quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A minha proposta para o novo logótipo da IURD

A propósito das recentes notícias vindas a público sobre a Igreja Universal do Reino de Deus e as adopções que promovia de crianças que teria, estranhamente, a seu cargo, achei-me na obrigação de contribuir, pro bono, com um novo logótipo para a referida empresa. A imagem corporativa é um valor de mercado e deve, naturalmente, exprimir a missão da entidade. Aguardo o agradecimento do bispo Macedo.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXII

Ao octagésimo segundo relato desta saga* aprendeu-se, novamente, que a Princesa tem poderes.

Que consegue ter um coração gigante que desafia um Oceano. E que lhe ganha por capote, como se dizia antigamente.

Que uma viagem surpresa dos avós, do avô e da bisavó para o seu aniversário, demonstra que o coração está bem desenvolvido e que valeu a pena a Princesa ter comido muito ao longo dos anos. Que quem está longe está bem viva no seu coração.

Que o avô que não veio continua no seu coração, mesmo que sem nunca o ter conhecido. As perguntas recorrentes demonstram-no e a satisfação de receber uma nova foto dele provam-no. Que quem ela nunca conheceu, também cabe num coração enorme que só pode orgulhar.

Que a batalha continua, para sublimar um Oceano.

Que ficámos todos, os de cá e os "lá de fora" mais revigorados nessa luta.


* Mantém-se o objectivo de chegar ao centésimo relato para construir um livro para a Princesa...

É fugir, senhores, é fugir!

Num raríssimo, e irónico, volte-face da história, a senhora da Raríssimas passou a utente da instituição que terá gerido conjuntamente com o herdeiro da parada, com base num paradigma alimentado a gambas e motores germânicos.

É que, pelo que vejo e leio, a senhora só pode ter contraído lepra, varíola ou peste bubónica, entre hoje e ontem, tendo em conta a quantidade de pessoas ilustres que dela fogem como o mafarrico foge da cruz.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXI

Que, nalgumas coisas, ser pai de uma Princesa é mais complexo que ser pai de um Príncipe.

Que, por muito que brinquemos com o assunto, temos medo daquilo que não controlamos. Futuros putos borbulhentos na puberdade entram nessa definição.

Que o medo nos faz antecipar até aquilo que não faz sentido. Nenhum, mesmo.

Que, mais uma vez, em casa de ferreiro não há espetos de ferro, só de pau oco.

Que o M. e o B. são só miúdos e que são muito porreiros, daqueles que dá gosto que façam parte da vida da Princesa.

Um destes dias, a Princesa teve uma demonstração de basquetebol. Como se diz pela Terceira, a Mariana e os colegas foram todos prezados participar numa exibição do seu escalão de formação, no intervalo do jogo de basquetebol dos grandes.

Após o intervalo, a Mariana ia aparecendo e desaparecendo na bancada, enquanto brincava com os amigos.

Chegados a casa, o pai pergunta, naquele modo que os pais têm em que conseguem ser só uns chatos. O Pai da Mariana tem muito momentos desses.

Pai de Mariana - Gostaste de ir ao jogo?

Mariana - Sim.

Pai de Mariana - E gostaste de brincar no pavilhão com os amigos?

Mariana - Sim.

Pai de Mariana - E brincaram a quê?

Mariana - Não te posso dizer. É segredo.

Pai de Mariana (em pensamento, ligando o complicómetro parental de protector de Princesas*, à velocidade da luz...) - Segredo?! Se ela não conta os jogos com os rapazes, não pode ser coisa boa! Estou lixado com isto. Já?!

Pai da Mariana (a falar "à pai") - Conta lá!

Mariana - Pronto... eu conto...

Pai da Mariana - Sim...

Mariana - Estávamos a jogar à patinagem no gelo...

Pai da Mariana (em pensamento) - És um idiota! Ufff...

Pai da Mariana (em modo cara de pau) - Muito bem! Fizeram bem... deve ter sido divertido!


* Como se ela precisasse...

terça-feira, 28 de novembro de 2017

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXI

Que a escola, em todo o seu esplendor, começa a implicar que a Princesa traga para casa desafios, que vão muito além dos corriqueiros trabalhos de casa. A discussão do sistema reprodutor é um deles.

Que, apesar disso, pode haver momentos divertidos em tais desafios. Pelo menos, por enquanto.

Que a aprendizagem daquilo que significa ser homem e pai de uma Princesa continua, sendo de registar progressos.

Que, realmente, a nobre arte de ser alquimista da alma, termina à porta de casa. Que ser psicólogo em casa própria nunca funciona.

Que, felizmente, não estamos sozinhos na luta.

Há uns tempos, era a Princesa ainda mais pequena, Filipe deparou-se, muito mais cedo do que esperava/temia, numa viagem de carro, com a mais sacramental das perguntas.

Princesa - Pai?

Pai da Princesa - Sim?

Princesa - Como é que fazem os bebés?

(longo silêncio...) Pai da Princesa - Tens que perguntar à mãe, ela depois explica-te... (sim, shame on Filipe).

Como sempre, o evitamento revelou a sua perversa eficácia no curto-prazo.

De lá para cá, a Princesa cresce, as perguntas vão acontecendo e os pais têm desempenhado a sua função, com menos evitamento paternal das questões difíceis. Realmente, tudo se aprende (sim, com as filhas que não são nossas, é bem mais fácil...).

Hoje, o M., amigo inseparável da Mariana veio jantar connosco. Falando da escola, à refeição, enunciaram-se os sistemas do corpo humano que os petizes estão a estudar no Estudo do Meio. A conversa foi parar ao sistema reprodutor, aquele que está a ser trabalhado com o professor J..

Aí, durante a conversa, foi possível perceber, com muito menos constrangimento do que aquele que se sentiu na conversa anterior, que os bebés nascem através da junção do ovário com o espermabogotozóide. E, que algures, no sistema reprodutor das senhoras existem as Trombas do Pinóquio.



Não. Não houve perguntas sobre como é que os espermatobogotozóide se encontra com o ovário, corrigido, mais tarde, para óvulo pelos dois. Chegarão perguntas, em catadupa, num futuro próximo.

Deixado o M. em casa, percebemos, como seria de esperar, que o crescimento dos petizes coloca perguntas a todos os pais que não são opcionais. De resposta aberta e não de escolha múltipla. Aliás, a parentalidade é uma permanente questão aberta e, nunca, uma pergunta de escolha múltipla.

Pergunta-nos, a mãe, do M., a simpática S., depois de lhe contarmos que existe um Pinóquio mal encarado em todas as mulheres, algures na barriga.

Mãe do M. - Já agora, eles perguntaram mais alguma coisa, além disso, para me preparar?...

Pai da Mariana - Ainda não chegaram à dinâmica da coisa.

Todos (em pensamento) - Uff...

Hoje, ainda, não.

domingo, 26 de novembro de 2017

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXX

Hoje, cá em casa, acompanhou-se o jogo entre a Académica e o (ler alto) Porto (ler baixinho) B. Jogo interessante, em que a equipa mais interessante das duas conseguiu uma vitória in extremis, no último lance do jogo.

Hoje, cá em casa, sofreu-se a bom sofrer.

A mãe da Mariana saiu de casa, durante o jogo. Algures, pela segunda parte, a Princesa juntou-se ao seu pai, no aconchego do sofá, com a melhor equipa do mundo em vantagem. Foi, a partir daí, o melhor jogo da Académica que vi, fosse qual fosse o resultado.

Entretanto, a mãe da Princesa regressou. Entretanto, o (ler alto) Porto (ler baixinho) B, num tributo à injustiça, empatou o desafio*, levando a um aumento exponencial da tensão que se vivia no sofá cá de casa.

Os ventos da fortuna e da justiça trouxeram o empate, no último sopro do jogo, num lance pleno de abnegação de uma equipa que, hoje, orgulhou.

O pai da Princesa saltou e gritou com a Princesa ao colo ("Pai, estás a magoar as minhas costelas!"), sob o olhar benfazejo da Mãe da Princesa que celebrou o golo com parcimónia. 

Princesa (com um ar de irritação que orgulha qualquer pai) - Mãe! 

De supetão, ergue-se do sofá do sofrimento e dirige-se à mãe que se empoleirava numa mesa para acabar a segunda versão da árvore de Natal (a Mãe da Princesa leva o Natal muito a sério).

Mãe - O que se passa?!

Princesa - Não festejaste o golo como devias! Festejaste menos do que devias! Tens que festejar como nós.

Mal sabia ela que, durante a tarde, a senhora sua mãe tinha instalado uma aplicação no telemóvel para poder acompanhar o jogo que ia decorrendo em casa, onde sofriam, na esperança, dois cérebros temporariamente irracionais.

Hoje aprendeu-se que, por muito difícil que seja a tarefa de educar futebolisticamente uma Princesa, vale a pena o esforço.

Hoje aprendeu-se que, cá por casa, posso dormir descansado, rodeado de pessoas de bom gosto e de bom coração. Ainda que na Segunda Divisão.



* O que levou a um crédito de alguns euros para a Princesa. Cada palavrão vale 50 cêntimos. Sim. Ela não se coíbe de os cobrar, com a agilidade de um cobrador do fraque. Não. Não foi a melhor ideia que tive na vida, dada a incontrolabilidade do vernáculo em jogos de futebol.

sábado, 25 de novembro de 2017

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXIX

Que a espécie papis babadus aparece, cá em casa, de vez em quando.

Que é demasiado fácil que a Princesa provoque o seu aparecimento.

Que, quando Filipe se transforma em papis babadus, ocorre um estado de insanidade temporária que o impede de ver as coisas como elas são, além daquilo que ele gostava que fosse.

Que os pais são muito pouco resistentes às suas princesas. Mesmo. E que, quando se transformam em papis babadus, são tão manobráveis como um carro com direcção assistida, daqueles bons que têm um botão para que a direcção se torne ainda mais fácil de usar.

Que as mães atentas e competentes usam a cabeça nas alturas certas, sem escorregarem na baba dos seus congéneres parentais.

Que é bom passar por isto tudo.

Que, lá no fundo, a Princesa está a crescer todos os dias e que o esforço de a acompanhar, sem escorregar na baba, existe, dia após dia.


Este relato tem três actos, que compreendem o esplendor da Princesa, o advento do papis babadus e a sua, pouco surpreendente, derrota face à clarividência de uma mãe que, felizmente, está sempre atenta aos pormenores, com a minúcia de uma neurocirurgiã parental.

O pai da Mariana possui poucos talentos. Pentear princesas não é um deles. Digamos que está para essa arte como o Quintino Aires está para o bom senso. Aliás, as tentativas anteriores de pentear a Princesa ou de lhe fazer um tótó na cabeça já levaram a gritos pela mãe para terminar a tarefa, mesmo quando o pai se está a esforçar para levá-la a contento. E, quando a mãe não está, já houve pedidos para que sejam "as senhoras do ATL", a fazer-lhe o tótó, antes da escola. Sim. O pai obedece.

A mãe da Princesa ausentou-se para outra ilha, lá para o Grupo Oriental*, o que levou a que a habitual rotina matinal cá de casa fosse alterada. Sobraram todos os preparativos matinais para uma Princesa e um pai.

Algures pela manhã, aparece uma inusitada pergunta.

Princesa: Pai, podes pentear-me hoje?

Pai: Hmm?! Sim, claro.

Princesa: Pai, sabes uma coisa?

Pai: Sim...

Princesa: Estás a magoar-me um pouco, mas não há problema. Estás a pentear-me muito melhor do que a mãe me penteou ontem.

Pai (em pensamento): Boa, Pai! Finalmente aprendeste a não torturar a garota com a escova.

Princesa: Mas, por favor, deixas-me acabar sozinha... eu já sou grande.

Pai: Claro, claro.

Finalizada a rotina matinal, ala para o carro. Às primeiras curvas, ali algures pelo Bairro de Santa Luzia, a princesa dispara.

Princesa: Ainda bem que não tens ido para fora como a mãe e ficas comigo...

Pai (em pensamento, com o cérebro embebido em baba): Boa, Pai!

Umas valentes horas depois, Filipe conta à Mãe da Princesa os episódios, num misto de surpresa e baba.

Pai da Princesa: Porque achas que ela disse estas coisas?

Mãe da Princesa (em modo reality check): Óbvio. Vai-te pedir alguma coisa, em breve.

Pai da Princesa (em pensamento): Tenho saudades do papis babadus**.


* Para os continentais, quem é que consegue identificar as ilhas do Grupo Oriental dos Açores, sem questionar o Dr. Google?

** Ainda não pediu nada... Sim. É gajo para acontecer. Não. Não volteou a pedir para a pentear.

domingo, 19 de novembro de 2017

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXVIII

Que, na senda do que foi escrito aqui e aqui, há coisas que estão a mudar.

Que, afinal, as "Marias Rapaz" gostam de andar de saia e botas "fashion".

Que o guarda-roupa de uma "Princesa Maria Rapaz" pode fazer sucesso junto das outras princesas, mormente daquelas que fazem anos.

Que a Princesa tem uma perspicácia e criatividade digna de registo e que a velocidade de raciocínio aumenta à velocidade da luz. Ou de um unicórnio no meio do arco-íris.

Que é difícil acompanhar um unicórnio no meio do arco-íris nos dias mais esquisitos e sombrios. Que, contudo, temos que ser mais rápidos que eles. Se custa...

A Princesa, na lufa-lufa da sua vida social agitada, foi a um aniversário da Princesa M., colega de escola. Com uma estranha resignação, vestiu-se com uma saia e umas botas que tem, onde constam um unicórnio e um arco-íris. Fica linda, numa opinião imparcial.

Deixada pela mãe, coube ao pai ir buscá-la no final da celebração.

A P., mãe da aniversariante, por entre elogios que deixaram o Pai da Mariana orgulhoso, conta que as botas da Mariana fizeram sucesso.

Que, após o jogo de bowling, o unicórnio e o arco-íris voaram de mão em mão, para gáudio das meninas que adoraram a decoração das botas da Princesa. Acrescentou que, enquanto brincavam com as suas botas, uma Princesa descalça lançou a sua tirada do dia:

Princesa - Quem me dera que estivesse aqui a minha mãe... dizia-lhe "hashtag: mãe elas levaram as minhas botas"!


Priceless.

Sim. As botas vieram com ela.

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXVII

Por estas semanas enfrentámos, cá em casa, um pequeno tumulto com dois inimigos muito bem identificados para a Princesa: a saia e o vestido. A Princesa tem muito orgulho no seu estatuto de Maria Rapaz e defende-o com unhas e dentes. Ou, no caso vertente, com calças de ganga e calças de fato-de-treino.

Procurou-se, com sucesso limitado, alargar o guarda-roupa da Princesa. O tumulto aumentou de tom, fazendo com que a oposição a Robert Mugabe no Zimbabué pareça um conjunto de meninos. Muito novos e inofensivos.

Pelo caminho, a insistência, persistência e paciência, com muito pouca ciência, dos seus pais compensou. Nas últimas semanas, a vergonha tem levado uma coça e a Princesa vai percebendo que pode ser uma Maria Rapaz de saia. Ou de vestido.

Um destes dias, num daqueles momentos de conversa que o quotidiano faz esquecer, surgiu mais uma das pérolas da Princesa (que estes escritos ajudam a não esquecer...).

Mariana - Tu gostas de unicórnios?

Pai de Mariana - Sim. Sabes quem é que gosta muito de unicórnios e fadas?

Mariana - Não.

Pai de Mariana - A mãe. Ela gosta de tudo o que tem a ver com fantasia.

Mariana - Sabes, pai... *.

Pai de Mariana - Sim.

Mariana - Eu até gosto um bocadinho de fadas e princesas... (pausa introspectiva) ...eu não sei o que se passa... acho que estou a mudar!

Aprendeu-se com a Mariana que as Marias-Rapaz deste mundo podem gostar de "coisas de menina". E que a plasticidade e volatilidade de uma Princesa de 7 anos tem tanto de belo, como, admitamos, de assustador, exigindo muito dos progenitores. Mais ainda. Venha esse desafio.

* Há uns tempos, a Princesa disse ao seu progenitor "Já tenho sete anos, papá. A partir de agora vou chamar-te só pai". Tem cumprido. (Porra.)

sábado, 18 de novembro de 2017

Lugares esquecidos: Hospital de Angra do Heroísmo

A memória em ruína num hospital abandonado (há tempo demais) em plena cidade Património.

Uma ferida na cidade mais bonita dos Açores, infectada sem antibiótico à vista.

Um abandono que dói a todos aqueles cujas memórias também passam por ali.




O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXVI

Que a sua avó materna tem, mesmo, sempre razão.

Que quando Filipe era petiz e ouvia "quando chegares cá, e fores pai, vais ver" a avó da Mariana tinha toda a razão.

Que quando Filipe não conseguia entender a estranheza com que os pais lidavam com os jogos de computador, consolas e afins, isso só era uma expressão da sua imaturidade. Ainda que o seu pai fosse um craque num jogo chamado Duck Hunt... E, diga-se, o avô da Mariana não se safava mal no Tetris.

Que há saltos que se dão sempre, quando alguém cresce. Que há saltos que quem já cresceu muito, não consegue acompanhar. Por muito que queiram.

A princesa descobriu o Youtube. Aos sete anos o esforço dos pais é uma formiga ao pé de dezenas de pares da princesa na escola e ATL.

A princesa, para desgosto do seu pai descobriu os youtubers. Para desgosto ainda maior, descobriu só os brasileiros. Sem desprimor para os nativos do país de terras de Vera Cruz, são ainda mais chatos.

Filipe não consegue entender aquilo. Filipe não consegue lidar com a sua princesa a falar em brasileiro, numa cadência compassada, aos soluções, entre uma overdose de onomatopeias ao mínimo movimento de uma personagem do Minecraft ou do Roblox. Filipe tenta imitar. A princesa diz que não é parecido. E não é.

A princesa teve um novo gato, a Alice. Pequenina, mexida, curiosa e perspicaz. Como a princesa.

Antes de o receber, Filipe pergunta cheio de medo da resposta, naquela estupidez típica dos pais, se a Princesa prefere brincar com um gatinho novo cá em casa ou ver vídeos de youtubers. Princesa responde que prefere o gatinho. Filipe respira. Acrescenta que prefere as duas coisas. Filipe inspira e inicia a marcha para a hiperventilação. Mas que o gatinho era bem melhor e que os vídeos são menos importantes. Filipe respira, outra vez. Faz-se silêncio a seguir. Filipe tranquiliza-se.

Até à próxima vez em que tem que dar razão à senhora sua mãe. Quando estamos do lado de lá, há coisas que são difíceis de entender.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana - LXXV

Que há coisas que, de tão simples, não são detectadas pelo olhar chato de um adulto.

Que há um radar impressivo e preciso no olhar de uma princesa de sete anos.

Que o simples distrito de nascimento de uma pessoa, pode ser o tesouro de outra.

Que a princesa, no fundo, é uma grande apoiante da Autonomia dos Açores. Mesmo que não saiba.


A princesa, apesar de crescer no meio do Atlântico, foi nascer à mais bela cidade do mundo, numa decisão tomada pelos seus pais. Só podia.

Na habitual, e saborosa, conversa de final de dia, faz-se o balanço do dia-a-dia, em que os pais, por muito que se inove, repetem a mesma questão.

Pai de Mariana - Como foi o dia hoje, na escola?

Mariana - Bom. *

Pai de Mariana - E aconteceu alguma coisa nova? Houve alguma coisa boa no teu dia?

Mariana (com um sorriso vitorioso) - Sou a única que tem distrito da turma! Sou de Sé Nova, distrito de Coimbra! Mais ninguém tem distrito na turma só eu.**

Resultado de imagem para distrito coimbra

* Resposta habitual da princesa. "Mais ou menos" ou "como é habitual" ficariam no pódio, para sadio desespero dos seus pais.

** Nota de rodapé dedicada aos continentais: nos Açores e Madeira, desde 1975, deixaram de existir distritos, aquando dos primórdios do modelo autonómico insular.

sábado, 3 de setembro de 2016

sábado, 27 de agosto de 2016

Sai (mais) uma medalha de lata para Portugal nos Jogos Olímpicos!

Ouro, prata e bronze. Metais preciosos que premeiam aqueles que ocupam os três primeiros lugares do pódio nas Olímpiadas, de quatro em quatro anos. O bulicio competitivo, a exigência técnica crescente, a gestão emocional da maior das competições tornam, a cada quatro anos, imprevisível a atribuição das três medalhas nas diferentes competições. O que, no fundo, torna (ainda) mais atractivos os Jogos onde o espírito olímpico se exponencia e ganha significado. Já a medalha de lata é tão previsível como a vitória de Usain Bolt, numa corrida do hectómetro, contra qualquer um que leia estas linhas ou que as tenha escrito.
A medalha de lata é para nós, enquanto povo que acompanha (?) os Jogos Olímpicos. Para nós, enquanto povo que, tal como um interruptor, activa a sua suposta cultura desportiva de quatro em quatro anos, não conseguindo disfarçar a ausência da mesma e de deixar de assumir uma ignorância atrevida que se traduz numa exigência cega e num gatilho fácil para opiniões e para teclados hiperactivos.
Mais alto, mais longe, mais forte. É o lema. Devíamos acrescentar “mais justos, mais humildes”, no nosso caso. Mais alto, mais longe, mais forte, mais justos, mais humildes. A ausência de medalhas não traduz a qualidade dos atletas, de forma pura e simples. Traduz a ausência de uma cultura e de uma política desportiva coerente, perene no tempo e que resista a ciclos políticos e devaneios passageiros. E que requer, diga-se, investimento financeiro e, acima de tudo, pensamento estratégico.
Pensemos. A relação com o fenómeno desportivo, nas suas diversas dimensões, que existe no nosso país prima por demasiadas lacunas. A Educação Física (que continua a ser tratada por muitos, de forma redutora, por “aulas de ginástica”…) é vista, normalmente, como um peso no currículo dos alunos, um mal necessário. O Desporto Escolar, a minha escola do desporto, é uma aposta adiada, ainda que me pareça que, na Região, marcamos pontos neste domínio.
Há, em muitos e muitas, uma sobranceria incompreensível em relação ao desporto, como se constituísse uma expressão de segunda categoria face a outras. Sim, muitos destes permitem-se descer do patamar do preconceito e da arrogância para ver os Jogos, fazer partilhas nas redes sociais sobre os desportos tidos como válidos ou socialmente mais valorizados e tornarem-se pseudo-especialistas em desporto. Para, após essa extraordinária metamorfose, e a partir do último instante da cerimónia de encerramento, iniciar uma hibernação e reactivar o arsenal de comentários depreciativos em relação a tudo o que se relacionar com o desporto, nos quatro anos seguintes. Claro. Excepção feita a quando se ganha. Ou o clube de futebol ou a selecção, que só se acompanham quando as vitórias são iminentes.
Confundimos, demasiadas vezes o desporto, enquanto escola de valores e ideais, com o reducionismo do futebol. Mesmo no futebol a relação é, fundamentalmente, com o clube, não com o desporto. Aliás, num país que gira em torno de três eucaliptos, o fenómeno desportivo é, tantas vezes, prostituído pela ânsia de ganhar, de substituir as agruras do quotidiano pela fugaz alegria da vitória. Estádios minimamente cheios quando há vitórias, vazios quando não as há. Estádios, quase sempre, vazios nos clubes mais pequenos, mesmo aqueles dos clubes locais. Cá na terra, por exemplo, quantas pessoas que marcaram presença no Angrense-FC Porto, para a Taça de Portugal, compareceram no jogo seguinte, no Municipal de Angra? Eu, que lá fui, confirmo que poucas. Muito poucas.
Não percebemos os valores inerentes ao desporto, nem a forma como o desporto de alta competição funciona. Tendemos a achar, com a nossa medalha de lata bem lustrosa ao peito, que as medalhas que ganhamos traduzem o desporto nacional. Errado. Dependemos de foras-de-série que, num país diferente, atingiriam um patamar estratosférico ou que, em muitos casos, treinam ou já treinaram em paises estrangeiros (João Sousa, em Barcelona, ou Patrícia Mamona, nos Estados Unidos, por exemplo). Não percebemos que o desporto é uma escola de valores, onde se exponenciam o trabalho, a dedicação, a perseverança, a aprendizagem da frustração, da sã competição, do respeito pelo outro ou da coragem (e não são estes muitos dos valores que queremos educar aos nossos filhos e filhas?...). Não levamos os miúdos a competições desportivas e, muitos, não os acompanhamos nos treinos, nem comparecemos nos momentos competitivos.
Não percebemos, ou nem sequer sabemos ou queremos saber, o que implica o desporto de alta competição, nos dias de hoje. Não sabemos o investimento que existe no fenómeno desportivo nos outros países, achando que devemos ter o mesmo número de medalhas que países de igual ou menor dimensão. Não percebemos que, nos Jogos Olímpicos não se comparam, unicamente, resultados mas, fundamentalmente, processos.
Portugal investirá, no ciclo 2013-2017, um total de 17,7 milhões de euros para todas modalidades e 4,55 milhões de euros para o ano de 2016. Repito para todas as modalidades e para todos os atletas, aqueles que se qualificam e aqueles que não logram a qualificação. A Irlanda, país mais pequeno que nós, investe perto de 40 milhões em quatro anos. Planeou investir 10 milhões de euros por medalha olímpica. Uma ninharia se pensarmos que, por medalha olímpica, a China investe 40 milhões de euros e que, no Reino Unido, um ciclo olímpico implica um investimento de mais de 400 milhões de euros. Resumindo, o investimento numa única modalidade, em muitos países, supera o nosso investimento global. O desporto olímpico é feito de ciclos de quatros anos; já a evolução dos atletas decorre durante décadas, numa maratona de sucessos, obstáculos e pormenores, não numa corrida de 100 metros de duas semanas.
Criticamos os atletas pelo facto de não nos colocarem no topo do medalheiro ou por se “queixarem” das condições que não têm, na sua preparação olímpica. Fazemo-lo, contudo, quando, por vezes, só trabalhamos nas condições ideais ou recusamos desafios pessoais e profissionais, não sabendo lidar com o risco que as mesmas implicam. Criticamos. Exigimos. Lustramos a nossa medalha de lata.
Quantos frequentaram uma competição desportiva, sem ser um jogo de futebol, nos últimos quatro anos? Quantos procuraram um atestado para dispensar os filhos da Educação Física, quando, lá bem no fundo, não há uma razão válida para isso? Quantos acompanharam os clubes locais, seja em que modalidade for? Quantos, sequer, conhecem os jogadores de futebol dos seus clubes ou viram um jogo completo nos últimos quatro anos? Quantos conhecem um herói, sem medalhas ao peito, chamado João Rodrigues, o nosso recordista de Olímpiadas?
Revi-me nos diplomas olímpicos (sim, nos Jogos Olímpicos distribuem-se medalhas de ouro, prata e bronze, ganham-se medalhas de lata e asseguram-se diplomas olímpicos) conquistados, vibrei com a medalha de Telma Monteiro (umas das foras de série que, atrás, referi), acompanhei o esforço dos maratonistas na cauda do pelotão e daqueles que participaram com as nossas cores ao peito. Não ganhar medalhas não é motivo para não lhes agradecer.
Agradeço a todos, à falta de razão concreta para não o fazer. Agradeço por fazerem parte dos melhores do mundo naquilo que fazem, honraria que nunca na minha vida terei nas coisas que, profissionalmente, faço. Agradeço por representarem o meu país, mesmo quando partem para a competição sabendo que o fazem de um ponto de partida mais distante que a grande maioria dos restantes competidores.
Sonho, um dia, em que participamos em quase todas as modalidades, conquistando uma ou outra medalha e dezenas de diplomas olímpicos. Preferia isso, traduziria isso um crescimento na cultura desportiva do país, do que a existência de meia dúzia de foras de série que garantissem medalhas. Essas viriam por acréscimo, no futuro. Essa entidade longínqua pela qual, em tudo e também no desporto, nos recusamos a saber esperar.
Daqui a quatro anos, estaremos em Tóquio. Espero que sem a medalha de lata que, hoje, nos pesa no peito.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Lugares esquecidos: Farol da Ponta dos Rosais, Ilha de São Jorge

O Farol da Ponta dos Rosais, localizado na Ilha de São Jorge, foi inaugurado no primeiro dia de Maio de 1958, sendo na altura considerado como o melhor e tecnologicamente mais avançado estrutura faroleira nacional, aspecto que me já me tinha sido confidenciado pela M.J., simpática colega que, em tempos, já residiu. O projecto inicial foi da autoria de João Lobo Fialho.

Este farol distinguia-se, igualmente, pela sua auto-suficiência de energia e água, dada a distância da povoação mais próxima (Rosais)

Em 1964 foi temporariamente abandonado pelos seus habitantes aquando da crise sísmica dos Rosais e da erupção submarina que então ocorreu nas suas proximidades. Passada a crise, permaneceu habitado até 1 de Janeiro de 1980, sendo então definitivamente evacuado na sequência dos desabamentos de falésias provocados pelo terramoto de 1980 que, igualmente, fustigou a Terceira (provocando danos irreparáveis no Farol da Serreta). Passou a funcionar automaticamente após aquela data, deixando de emitir os seus relâmpagos por intervenção directa do homem em 5 de Julho de 1982. Em substituição do possante farol, no cimo da torre foi instalado um pequeno farolim alimentado a energia solar.

Na primeira foto é possível ver o Farol, e instalações de apoio, em altura de funcionamento pleno. Nas restantes o estado actual que, no fundo, traduz o abandono a que foi votado, apesar de ser um Sítio de Interesse Comunitário, atestado em Directiva Europeia. E de, no fundo, encerrar em si uma parte importante do espólio faroleiro português e açoriano. 












Vista do caminho que conduz ao Farol dos Rosais.

 

Um farol abandonado devia ser algo proibido. O simbolismo especial e bonito do Farol não se compadece com o abandono, ainda que se compadeça com o rigor frio das folhas de excel, com o insensível teclar da calculadora ou com o arrastar das esferas do ábaco. Um farol é, sem dúvida, uma das construções mais bonitas, simbolicamente ricas que existem. A luz, a orientação que fornece, o feixe de vida que abre na escuridão colorido de esperança. Ainda assim, mesmo abandonado, um farol é sempre bonito. A esperança nunca poderá estar em ruínas. 

Fontes: 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Farol_da_Ponta_dos_Rosais; 
http://www.amn.pt/DF/Paginas/FaroldosRosais.aspx; 
http://atlanticofarois.blogspot.pt/2012/09/construcao-do-farol-dos-rosais.html; 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXIV

Que há semi-verdades, que não são totalmente mentiras, que podemos usar sem problema de consciência.

Que há oportunidades que têm que ser aproveitadas, tal como o Éder fez hoje.

Que educar bem uma criança para o caminho certo, quando a nossa Causa desceu de divisão, é muito difícil.

Mariana (ao telefone porque está nas primeiras férias com os avós) - Parabéns, papá. Portugal ganhou o jogo! Eu estive a ver!

Pai de Mariana (que possui um conflito de interesses com o Éder desde que este saíu da Académica* e, no momento da frase seguinte, corou interiormente de vergonha) - Sabias que o senhor que marcou o golo aprendeu a marcar golos na Académica?

Mariana - A sério, papá?!

Pai de Mariana - Sim! O golo foi aprendido na Académica.

Mariana - Boa, papá!

* Que está descrito para a posteridade neste blogue.

sábado, 7 de maio de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXIII

Diz a A., irmã do coração que é só um jogo de onze homens de cada lado atrás de uma bola.

Tento eu, e o F., explicar-lhe, atabalhoadamente, que não. Falhamos a explicar aquilo que não se explica.

A Académica é uma das filosofias cá de casa. Hoje, com a sua descida de divisão, catorze anos depois, foi um dia triste.

Hoje aprendeu-se que, com um dia triste, se pode perceber que a incondicionalidade desta e de outras coisas vai sendo aprendida. E isso é bom. Muito bom.

Pai de Mariana (com um buraco negro no coração): Mariana, hoje aconteceu uma coisa muito má à Académica?

Mariana: O que foi?

Pai de Mariana: A Académica desceu de divisão...

Mariana: O que é isso?

Pai de Mariana: Vão deixar de jogar com os melhores... terão que ganhar muitas vezes para voltar a jogar na Primeira Divisão.

Mariana: Não foram bons.

Pai de Mariana: Sim.

Mariana: Ok.

Pai de Mariana: Mas somos da Académica na mesma, certo?... (medo na resposta)

Mariana: Sim, claro que sim.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXII

Que as mensagens passam.

Que vale a pena travar um trabalho constante contra a insegurança e contra a estúpida tendência do ser humano para o sofrimento.

Que, ainda assim, há uma ténue fronteira entre a segurança pessoal e o reflexo do Narciso e que há que ter cuidado com ela...

Mariana (durante uma viagem de carro em que já tinha questionado os pais sobre o sentido da vida) - É bom ter uma filha, não é?

Pais de Mariana - Sim.

Mariana - Mas ter-me a mim é melhor ainda, não é?

Pai de Mariana (em pensamento) - Mai'nada!

domingo, 13 de março de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXI

Serão caseiro, com a televisão sintonizada na RTP Açores, aquando da transmissão do noticiário (sim... cá em casa vê-se, religiosamente, as notícias açorianas. Sim... este que vos escreve é o único que professa, voluntariamente, tal religião). Passa uma peça sobre a Feira da Mulher, realizada em Angra.

Mariana - Também há a feira do homem?

Pais de Mariana - Não.

Mariana - Então se existe a feira da mulher, também devia existir a feira do homem.

Pais de Mariana - E o que é que tu achas disso?

Mariana - Se só há a feira da mulher é uma coisa totó.

Hoje aprendeu-se que a Mariana está a desenvolver o conceito de igualdade.

quinta-feira, 10 de março de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXX

Que a Princesa continua a crescer bem.

Que a sua relação com os livros e com as histórias continua a mudar.

Que há dinâmicas que se estão a inverter.

Que a autonomia se vai construíndo...

Mariana (com um livro na mão, após a hora de jantar): Papá, queres que te leia um livro?




terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXIX

Que o relógio está a contar.

Que em casa de ferreiro...

Que a Princesa cresce mais rápido do que a capacidade de adaptação do senhor seu pai.

Mariana e pai, em pleno momento Domingo de manhã, estavam na sala. Cada um tinha o seu "momento zen". Ela via bonecos, ele lia o jornal. A mãe dormia. O Domingo de manhã ninguém lhe tira.

Mariana (após ver uma cena dos desenhos animados) - Papá, viste? Bateu-lhe no pipi!

Pai de Mariana (numa habitual exercício de negação do crescimento da pequena) - Então, Mariana?!

Mariana - Tens razão. Bateu na pénis dele!

Pai de Mariana (repetindo o exercício de negação) - Mariana, não digas isso.

Mariana - Porquê? É o nome certo. Bateu-lhe na pénis. Tu também tens uma pénis. E eu tenho uma "vegine".

Pai de Mariana (em pensamento) - Está bonito, está...


Quando levar a mal, no Carnaval, devia ser obrigatório...

Mais uma vez, na época carnavalesca, deambulando pelos canais televisivos, foi impossível não nos depararmos com as reportagens, por vezes inenarráveis, sobre os Carnavais espalhados pelo país. Por esses dias, dou sempre por mim a lembrar um pequeno "E" que encontrava colocado nos calendários no quadradinho reservado ao dia de Carnaval, que me intrigava quando andava na escola, em petiz. Se é dia de Carnaval, porque raio aparece um "E" e não um "C", pensava.

Este ano dei por mim, novamente, a pensar no Entrudo ou, dito de maneira diferente, a rejeitar, ainda mais, o entendimento bafiento e abrasileirado que se tornou regra em Portugal quando se aproxima esta altura do ano. Não deixa de ser irónico que o povo que se está a abrasileirar no Carnaval, tenha sido o povo que levou as práticas do Entrudo para o Brasil... Sim, as voltas da história são retorcidas. No fim de contas, o que muitos fizeram, ao longo dos tempos, foi trocar a tradição portuguesa de festejo do Entrudo pela versão brasileira carnavalesca do mesmo que, insidiosamente, foi sendo recambiada para o nosso cantinho.

E o Entrudo, entendido como uma súmula das verdadeiras tradições nacionais, foi sendo esquecido em nome da sua subversão na forma de ritmos e práticas culturalmente e meteorologicamente desfasadas, de senhoras desengonçadas cuja quantidade de tecido no corpo é indirectamente proporcional ao volume do mesmo, pela parolada do endeusamento dos actores de telenovela e por uma imitação de outros carnavais contextualmente e culturalmente localizados. O que é uma pena. Ao contrário do que se possa pensar, e do que é habitualmente salientado nesta altura, o Entrudo é rico em tradições, hábitos e movimentos culturais que, não havendo uma inflexão carnavalesca, se irão perder e tornar uma simples excentricidade. A tradição terceirense de festejo do Carnaval é um feliz exemplo da perenidade da tradição carnavalesca popular, que, sadiamente, não acusa a erosão do tempo ou o ostracismo de tantos que não o querem, ou não o sabem, valorizar.

Na Terceira, e noutras paragens do país, resistem hábitos culturalmente e contextualmente enraizados que deviam, e facilmente podiam, ser enfatizados, permitindo ganhar terreno à más imitações acríticas daquilo que se faz noutros locais do mundo. E se é certo, ou pelo menos dado como certo, que no Carnaval ninguém leva a mal, também é certo que rrita que poucas pessoas não levem a mal que lhes sejam insidiosamente subtraídas coisas que são suas. Levar a mal o ostracismo mediático, na comunicação social nacional, deveria ser obrigatório no Carnaval. Levar a mal a disparidade mediática entre esta singularidade da Terceira e outras que a caracterizam deveria, igualmente, acontecer. Pelo menos na opinião deste terceirense adoptivo que, quer-me parece, não está sozinho na opinião…

Este ano, a Terceira voltou a protagonizar aquele que é um espectáculo de arte popular singular, enorme, significativo e, que continua a ser, desconhecido para tantos e tantas fora da Ilha. Um Carnaval de luxo cuja importância e significado não encontra eco na forma como é tido em conta, noutras paragens. Um tesouro que continua a ser ignorado, fora destas nove ilhas, sem merecer uma reportagem digna nos órgãos de comunicação social nacionais. Abaixo os sambistas de ocasião! Vivam os caretos, os gigantones e, acima de tudo, todas as danças. comédias e bailinhos do Carnaval da Terceira e todas as pessoas que participam, nas mais variadas formas, neste fenómeno único.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXVIII

Que, quando as sinapses se vão formando a bom ritmo, a linguagem começa a ganhar novos significados.

Que o sarcasmo, ainda que os petizes não o saibam definir a contento, se aprende bem cedo.

Que as definições dos conceitos de uma pequena de seis anos é muito mais interessante do que aquelas que os adultos encontram. Mesmo.

Que, como noutras alturas, a Princesa está a crescer bem.

Cá em casa, temos um cão. Gostamos tanto dele, como ele gosta de fazer covas no jardim. E, no episódio da história de hoje, autênticos túneis. Sim. O cão é grande e desaparece nele.

Pai de Mariana (enquanto voltava a tapar o túnel, gesto que o cão aprecia tanto, mas tanto que tende a retomar o seu túnel capaz de propiciar a evasão de um El Chapo qualquer): Tobias, não! Não!

Mariana (enquanto olha para o cão e ajuda no trabalho de Sísifo que o seu pai tende a repetir): Posso agradecer ao Tobias?

Pais de Mariana: O quê?!

Mariana: Agradecer quando uma coisa é má...

Pais de Mariana (renitentes...): Podes...

Mariana: Obrigadinha, Tobias. Quando se agradece em bem, diz-se obrigado. Quando se agradece em mau, é obrigadinha.

Obrigado, Mariana.


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Académica

Na minha profissão, enquanto psicólogo, falo muito de limites, da necessidade de os estabelecer, de os respeitar e da firmeza necessária quando os mesmos são ultrapassados. Da forma como os mesmos, por exemplo nas relações, não devem ser re-traçados de forma recorrente, de uma forma que perturbe uma das partes e que lhe roube a sua identidade, os seus valores, a sua singularidade enquanto pessoa.

Hoje, com este vergonhoso mercado de Inverno, batemos mais uma vez no limite, aquele que retraçamos há anos. Aquele que já estava mais do que ultrapassado, aquando da FInal da Taça de 2012. Foi uma das maiores alegrias da minha vida, mas deu um balão de oxigénio a quem não o merecia. A quem não o aproveitou. Não, poupem as teclas, não estou a dizer que preferia não ter ganho a Taça. Estou a dizer que me revolta onde estamos, só, quatro anos depois. Em tudo, TUDO, estamos pior. Em TUDO continuamos a ultrapassar limites. Dir-me-ão que na formação estamos melhor. Não sei. Tardamos em ter uma política que a enobreça. Temos gente responsável com vínculos mais do que precários ao clube. Temos gente competente nas camadas jovens, seja nos jogadores, seja nos treinadores. Seremos capazes de as agarrar? Temo que não. Temos pessoas, não temos uma política. Aderlan é um dos piores laterais que já passou pela Académica; leio que temos um puto bom nos juniores, que fizeram uma óptima carreira até agora. Joga? Tem uma oportunidade? Não. Não vou na teoria dos amarelanços a mais no jogo com o Sporting. O Aderlan é expulso, e bem expulso. Assim como o Rafael Lopes poderia ter visto uma amarelo alaranjado mais do que justo. Assim como marcamos um golo ridículo de tão ilegal que era. O terceiro golo é responsabilidade do Aderlan que se fez expulsar. A culpa não é dele. É de quem o contratou. A ele, ao Ofori, ao Lucas Mineiro e a dezenas e dezenas de jogadores. Nunca falamos de Luís Agostinho. Será, penso, o director desportivo que, há mais tempo, ocupa um lugar semelhante na Primeira Liga. Dirige desportivamente o quê? Com que critério? Com que salário? Com que produtividade? Presumo que, na Académica, não haja avaliação de desempenho. Na Académica habituámo-nos a não entender as decisões. Já não estranhamos. Discutimos uns com os outros, os progressistas contra os tradicionalistas, os do pontapé na bola contra os do jogador estudante, os coimbrinhas contra os cosmopolitas, os do JES contra os do Anti-JES. Pelo meio, a Académica definha. A energia tem que estar focado na alternativa. Tem que haver alternativa. Ontem já era tarde.

Já agora, há quatro anos ganhávamos ao Atlético de Madrid, orgulhando na carreira na Liga Europa. Onde estamos, hoje, em TUDO? Pois.

Estou-me marimbando para quem me/nos acusa de poesia desmesurada ou de um so called sebastianismo. Até para que me/nos acusa de ser coimbrinha (seja lá isso o que for que, em 34 anos de vida, nunca entendi). Sei que muitos de nós têm uma visão do que pode ser a Académica, na sua singularidade. Com diferenças na diversidade de opiniões, mas, espero, com a certeza do carácter absoluto dos valores que nos distinguem. É ser coimbrinha reconhecer a VERGONHA que, no momento, somos? É ser poeta ter aprendido o que é a Académica e querer que haja uma versão simbiótica que conjugue valores com modernidade, rentabilizando formação, futsal (sim… o ideal do jogador-estudante pode exponenciar-se, também, aqui!) e sucesso desportivo? É saudosista querer uma Académica ligada à Universidade e à cidade? É ser coimbrinha revoltar-me contra o degredo em que estamos? É ser sebastianista desejar alguém, uma equipa, uma visão para a Académica que não nos envergonhe, no lugar de pessoas em que cada vez menos se revêem?

Já agora, há quatro anos metíamos mais de quinze mil pessoas, num dia de semana à noite contra a Oliveirense? E agora, onde estamos? Com duas mil pessoas por jogo, uma claque alienada e um número de sócios a mirrar todos os meses (o que, naturalmente, é altamente conveniente…? Quantas pessoas conhecem, como eu conheço, que deixaram de ser sócias, nos últimos anos? Centenas? Milhares!

Acho, sinceramente, que evitaremos a descida. Acho, com pena, que continuaremos a re-traçar o limite. A fugir dos rótulos, numa espiral conformista. TUDO o que a Académica não devia ser.

Sugiro que, um dia, tal como eu já fiz, vão ver um jogo da SF. A “outra” Académica. Cheira mais a Briosa, do que o OAF. Uma caricatura de si mesma, no momento.

Acabou o tempo desta Direcção que está a matar a Académica e a alienar o seu património histórico. E, pelo que vou lendo, a não fazer grande bem ao património financeiro. Chega. Acabou o tempo de um presidente que nos envergonhou, ainda que tenha tido um papel válido numa altura em que ninguém queria agarrar na Académica. Sim, tem esse mérito. Dou-lhe esse mérito. Chega de um Godinho que ameaça sócios e que, igualmente, se eterniza. Chega de um Agostinho, como atrás referi.

Há menos de quatro anos, sonhámos. Hoje já não estranhamos o pesadelo.

Quero, mesmo, a minha Académica de volta. Estou farto de ver todos os limites ultrapassados. Sei que não estou sozinho.

A-CA-DÉ-MI-CA

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O voto açoriano

Além dos 52% que fizeram de Marcelo o nosso Presidente, há outro número a reter, aqui nos Açores.

Uma Região em que quase 70% dos eleitores escolhem não votar terá que se deitar no divã e pensar sobre si mesma, sarando as suas dores. Que o faça e rápido... Este número é um susto e um perigo, 

Bem sei que uma democracia doente possa ser conveniente para alguns, mas há valores que têm que ser absolutos. O ideal democrático é um deles.

sábado, 23 de janeiro de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXVII

Que a sondagem à boca das urnas/do coração da Mariana, ditou um vencedor (in)esperado.

Que as ideologias da Mariana são, pelos vistos, inabaláveis, eleição após eleição... o Álvaro Cunhal morreria de inveja.

Que as dificuldades de compreender o significado de umas eleições é directamente proporcional às certezas que cria e mantém no seu coração.

Pai de Mariana - Sabias que amanhã é um dia importante, Mariana? Amanhã, eu e a mãe, vamos votar.

Mariana - Votar? Para que é isso?

Pais de Mariana - Para escolhermos pessoas que vão tomar decisões por nós e em quem sentimos que podemos confiar. Decidimos qual será a melhor pessoa e escolhemo-la.

Mariana (com um ar que colocaria qualquer um dos reais candidatos em sentido) - Vão votar na Tia L.*, não é?

Pais de Mariana - Não...

* Uma das tias do coração da Princesa, na Terceira.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Desaparecido da/na Ilha Terceira

Desapareceu, da Ilha Terceira, há várias semanas. 

Tem quatro biliões e meio de anos, ainda que aparente ter menos idade.

Quando desapareceu trajava de amarelo, com tons de dourado, emanando brilho das suas vestes.

Já foi visto, episodicamente, na Terceira, nos últimos tempos, pelo que se acredita que não terá abandonado, de vez, a Ilha. Há, assim, esperança que possa ser encontrado e trazido, de novo, ao convívio daqueles que lhe são queridos.

Aproximadamente cinquenta e cinco mil pessoas aguardam notícias, desejosas do seu aparecimento.

É portador de doença psiquiátrica, padecendo de Perturbação Bipolar, alternando, de forma inexplicável, períodos de brilho intenso com longos períodos de ausência e de evitamento social, desaparecendo do convívio de todas as pessoas, mesmo das mais familiares. 

Quaisquer notícias sobre o seu paradeiro deverão ser comunicadas às autoridades competentes ou a qualquer terceirense interessado.

Chama-se Sol. Responde, igualmente, por solis, para os amantes da cultura latina.

Angra do Heroísmo, 22 de Janeiro de 2016






quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXVI

Que há atenção, muito mais atenção do que pensamos nos olhos de uma pequena de seis anos.

Que a parentalidade é, mesmo, uma soma de pequenas coisas que, dia após dia, ganham dimensão.

Que, numa parentalidade feliz, os olhos de uma pequena de seis anos estão, magneticamente, à procura das pequenas coisas, aquelas que são segurança e que marcam. No bom sentido. No único sentido que deveria existir.

Que somos uns terroristas, quando nos esquecemos de tudo isto.

Que, quando não nos esquecemos, podemos sentir um genuíno orgulho nos pais que conseguimos ser.

Mariana (percebendo que o pai está a usar uma pulseira que ela construiu para ele há uma série de meses, que não terá o ar mais masculino do mundo) - Papá estás a usar a pulseira que eu fiz para ti?

Pai de Mariana - Sim.

Mariana (com um ar pleno de perspicácia) - E usas no trabalho?

Pai de Mariana - Sim.

Mariana (com o mesmo ar) - E as pessoas não dizem nada? Não dizem que andas com uma pulseira de menina?!

Pai de Mariana - Dizem.

Mariana - E tu andas com a pulseira na mesma?!

Pai de Mariana - Sim. Se foste tu fizeste a pulseira para mim, não me interessam o que os outros dizem. Ando com ela porque me faz lembrar de ti.

Mariana (acompanhando a frase de um abraço) - Obrigado, papá.



sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXV

Que a linguagem é plena de subtilezas.

Que a aculturação terceirense da Mariana enriquece o manancial de subtilezas possíveis na língua portuguesa.

Que, aos seis anos, alguém começa a dar nota da sua personalidade.

Que há tempos que estão a terminar.

Pai de Mariana (regressado a casa depois de não ter encontrado um furacão, a seguir ao trabalho) - Estás a comer uma pastilha elástica?

Mariana (a mascar de forma visível) - Não! Isto é uma gama.

Pai de Mariana - E qual é a diferença?

Mariana (com o ar mais seguro do mundo, qual Obama no discurso do Estado da Nação) - Uma gama* não faz balões, a pastilha elástica faz!

Pai de Mariana (em pensamento, a tentar não dar parte de fraco, depois de ficar confundido com a resposta segura da Princesa e a olhar de soslaio para a mãe de Mariana, procurando uma qualquer confirmação e/ou resposta...) - Mas uma gama não é sempre igual a uma pastilha elástica?!

Pai de Mariana - Pronto, pronto... Deita isso fora, rápido.

Pai de Mariana (uns segundos depois, em pensamento, olhando a pequena a mascar a pastilha) - Estúpido.

* Aportuguesamento da palavra inglesa "gum"; um dos muitos aportuguesamentos, da língua inglesa, que existem no linguagar açoriano, em geral, e terceirense, em particular. Desafio aos continentais: o que será uma suera? Ou um bacemento?


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

domingo, 15 de novembro de 2015

A propósito da existência de um terrorista português...

Os portugueses são um povo lixado e que, nalgumas alturas, conseguem baralhar aquilo que parece fácil, aquilo que parecia fazer tanto sentido! Tinha que aparecer um terrorista português para baralhar uma série de teorias subjacentes aos hediondos atentados de ontem. Parecia tudo tão fácil de explicar...

Terroristas para a terra deles, é o que é! Mas um deles era português... Correr com ele para a terra dele! Que é a nossa?!... Porra. Vêem como há portugueses que são mesmo lixados? O que vale é que haverá outros que hão-de desenrascar outra explicação qualquer.

sábado, 14 de novembro de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXIV

Que há mentiras que têm que ser ditas.

Que o facto de termos que mentir demonstra a enormidade das coisas.

Que há valores absolutos. O futuro da Mariana é um deles.

Mariana - Isso que está a dar na televisão, é onde?

Pai de Mariana - Paris.

Mariana - Em França?! E isso é perto de nós?

Pai de Mariana, após um silêncio - Não.  Aquilo que está a acontecer é muito longe de nós.

Pai de Mariana (em pensamento) - Antes fosse.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXIII

Que a Mariana é uma visionária em matéria de política eleitoral.

Que a Princesa está a (re)criar os alicerces da democracia, instituindo os círculos uninomais (do coração).

Que há maiorias absolutas no coração da Princesa que não são contrariadas por qualquer moção de censura. Venham de onde vierem.

Mariana: O que é votar?

Pais de Mariana: É escolher quem é que queremos que nos represente, que tome decisões por nós. Estão nomes escritos numa folha e escolhemos as pessoas que merecem a nossa confiança.

Mariana: Mamã, escolheste a Tia L.*, não escolheste?

* Que, não sendo candidata a nenhum lugar elegível nas Legislativas, é uma das pessoas que têm maioria absoluta no coração da Princesa. Que, não sendo tia de sangue, é uma das boas tias do coração que a Princesa tem, na sua vida.

domingo, 4 de outubro de 2015

"Saúde e democracia"

"Saúde e Democracia". Era assim que, no período pós 25 de Abril, acabavam as cartas de um dos meus avôs, operário fabril, hábil serralheiro na Fábrica da Cerveja. Nestes dias, em que procuro ensinar à Mariana a importância do voto*, não consigo deixar de lembrar nessas palavras manuscritas, encontradas em cartas antigas junto a cartazes, com letras desenhadas a caneta de feltro, que nunca chegaram a agitar os trabalhadores, em tempos em que agitar se tinha tornado possível e, sadiamente, obrigatório.

Nestes dias, lembro-me dos meus outros avós, os da aldeia, aperaltados, como se fosse Domingo de Páscoa, dirigindo-se, em conjunto, à assembleia de voto, num ritual solene, quase religioso. Lembro-me deles. Lembro-me da sua consciência da importância do voto e imagino, sem saber o que seria, o que seria querer e não poder participar, dar a sua opinião e contribuir para a construção democrática do país que é seu.

E sinto-me (ainda mais) obrigado a ensinar à Mariana a importância destes dias, a educá-la para a sociedade democrática para que ela não seja uma das pessoas que não vota. Aquelas a quem o meu avô, do alto do seu fato e gravata e cabelo aprumado, diria das boas, nestes dias. E faria bem. Muito bem.

*Tendo a Mariana questionado se a sua mãe teria votado na sua Tia L. "Votaste na Tia L., não votaste, mamã?"

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXII

Que a a aprendizagem da descodificação das "ilusões" (ou seja, as emoções em Marianês) se vai fazendo.

Que a Princesa não pára, mesmo, de crescer.

Que continua a ultrapassar etapas, mesmo que a insegurança de quem é pai, nem sempre o perceba e processe.

Pai de Mariana (que passou a primeira semana de aulas em stress traumático): Mariana, gostas do teu professor da Escola?

Mariana: Sim.

Pai de Mariana: E ele é simpático? Ri-se muitas vezes?

Mariana: Ele ri-se poucas vezes. Mas não é daquelas pessoas de cara zangada. É simpático, sem se rir muitas vezes...


quinta-feira, 30 de julho de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXI

Que o processo de aculturação é, mesmo, imparável.

Mãe de Mariana (enquanto a Princesa fala com os avós, em alta voz, no telemóvel) - Conta aos avós onde foste ontem! Conta que foste à praia!

Mariana - Não, não fui...

Mãe de Mariana (cujo processo de aculturação teima em ser mais lento do que aquele dos restantes elementos cá de casa) - Não foste? Então não foste aos Biscoitos?

Mariana - Os Biscoitos não são uma praia*!

Pumba.

* Esclarecimento para continentais: na Terceira, e nos Açores em geral, as praias de areia são raras. A grande maioria dos locais de banho são zonas balneares (como os Biscoitos, acima referidos), localizadas nas rochas em zonas vizinhas ao mar. Assim, a expressão tomar banho não se resume ao acto de higiene matinal. Havendo uma cidade chamada Praia da Vitória, ir à praia é mais ir à Praia, do que ir à praia. Encontrar um terceirense que goste de areia é mais difícil do que um adepto da Académica que aprecie o Guimarães.

Até debaixo de água, esta ilha continua a ser...

...fenomenal.








segunda-feira, 27 de julho de 2015

Até debaixo de água, esta ilha é...

...fenomenal.








Fotos captadas nos Biscoitos, Ilha Terceira, com a GoPro dos remediados, uma mítica Denver.