quinta-feira, 10 de março de 2011

Horizontes da memória...

Não, de forma alguma discorrerei sobre o programa do José Hermano Saraiva*, até porque abomino a personagem em questão, mas sim sobre um possível significado da expressão... Sempre me chateou, magoou mesmo, a forma como o típico português é desprovido de memória, entendendo aqui memória como a capacidade de preservar aquilo que já passou, como a capacidade de, tal como Jano, olhar o futuro, sem esquecer o passado, de salvaguardar aquilo que já não sendo útil conta a história de alguém, de alguma coisa.

Sempre tive um estranho chamamento por ruínas, locais abandonados, fábricas desactivadas, uma vez que sempre me intrigou(aram) a(s) vida(s) que teria(m) passado por ali, as histórias que poderiam ser contadas, num quasi-exercício de animismo...

Os últimos dias foram combustível para essa (estranha?) tendência... Primeiro, numa visita à Estalagem da Serreta**, na Terceira, edifício emblemático, histórica e arquitectonicamente relevante que se encontra há muito ao abandono, apesar de ser considerado Edifício de Interesse Público. Como diria o Sérgio Godinho, "só neste país". Aquilo que li sobre o edifício, acicatou ainda mais a minha curiosidade e, porque não dizê-lo, a minha irritação.

Hoje sou confrontado, no Compêndio das Fuças, com uma partilha do meu amigo de infância L. P., sobre a antiga Fábrica de Cerveja de Coimbra, unidade industrial marcante da minha infância, responsável por litros e litros de Joi de laranja e de Green Sands (uma imitação de cerveja para garotos) bebidos por este escriba.



Triste, paradigmática, mas muito bem conseguida a reportagem sobre (mais) uma Fábrica Fantasma***...

Por fim, dou com um fantástico fórum sobre locais esquecidos, onde constatei que esta "pancada" não é exclusiva da minha pessoa... Bestial fórum onde é possível visitar alguns locais abandonados pela memória da maioria e, mais importante ainda, perceber a sua história e, no fundo, ampliar os horizontes da memória.

Voltarei a esta ideia, um dia destes...


* Que, já agora, pelo que percebi ao visionar a promoção do seu mais recente programa, não terá recebido a comunicação a atestar o seu falecimento. Só pode.
** Aproveito para pedir perdão ao casal cuja efectivação do amor interrompemos.
*** Onde o meu avô paterno trabalhou, como serralheiro, toda uma vida.

2 comentários:

Guilhim disse...

Então dá uma espreitadela a este vídeo - http://vimeo.com/12974171 - e vê se reconheces alguma coisa!

Terias dado um bom antropólogo!!

psilipe disse...

Sim senhor!

Achas que me $afo melhor como antropólogo? :)