que parece fácil, aquilo que parecia fazer tanto sentido! Tinha que aparecer um terrorista português para baralhar uma série de teorias subjacentes aos hediondos atentados de ontem. Parecia tudo tão fácil de explicar...

Terroristas para a terra deles, é o que é! Mas um deles era português... Correr com ele para a terra dele! Que é a nossa?!... Porra. Vêem como há portugueses que são mesmo lixados? O que vale é que haverá outros que hão-de desenrascar outra explicação qualquer.

sábado, 14 de novembro de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXIV

Que há mentiras que têm que ser ditas.

Que o facto de termos que mentir demonstra a enormidade das coisas.

Que há valores absolutos. O futuro da Mariana é um deles.

Mariana - Isso que está a dar na televisão, é onde?

Pai de Mariana - Paris.

Mariana - Em França?! E isso é perto de nós?

Pai de Mariana, após um silêncio - Não.  Aquilo que está a acontecer é muito longe de nós.

Pai de Mariana (em pensamento) - Antes fosse.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXIII

Que a Mariana é uma visionária em matéria de política eleitoral.

Que a Princesa está a (re)criar os alicerces da democracia, instituindo os círculos uninomais (do coração).

Que há maiorias absolutas no coração da Princesa que não são contrariadas por qualquer moção de censura. Venham de onde vierem.

Mariana: O que é votar?

Pais de Mariana: É escolher quem é que queremos que nos represente, que tome decisões por nós. Estão nomes escritos numa folha e escolhemos as pessoas que merecem a nossa confiança.

Mariana: Mamã, escolheste a Tia L.*, não escolheste?

* Que, não sendo candidata a nenhum lugar elegível nas Legislativas, é uma das pessoas que têm maioria absoluta no coração da Princesa. Que, não sendo tia de sangue, é uma das boas tias do coração que a Princesa tem, na sua vida.

domingo, 4 de outubro de 2015

"Saúde e democracia"

"Saúde e Democracia". Era assim que, no período pós 25 de Abril, acabavam as cartas de um dos meus avôs, operário fabril, hábil serralheiro na Fábrica da Cerveja. Nestes dias, em que procuro ensinar à Mariana a importância do voto*, não consigo deixar de lembrar nessas palavras manuscritas, encontradas em cartas antigas junto a cartazes, com letras desenhadas a caneta de feltro, que nunca chegaram a agitar os trabalhadores, em tempos em que agitar se tinha tornado possível e, sadiamente, obrigatório.

Nestes dias, lembro-me dos meus outros avós, os da aldeia, aperaltados, como se fosse Domingo de Páscoa, dirigindo-se, em conjunto, à assembleia de voto, num ritual solene, quase religioso. Lembro-me deles. Lembro-me da sua consciência da importância do voto e imagino, sem saber o que seria, o que seria querer e não poder participar, dar a sua opinião e contribuir para a construção democrática do país que é seu.

E sinto-me (ainda mais) obrigado a ensinar à Mariana a importância destes dias, a educá-la para a sociedade democrática para que ela não seja uma das pessoas que não vota. Aquelas a quem o meu avô, do alto do seu fato e gravata e cabelo aprumado, diria das boas, nestes dias. E faria bem. Muito bem.

*Tendo a Mariana questionado se a sua mãe teria votado na sua Tia L. "Votaste na Tia L., não votaste, mamã?"

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXII

Que a a aprendizagem da descodificação das "ilusões" (ou seja, as emoções em Marianês) se vai fazendo.

Que a Princesa não pára, mesmo, de crescer.

Que continua a ultrapassar etapas, mesmo que a insegurança de quem é pai, nem sempre o perceba e processe.

Pai de Mariana (que passou a primeira semana de aulas em stress traumático): Mariana, gostas do teu professor da Escola?

Mariana: Sim.

Pai de Mariana: E ele é simpático? Ri-se muitas vezes?

Mariana: Ele ri-se poucas vezes. Mas não é daquelas pessoas de cara zangada. É simpático, sem se rir muitas vezes...


quinta-feira, 30 de julho de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXI

Que o processo de aculturação é, mesmo, imparável.

Mãe de Mariana (enquanto a Princesa fala com os avós, em alta voz, no telemóvel) - Conta aos avós onde foste ontem! Conta que foste à praia!

Mariana - Não, não fui...

Mãe de Mariana (cujo processo de aculturação teima em ser mais lento do que aquele dos restantes elementos cá de casa) - Não foste? Então não foste aos Biscoitos?

Mariana - Os Biscoitos não são uma praia*!

Pumba.

* Esclarecimento para continentais: na Terceira, e nos Açores em geral, as praias de areia são raras. A grande maioria dos locais de banho são zonas balneares (como os Biscoitos, acima referidos), localizadas nas rochas em zonas vizinhas ao mar. Assim, a expressão tomar banho não se resume ao acto de higiene matinal. Havendo uma cidade chamada Praia da Vitória, ir à praia é mais ir à Praia, do que ir à praia. Encontrar um terceirense que goste de areia é mais difícil do que um adepto da Académica que aprecie o Guimarães.

Até debaixo de água, esta ilha continua a ser...

...fenomenal.








segunda-feira, 27 de julho de 2015

Até debaixo de água, esta ilha é...

...fenomenal.







video

Fotos captadas nos Biscoitos, Ilha Terceira, com a GoPro dos remediados, uma mítica Denver.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LX

Que vale a pena educar, musicalmente falando, uma Princesa.

Que a Violetta, e afins, terão adversários de peso, dentro em pouco.

Que o caminho para educar o ouvido é, contudo, árduo.

Que, por vezes, apesar de exigirmos demais de uma pequena de cinco anos, conseguimos rir em conjunto, com ela.

Que é tão bom, quando isso acontece.

Episódio número 1

Desligou-se a televisão (algo que se faz, cada vez mais, cá por casa) e colocou-se o David Bowie, que se tem ouvido no carro, a encher a sala com a música "Jean Genie". A Princesa pára.

Mariana - Papá, este senhor é o mesmo que canta a música do astronauta Tom?

Pai de Mariana - Hã?!



Episódio número 2

Pai de Mariana (enquanto se ouvia o Cuidado com as Imitações do Mestre SG) - Como se chama o senhor que está a cantar, Mariana? Sérgio...

Mariana - Gordinho!

(risos em conjunto)

Pai de Mariana (que consegue ser um chato) - Não! Sérgio Godinho. E o senhor que canta o outro CD que ouvimos em casa? António Zam...

Mariana - Zambor!

(risos em conjunto)

Pai de Mariana (que, não sei se já partilhei, consegue ser um chato) - E o senhor que canta a música do Major Tom? David...

Mariana - David Gordinho!

(risos em conjunto!)


quarta-feira, 22 de julho de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LIX

Que há momentos em que passamos com nota positiva, nas pequenas auditorias de qualidade do quotidiano.

Que procurar educar uma pequena de cinco anos é bem mais desafiante do alguém com uns anos a menos.

Que a Princesa está, mesmo, a crescer.

Princesa Mariana, em pleno momento de passeio a dois com o seu pai - Papá, sabes que eu, de vez em quando, compro a mamã?

Pai de Mariana, contendo as reacções todas que tinha vontade de ter e fazendo uso dos instintos manipulatórios que, por vezes, os bons pais têm que ter (e disfarçar que têm...) - Ai é? E como é que fazes isso?

Princesa Mariana - Digo que lhe dou mil beijinhos se ela me fizer aquilo que eu peço... Compro-a com mil beijinhos, por exemplo.

Pai de Mariana - E funciona?

Mariana - Olha... Não. Nunca funcionou...

Pai de Mariana (mentalmente, depois de regressar a 2015, depois de uma viagem súbita, algures no futuro) - Ufff...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LVIII

Que os colegas da Mariana têm alguma razão em, quando existem crianças com o mesmo nome próprio, se tratarem pelo apelido, como os militares ou os guardas prisionais.

Que a inteligência e perspicácia de uma pequena princesa de cinco anos, ainda é um prólogo de tudo o que está para vir, por muito que os seus pais se esqueçam.

Que os alicerces ainda estão (quase) todos em construção.

A princesa estava nas suas sete quintas, a ver "bonequinhos"* em casa da sua mais recente tia, a J., cuja irmã se chama, igualmente, Mariana, numa clara demonstração de bom gosto dos pais das duas.

A J.**, num assomo de dona-de-casa, no meio do corropio ternurento de quem tem a casa cheia pela primeira vez e quer que tudo corra pelo melhor, solta uma instrução, dirigida à irmã: "Mariana, tira a roupa!" Aquela que estava no chão da casa de banho.

Uns quatro segundos depois, num dia de calor, a princesa está debaixo de um cobertor, na sala, com um ar confuso.

Pai de Mariana: Porque estás tapada com um cobertor, Mariana?

Mariana: Porque tenho frio...

Pai de Mariana: Mas está um dia de calor.

Mariana: Mas eu estou sem roupa... A J. mandou...

* Ou macaquinhos, em terceirense.

** Que tem a extraordinária capacidade de não ter medo de dizer aquilo que sente. Coisa rara...

Das palavras que é uma pena que não sejam usadas mais vezes... - V

Como diria o Z.P.O., arrabaldes (de Fala, por exemplo).

A piada óbvia do dia...

O Varoufakis foi de mota.

34

Filipe sempre temeu os 34 anos. Em petiz, interiorizou que era nessa idade que os jogadores da bola se tornavam veteranos, logo menos capazes, logo velhos. Decorria o Mundial de 1990, em Itália, quando Filipe teve a sua primeira caderneta de cromos da Panini, um marco para qualquer criança que tivesse um pai vidrado em futebol nas décadas de 80 ou 90. Nela constavam os dados dos jogadores. Nome, clube onde jogavam* e data de nascimento. Havia esperanças, jogadores maduros e veteranos. Um deles ficou na memória. Mítico guardião da Holanda, Van Breukelen. Nascido em 1956, chegava a Itália com 34 anos. É um daqueles que ficaram na memória. Um jogador em final de carreira que, aos 34 anos, jogava o seu último Mundial. Um veterano.


Ontem, percebi que os meus primeiros 34 anos passaram num ápice, quase à velocidade da luz, como na foto abaixo, que tirei há uns anos. Que ser veterano até é porreiro. Que não os trocava pelos outros anos que os antecederam. Fazia, apenas, uns pequenos retoques. Procurarei começar a fazê-los, a partir de hoje. Espero conseguir.


Que venham mais.

* O que permitia perceber que jogaram, nesse Mundial, jogadores do Beira-Mar e do Benfica de Castelo Branco. Quem se aventura a adivinhar os seus nomes?...

As alturas em que o jogo da bola faz sentido*


* Ou, como diz o senhor estrangeiro do Lago dos Tubarões, "tem senso".

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A boa surpresa do dia

Além de estranho, o mundo é um lugar pequeno. Hoje a M.C., que está na Polónia, alertou-me para algo, a partir de um livro que lê sobre uma terra que não conhece mas que, como mulher de bom gosto, a apaixona.

No romance "Arquipélago", do escritor terceirense Joel Neto, a M.C. descobre uma referência a este espaço blogosférico, as Geometrias Variáveis. Pelo que se lê, há, mesmo, quem leia e quem por aqui passe e, pelos vistos, quem valorize os disparates deste vosso escriba. E, mais ainda, quem se inspire com eles*.

Não deixa de ser curioso que os mesmos posts que interessaram ao Joel Neto, já haviam permitido que, por via digital, criasse uma amizade com o Daniel de Sá. Uma honraria e, igualmente, a prova que, com a Internet, o mundo se torna (ainda) mais pequeno.

Se já queria comprar o livro, até pelas boas referências que o mesmo tem tido e pelo facto de a principal personagem ser a minha terra de adopção, aqui está mais um bom argumento.  


O exercício de humor referido é está aqui e é descrito nas páginas 221 e 222 do livro.

* Um bom reforço para escrever mais?...