segunda-feira, 13 de junho de 2011

Quizz das Geometrias Variáveis...

Convido-vos a ler o seguinte texto e a entrar no seguinte desafio: tentar adivinhar quem o escreveu e em que ano... 

Deixo-vos três hipóteses:

A) António de Oliveira Salazar, em 1930;

ou

B) José Sócrates, em 2010?

ou

c) Aníbal Cavaco Silva, em 2011?


Impotente pelas dificuldades políticas, embaraçado pelas dificuldades financeiras,  o Estado não fomentava, devorava a riqueza da Nação, consumindo ou deixando consumir o capital colectivo que vinha do passado e as somas enormes que sacava do futuro. 

Não teve, não podia ter os cuidados nem os fundos requeridos para se restabelecer e alargar o sistema das comunicações terrestres e marítimas, estimular a expansão da agricultura, da indústria e do comércio, resolver o problema da electricidade e provocar nova actividade, fecunda e bem ordenada, na metrópole e nos domínios coloniais. Que admira serem as taxas de juro, por virtude tais males, de mais de 11 por cento (...)! Que admira ser a produção nacional difícil e cara, batida pela concorrência estranha no mercado interno! Que admira abalançarem-se poucos a empregar dinheiro no alargamento e melhoramento da propriedade urbana e rural!

Era lógico que o custo de vida que se tem tido; era fatal a desconfiança acerca do futuro de Portugal, cá dentro e lá fora, onde o crédito minguava confrangedoramente; era inevitável que maior número de emigrantes abandonasse o país e se deprimisse  o índice da marcha da população. 

Na vertigem das notas, dos preços e dos câmbios o espírito de especulação e de aventura sobrepujou o negócio bem estudado e bem empreendido, a usura desenfreada tomou o lugar da remuneração legítima e comedida do capital, parasitismos numerosos substituíram-se aos lucros lícitos na criação das riquezas. 

(Eis a) Desordem: a desordem económica.

3 comentários:

Manuela Cunha disse...

Terá sido o Olivas um vidente? :)

psilipe disse...

Quem sabe... quem sabe... ;)

psilipe disse...

É bem verdade, amiga Manuela... Este discurso foi feito em 1930, quando o senhor ainda era uma esperança como Ministro das Finanças e se preparava para entrar triunfalmente na Presidência do Conselho. O discurso corresponde à forma como o senhor justificou a necessidade da ditadura militar, instaurada quatro anos antes, no 28 de Maio de 1926... Dá que pensar, certo?