quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Deputado do PS cria/queria empréstimos SCUT!

Vice-presidente da bancada do PS disse que Portugal devia “marimbar-se” para os credores - Política - PUBLICO.PT

Penso ser útil fazer quatro comentários...

1 - Claramente, o senhor Pedro Nuno Santos é um seguidor de José Sócrates na área da política económica e da gestão da dívida, o que lhe assegura um cartão-de-visita na política nacional que, penso, não valer a pena descrever;

2 - Pedro Nuno Santos, o ideólogo dos empréstimos SCUT;

3 - Cheira-me que o Cobrador do Fraque anda a investigar a sua morada para futuras prováveis visitas;

4 - Esperemos que o homem esteja preparado para o aumento do spread que o empréstimo da sua casa vai sofrer, depois de alguém do seu banco ler esta peça.

4 comentários:

O Raio disse...

My God! Tanto disparate!

O Vice-presidente da bancada não disse que não se devia pagar a dívida, tal como o Sócrates também não o disse.

O que os dois disseram foi que a dívida tinha de ser gerida.

E o Vice-Presidente da bancada disse que o argumento de "não pagamos" pode e deve ser utilizado.

É incrível que se critique isto, em nenhum lado o credor tem poder absoluto sobre o devedor como algumas luminárias pretendem.

O credor pode reduzir o devedor à escravatura? Claro que não.

Dentro dos países, os ordenamentos jurídicos têm salvaguardas, pedir-se protecção contra os credores, declarar-se falência, etc.

Em direito internacional estas salvaguardas não existem. É a Lei da Selva e o único argumento que resta ao devedor é o de dizer "calminha, não exageres nas tuas exigências senão eu não pago".

"Pedro Nuno Santos, o ideólogo dos empréstimos SCUT"

Que eu saiba o ideólogo das SCUT's é o Professor Cavaco Silva quando lançou a actual A23.

psilipe disse...

Caro O Raio,

antes de mais seja bem vindo à minha sala de estar na Internet.

Não considero que tenho escrito assim tão grande disparate, a não ser que seja O Raio uma daquelas pessoas que desqualifica, de forma instantânea, todos aqueles que pensam de maneira diferente da sua. Ou, porventura, uma daquelas pessoas que reage por condicionamento pavloviano a tudo o que "cheire" a crítica ao partido que defende. Se for por aí, digo-lhe que estou mais habituado a isso de correntes um pouco mais à esquerda, onde proliferam os elogios aos Queridos Líderes...

Quer-me parecer que as duas personagens em questão, Sócrates e a estrela cadente Pedro Nuno Santos, foram particularmente descuidados nas afirmações que proferiram, não tendo em conta, ao centrarem-se unicamente na análise descomplexada da dívida, a responsabilidade no avolumar da catástrofe que nos aflige...

Efectivamente, devo ser dos poucos que se lembram que, por altura da mensagem de Natal do ano passado, o nosso antigo Primeiro Ministro sublinhava "os sinais animadores" do País na ultrapassagem da crise. Mas sou, concerteza, dos muitos que não acham piada que se branqueie cenários que nos fazem sofrer a todos e que, mais do que provocar indignação, provocam a amputação da esperança no futuro desta coisa chamada Portugal.

Quer queira, quer não, há margem para criticar a forma e o conteúdo das afirmações proferidas, que se prestaram ao escárnio e que expuseram os seus autores, e o seu partido, ao "disparate". Concordo consigo que o credor não pode ter poder absoluto sobre o devedor. Não me agrada que o meu banco me escravize pelo simples facto de, numa transacção comercial, ter pedido uma verba emprestada. Mas também me agrada a ideia de ter contraído um empréstimo adequado, que consigo pagar e que faz sentido a luz dos meus rendimentos familiares.

Em Direito Internacional faltam salvaguardas... não falta é quem se ponha a jeito para sofrer com a selva que refere.

Quanto à graça dos empréstimos SCUT, interprete-a como quiser. Limitei-me a clarificar que quem se marimba e ameaça lançar bombas atómicas contra os credores se põe a jeito para que se interprete que é mau pagador... Quanto ao Cavaco Silva, por aqui não se safa, dada a minha antipatia pessoal e ideológica pela personagem, e nem sequer percebo como passou do meu texto para as auto-estradas... Condicionamento pavloviano? Quiçá...

Saudações, caro O Raio.

O Raio disse...

Caro psilipe,

Obrigado pelo acolhimento.

"Não considero que tenho escrito assim tão grande disparate"

Sem ofensa mas eu acho que sim. Pedro Nuno Santos e Sócrates exprimiram ideias diferentes.

Ainda por cima só conhecemos parte das declarações pois, como todas, deveriam ser correctamente enquadras.

Depois acho que isto de se fazer uma fita dos diabos com declarações que não têm nada de especial é também um disparate.

Por fim, é de sublinhar que gravar alguém sem o seu conhecimento é crime. Isto é, as duas declarações que conhecemos foram obtidas por alguém que para as obter cometeu um crime. E não devemos aproveitar de um crime...

"seja O Raio uma daquelas pessoas que desqualifica, de forma instantânea, todos aqueles que pensam de maneira diferente da sua"

Não sou.

"uma daquelas pessoas que reage por condicionamento pavloviano a tudo o que "cheire" a crítica ao partido que defende"

??? Eu de nenhuma forma defendo o PS que considero, a par do PSD (e, já agora do CDS) um partido que nos entregou pés e mãos atados à União Europeia deixando-nos totalmente indefesos como a situação actual o mostra.

"foram particularmente descuidados nas afirmações que proferiram"

Foram proferidas numa reunião privada e não lhes deve ter passado pela cabeça de que estavam a ser gravados.

"não tendo em conta, ao centrarem-se unicamente na análise descomplexada da dívida, a responsabilidade no avolumar da catástrofe que nos aflige..."

Come on... lá vem a lenga-lenga do costume. A crise foi externa a Portugal e avolumada pelo Euro.
Estivesse outro partido no Governo anterior a este e a crise teria sido semelhante.

"Quer queira, quer não, há margem para criticar a forma e o conteúdo das afirmações proferidas"

Há sim senhor. Mas não vale deturpa-las como tem sido feito.

" também me agrada a ideia de ter contraído um empréstimo adequado, que consigo pagar e que faz sentido a luz dos meus rendimentos familiares. "

Claro. Mas Portugal não tinha problemas em pagar. Estes surgiram quando as agências de rating começaram a baixar o rating do país e, por essa razão, a criar problemas ao país para pagar a sua dívida.

Se o meu banco me disser, "olhe, amigo, achamos que o empréstimo que lhe fizemos é arriscado, portanto fixamos-lhe, a partir de agora, um spread de 15%", claro que fico com problemas para lhes pagar a dívida.

"não falta é quem se ponha a jeito para sofrer com a selva que refere."

??? A dívida consolidada portuguesa é de cerca de 31.000 Euros por habitante, sensivelmente igual à americana. A alemã é de uns 50.000 Euros por habitante e a Irlandesa, se a memória não me falha, de 326.000 Euros por habitante.

Quem é que se pôs a jeito?

"dada a minha antipatia pessoal e ideológica pela personagem"

Sim, ainda me lembro dos anos negros do cavaquismo em que grande parte da nossa estrutura produtiva foi destruída.

" e nem sequer percebo como passou do meu texto para as auto-estradas... "

Porque disse que o PNS era o ideólogo dos empréstimos SCUT e, SCUT, cá no burgo são autoestradas.

psilipe disse...

Saudações, caro O Raio...

Antes de mais, clarifico que o facto de não concordarmos, não é ofensivo… Pode achar que o que escrevo é um disparate total, naturalmente. Não consegui perceber, apesar de lhe reconhecer dotes na argumentação, onde é que fica claro a minha tendência para o disparate.

Algumas ideias, retorquindo as suas respostas a citações do que escrevi:

- um jantar de Natal de um partido político e uma palestra numa Universidade não são fóruns privados. Nem esse facto retira significado ao conteúdo do que foi dito e, desajeitadamente, desmentido. Aliás, penso que nessa falta de jeito está um sublinhado a traço grosso da forma como as mesmas estão enquadradas no raciocínio sócio-político das almas em causa…

- diria que criminosa é a forma como se persistiu no pecado da negação da realidade, nos últimos anos, no nosso País. Obviamente, há uma dimensão mundial, especulativa e nojenta que criou e alimentou a crise, que é incontrolável por um pequeno estado periférico. No entanto, não me queira convencer que não houve coisas que foram negadas até à exaustão, pecados que foram repetidos de forma despudorada e cenários consistentes de gestão danosa, politicamente determinadas, que se tornaram corriqueiros;

- também aprecio pouco os partidos do Centrão, nem o apêndice CDS-Paulo Portas. Portanto, concordamos, penso. Esta gente não leu a realidade, não previu puto, encadeados pelos próprios umbigos. E, por isso, indigna-me a desfaçatez das opiniões dos dois arautos socialistas.

- não me diga que fiz uma fita dos diabos… escrevi quatro linhas! :)

- não consigo concordar consigo que a postura dos governos Sócrates é dissociável da dimensão da crise sócio-económica com que nos confrontamos. A crise viria, de forma inapelável, mas, porventura, com menos aspectos negativos… De facto, tivesse Sócrates abdicado do seu narcisismo uns anos antes e as coisas seriam sempre difíceis, mas menos traumáticas. Mas, há que reconhecer, que numa sucessão de governos em que todos acumularam dívida de forma desregrada, ninguém pode sair incólume;

- o que nos leva ao nosso PR… a expressão cara-de-pau penso que se aplica na perfeição, mesmo ofendendo o pequeno Pinóquio. O que refere sobre a estrutura produtiva, merece a minha total concordância;

- quanto às SCUT, mesmo estando nos Açores, sei o seu significado… Daí ter aludido à ideia que para Pedro Nuno Santos, dada a sua deriva incumpridora, os empréstimos não deveriam ter custos para o utilizador. Deveriam ser SCUT… Já o estou a imaginar a dar uns balázios na fachada do FMI, em Washington.