segunda-feira, 25 de abril de 2011

Caro Deputado José Lello...

Aqui fica uma mensagem enviada ao Deputado José Lello, na sequência das suas declarações em que apelidou de foleiro o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Caro Deputado José Lello,

antes de mais, manifesto a minha vontade que leia estas simples linhas e que esta página não seja, simplesmente, uma falsa forma de contacto com os eleitores, gerida por um qualquer funcionário partidário ou da AR... Temo que assim seja e que, porventura, parte da sua gestão seja paga por mim.

Li, há pouco, a sua publicação no Facebook em que adjectiva com palavras pouco comuns na vida democrática o facto de o PR não ter procedido a um convite formal aos deputados portugueses para a cerimónia de comemoração do 25 de Abril.

Em jeito de manifestação de interesses, clarifico que sou tudo menos um fã do nosso PR pelo que estas linhas não radicam num qualquer enfado político-partidário.
O senhor deputado ostenta, normalmente, um estilo peculiar, não se coibindo de usufruir do estatuto privilegiado que lhe dá o facto de ser um fiel alto quadro do PS e, consequentemente, um crónico representante da Nação. Há quem goste, há quem não goste. No entanto, há coisas que vão além do gosto... Ou, se preferir, que se adequam à ideia que "os gostos não se discutem, lamentam-se!"
A declaração proferida por si, via Facebook, dirigida ao PR é altamente criticável. Denota um ego (inchado) ferido e transmite uma triste impressão ao País das preocupações actuais dos altos representantes neste momento de crise. Passa a mensagem de alguém que está altamente consciente das seus direitos e mordomias, numa fase em que todos os portugueses se habituam à triste fatalidade de terem que perder muitos dos seus direitos e deixar de sonhar com qualquer tipo de mordomias.
Fica claro que, por si, a ideia de uma união em torno de desígnios nacionais é secundária face à vivência obstinada da vida partidária, num prolongamento cego do ego individual... Fica claro que nada tem limites. Fica claro que muitos daqueles que ocupam as elites da Nação não merecem a nossa confiança. O que compromete, de forma irrecuperável, que os ecos de esperança e confiança realizados encontrem eco na vida interior de todos nós.

Dir-me-á o senhor deputado que, mesmo nos tempos em que vivemos, tem que haver espaço para a corajosa expressão de ideias e de opiniões... Que não é a crise que o impede de dizer tudo o que lhe vai na alma! Permita-me que diga que tal não faz sentido e que nem sequer é politicamente inteligente... É o que dá a irracionalidade do ego ferido...

Permita-me que diga que um deputado criticar o PR via Facebook, qual adolescente revoltado, é muito, muito foleiro. Permita-me que lhe diga que é igualmente foleiro secundarizar funções oficiais, privilegiando a campanha partidária. Que acrescente que é, na minha opinião, grave que se justifiquem faltas a obrigações resultantes da função de deputado português com o facto de estarmos "em campanha", como fez V. Ex.ª, reconhecendo, inclusivamente que tal facto implica que se falte à "defesa do interesse nacional" (in Publico Online). Que reforce que é foleiro priorizar as eleições que se aproximam em prejuízo do exercício dsas funções tão amplamente, e publicamente, enaltecidas e defendidas...

Finalizo, deixando votos de melhor gestão do ego e de uma maior clarividência democrática para os tempos que aí vêm. Nós, aqueles que compõem aquela coisa indefinida chamada povo português, agradecemos...

Tenho dito.

Filipe Fernandes, jovem eleitor português, pai de uma filha de dezasseis meses.

8 comentários:

Cristina disse...

Não conseguiria dizer melhor. Muito Bem, parabéns!

Com os melhores cumprimentos,

Ana_desempregada_Engª(IST)_Educadora de Boas maneiras

Rafael Abreu disse...

Gosto.

Infelizmente, para mal dos nossos pecados, vamos continuar a levar com gente desta. É a nossa sina. Não se enxergam.

Sérgio Lira disse...

Foleiro... será verdadeiramente o Sr. Deputado! e malcriado, ainda por cima. Mas isso já todos sabemos: basta ver e ouvir a sua truculenta presença algures num programa televisivo, onde ofende a mais encardida das posses "políticas". Este PS é uma vergonha.

Anónimo disse...

Parabéns! Concordo plenamente...

Guilhim disse...

Tu estás lá!!

(Vou roubar e deixar no meu cantinho!)

psilipe disse...

Cristina: a gerência agradece!

Rafael: a palavra que utiliza, sina, é parte daquilo que me preocupa... Não estamos a ser minimamente protegidos de uma certa leitura fatalista dos próximos tempos. O que pode, e é, perigoso!

Sérgio: a coisa vai além do PS ou PSD... infelizmente, a truculência e umbiguismo não se restringe a um dos partidos, mas a toda a classe política que nem nesta época crítica assume as suas responsabilidades, lidando confortavelmente com o facto de as suas responsabilidades passarem, de forma insidiosa, a ser as nossas!

Caro anónimo: a gerência do pasquim agradece...

Guilhim: podes roubar o que quiseres aqui do pasquim cibernético que o blogger me deixa manter...

Anónimo disse...

Este post é tão foleiro pá, mas tão foleiro, tal como o tipo que escreveu este comentário...

Cordialmente,
ex. fintas e actual líder do movimento SVAPSLL: "Só Voto e Aceito Politicos com o Sobrenome Lello"

psilipe disse...

Caro Fintas, receio que esse movimento seja bem, nem foleiro... ;) Abraços.