quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Duas grandes malhas dos Morphine


Contando a bonita e redonda idade de trinta anos, assisti ao desaparecimento de uma série de ícones musicais do nosso tempo. Recordo a notícia da morte do Carlos Paião (o senhor estava morto quando foi enterrado, ok?), da Amália, do Freddie Mercury (enquanto ia a pé para a escola), do Kurt Cobain ou, mais recentemente, do Michael Jackson, só para citar alguns.

Mas, a acção da senhora da foice (não, não estou a falar da Odete Santos) que mais me marcou, despertando uma nostalgia enorme em mim foi o desaparecimento do senhor que podem ver no vídeo a tocar um invulgar baixo de duas cordas. Mark Sandman foi a alma criativa dos Morphine, uma das bandas mais originais e indefiníveis que já existiram, na categoria daquelas que são muito boas, e que são claramente subvalorizadas. O som é genial e só é pena que a obra tenha ficado por completar... 

Convosco, Morphine (Mark Sandman, Billy Conway, Dana Colley).

4 comentários:

Cátia Oliveira disse...

Uma grande banda e um dos concertos da minha vida...quando ainda contava com 19 aninhos...;)

Francisco Simões disse...

Sem dúvida. Já tinha saudades deste som.

Helford disse...

Este género de música, letras e também apresentação, concentram em si visíveis influências de uma série de muitos (bons e originais) artistas e que são referênciais para qualquer ouvinte que não se contente meramente com o que o "mainstream" (a "onda" dominante) oferece (canções "orelhudas" que logo todos começam a cantar e a aderir "à la Morangos", artistas e grupos demasiado "consensuais" para toda a família, top charts, hit parades, etc.)!!!

Entre estes nomes anti-"mainstream" surgem os Velvet Underground, onde ponteavam Lou Reed e John Cale; Nick Cave com ou sem os Bad Seeds; Jesus And Mary Chain; Sonic Youth; Nirvana; Iggy Pop com ou sem os históricos Stooges; Green Day; R.E.M.; The Stranglers quando liderados pelo fundador Hugh Cornwell; Jim Morrison e os Doors; e, claro está, os Joy Division liderados pelo mítico Ian Curtis.

psilipe disse...

Cátia: penso que estás a falar do concerto na Latada, em Coimbra... Excelente e um dos concertos da minha vida.

Francisco: isto é do melhor...

Helford: realmente os Morphine, em várias das suas facetas, são uma fuga ao mainstream musical em que tudo facilmente se confunde e em que os hits "orelhudos", e a procura dos mesmos, corrompe a originalidade e musicalidade plena. Os Morphine foram um fenómeno interessante em Portugal, uma vez que era um dos países em que tinham uma legião de fãs mais fiel. Estranho, mas verdade. Após o desaparecimento de Mark Sandman, os restantes elementos constituiram a Orchestra Morphine, procurando perpetuar a obra de Sandman e dar corpo a temas que ficaram por editar. Sem o carisma de Sandman, e sem o seu baixo de duas cordas, o sucesso não foi o esperado. Uma das minhas mágoas de vida é não ter aproveitado, por pura tolice, a hipótese de ver o último concerto em Portugal, em Lisboa, que, penso eu, foi o último antes da morte, em Itália, de Sandman.