segunda-feira, 4 de maio de 2009

Então, sr. Jerónimo, como correu a semana?...

Caracterizar algo como psicopatológico sem atender às variáveis culturais e contextuais que o definem é um erro de principiante... Efectivamente há contextos e cenários em que os fenómenos psicopatológicos são exacerbados, dado o seu carácter adaptativo. Dois exemplos de contextos em que a ideação paranóide é extraordinariamente importante, e uma condição indispensável para a sobrevivência, são a prisão e o Partido Comunista. Ou seja, muito cuidado em seguimentos psicoterapêuticos com reclusos e militantes do PCP, uma vez que há que perceber se, após o regresso ao meio livre, o seu funcionamento psicológico será o mesmo...

4 comentários:

Guilhim disse...

e agora trocado em miúdos... é que aqui a piquena é básica e só apanhou metade... ou não era para perceber... estou básica hoje!!!

Psilipe disse...

Má explanação minha, que a piquena básica nunca foi... ;) A lógica é simples: há contextos que nos obrigam a ser muito disfuncionais, sem que consigamos dar por isso, pelo que acabamos por nos assemelhar a pessoas com um funcionamento mental perturbado... Na prisão a desconfiança é uma arma de sobrevivência, pelo que quem não for paranóico pode ter sérios problemas. É mais ou menos a mesma coisa no PCP: quem não for paranóico, rígido e mecânico é considerado "renovador" e, consequentemente, proscrito e traidor da ca(u)sa. Se as pessoas, após regressarem à liberdade (num caso e noutro) o funcionamento for o mesmo, a perturbação é clara; se não, era a força do contexto que lhes cerceava a evolução mental... bjs

Guilhim disse...

Perfeito, brilhante! Não digas mais nada está tudo esclarecido!

Psilipe disse...

:)