sábado, 17 de setembro de 2011

Madeira ou o cortejo triunfal da negação...

A negação pode ser definida, de uma forma simples, como a forma como evitamos pensamentos, sentimentos, situações que, no fundo, sabemos que existem no nosso mundo interior. Recordações, projecções ou idealizações que evitamos, que fingimos que não existem para preservar o nosso mundo interior, a nossa integridade enquanto seres e que usamos, normalmente como forma de protecção, para salvaguardarmos o nosso Eu e para o protegermos daquilo que o pode ameaçar. No fundo, um mecanismo de defesa que pode ser fundamental para a preservação da nossa saúde mental.

Na Madeira, aparentemente, a negação funciona, prova que pode ser ilimitada e que, efectivamente, tem um poder que não deve ser subestimado... Fica provado, igualmente, que a negação pode ser, não só um mecanismos de defesa individual, mas um mecanismo de atraso civilizacional, utilizado por uma larga maioria de pessoas que conseguem fazer da total relativização de evidências um desporto regional... Que, concerteza, não se torna desporto olímpico por culpa dos bastardos do Continente e dos Açores.

Realmente, e parafraseando um excelente trecho do filme American Beauty, de Sam Mendes: "never underestimate the power of denial..."


PS: e, como se não bastasse, a enfermidade contagia outras personalidades nacionais...

PS 1: há realmente silêncios que conseguem ser ensurdecedores...

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