terça-feira, 21 de julho de 2009

Empatite ou o desejo de aprender a arte da Carpintaria

Funciono mal com períodos consecutivos de trabalho. Preciso de, de quando em vez, recarregar as baterias. Não consigo compreender aquelas pessoas que optam por realizar um período único de férias, no lugar de pequenas paragens terapêuticas ao longo do ano. Há uns tempos a esta parte, comecei a constatar que as minhas baterias, como nos velhos telemóveis, estão, concerteza, viciadas e com uma facilidade de recuperação bem menor... Talvez por isso, ou por outra coisa qualquer, nos últimos tempos, tenho sido acometido por surtos intensos daquilo que designo por "empatite". Ou seja, uma incapacidade marcada de me desligar dos problemas, sofrimento, desconforto, questões e questiúnculas que outras pessoas, sejam lá quem forem, apresentem. Ter empatite, posso-vos garantir, é desconfortável e conduz a uma excessiva sensibilização do paciente empático ao sofrimento e desconforto alheios em prejuízo do seu bem-estar, tranquilidade e paz de espírito... É minha crença que a empatite é mais prevalente em psicólogos que tentam trabalhar seriamente... É minha crença que se, numa súbita inflexão do percurso profissional, o paciente empático trocar a Alquimia Psicológica pela arte da Carpintaria, ou similares, ocorrerá uma regularização dos seus índices empáticos para níveis menos tóxicos... É na Carpintaria Psilipe* que está a cura para a empatite que me afecta...

* Brincadeirinha... eu gosto mesmo muito do que faço. Mesmo que, por vezes, seja muito desgastante, pelo menos tentar, fazê-lo bem.

** Já não bastava a Ronaldite... Gaita.

Sem comentários: