domingo, 29 de janeiro de 2012

Carta Aberta ao Cidadão Éderzito António Macedo Lopes

Caro Senhor Éderzito,

Antes de mais, esclareço que lhe escrevo na condição de adepto e sócio da Académica de Coimbra e que, para mim, mais do que um emblema desportivo, a Académica é uma escola de valores e de ideais, cuja singularidade e valor é, para mim e para todas as pessoas de bem, completamente inquestionável.
Feito este intróito, à laia de declaração prévia de interesses, dirigir-lhe-ei algumas palavras, depois de uns dias, ou melhor dizendo de umas semanas, de uma estranha permanência do senhor na mente dos académicos, face às razões pela qual a mesma aconteceu. Esclareço a utilização do adjectivo estranho, para que se perceba o seu alcance… Sempre nos habituámos a admirar o senhor como um exemplo de querer em campo, de abnegação, de alguma qualidade futebolística e como um exemplo de superação de dificuldades na sua esfera pessoal e desenvolvimental, atendendo ao percurso sobejamente conhecido ao longo da sua vida, em que o curto tempo cronológico foi inversamente proporcional às dificuldades que enfrentou. Nunca nos chocou que utilizasse a braçadeira de capitão de equipa, apesar da sua tenra idade, face a tudo o que referi, aspecto reforçado pelo facto de, na nossa crença de adeptos, confiarmos nas suas declarações de amor à Académica, de acreditarmos no significado da exteriorização dos seus actos e de lhe reconhecermos valor futebolístico mas, fundamentalmente, valor humano.
Muito nos orgulhou, num movimento amplamente elogiado, que tenha homenageado o Dr. José Barros, aquando da marcação de um golo… Foram inúmeros os comentário elogiosos, naquilo que todos entendemos como mais um movimento de quem percebe a realidade onde está inserido, atingindo que a Académica não é só uma mera colectividade desportiva, como diria Manuel Machado.
Eis senão quando, chegados ao tradicionalmente efervescente mercado futebolístico de Janeiro, nos começamos a confrontar com inúmeras notícias, rumores e manchetes sobre o senhor, cuja natureza e expressão, inapelavelmente, envolvem a Académica. Confusões, indefinições, muito dinheiro à mistura (quiçá demais para um jovem de 24 anos?...), encontros e desencontros, fugas de encontros e silêncios incompreensíveis. E em todas as notícias, em todos os jornais, em todas as peças televisivas, sempre o bom nome e emblema da Académica presentes, facto que a todos os académicos de bem custou imenso.
Ninguém critica a sua intenção de melhorar de vida, melhorando salário e perspectivas desportivas. Aliás ninguém criticou o seu colega Sissoko, quando este saiu da Académica há umas semanas atrás. Aliás a forma como saiu, acautelando os interesses do clube que o formou, mereceram elogios de todos os quadrantes. E, penso que falo por outros, quando digo que desejamos todo o sucesso do mundo ao Sissoko na sua vida desportiva e pessoal.
Aquilo que criticamos é o facto de o seu descuido, egocentrismo e, porventura, ganância envolver a Académica, clube que o projectou para o mundo do futebol, depois de uma carreira absolutamente secundária. Aquilo que lhe apontamos  é uma enorme falta de reconhecimento pelo clube e uma gritante ausência de respeito pelo mesmo e pelos seus adeptos e sócios. Aquilo que constatamos é que, pela sua reiterada conduta, o senhor abdicou da possibilidade de ser um exemplo para outros miúdos, nomeadamente para aqueles que, tal como o senhor, têm, tiveram mais desafios ao longo da sua vida e menos oportunidades de desenvolvimento de uma escala de valores positiva. Atenção, senhor Éderzito, falo de valores humanos e não financeiros… não quero que se confunda, mais uma vez.
Por fim, deixo-lhe uma pequena curiosidade. Sempre achei piada ao facto do seu nome próprio ser um diminutivo, divertindo-me a pensar como que alguém com um nome tão “pequeno” poderia vir a ser um ponta de lança atemorizador. Hoje temo vir a constatar, dentro em pouco, que tal pequenez no nome encontra eco na pequenez do seu valor enquanto homem.

Cumprimentos,

Filipe Fernandes
(sócio número 1006 da AAC/OAF)

6 comentários:

FCDomingues disse...

Prezado Sr. Filipe Fernandes:
li e estou globalmente de acordo com o teor da sua "Carta Aberta" supra. Está mesmo num português escorreito, educado, civilizado, mas temo que não consiga "entregar a carta a Garcia". Tenho mesmo a certeza de que o cidadão Ederzito, a quem fundamentalmente se destina a sua missiva, não seja devidamente assimilada por este. Quem desaparece ou abandona uma reunião com a qual tinha concordado, e cujo teor e desenrolar estava já mais do que entendido e previsto por todos os interessados, não tem cultura nem, principalmente, postura para entender aquilo que é a mensagem principal das suas linhas. Mas elogia-se a sua boa intenção. Melhores cumprimentos. FCDomingues

Sócio AAC disse...

Concordo totalmente com o comentário do Sr.Filipe Fernandes.

psilipe disse...

Caros FCDomingues e Sócio AAC, agradecido...

Anónimo disse...

Sr. Filipe se você soubesse da missa a metade não falaria assim. Não sou o Ederzito, mas sou uma pessoa que conhece a VERDADEIRA história e não aquela que o sr Simões quer passar, a imagem de que ele é um santo

psilipe disse...

Caro senhor Anónimo, não lê no texto qualquer referência elogiosa ao "sr Simões", pessoa por quem não nutro nenhuma simpatia particular. Aliás, acrescento, não apoiei a sua recente candidatura à presidência da Académica. Não o acho um santo. A questão não passa por aí. Se há uma verdadeira história, que não envolva desrespeito pelo clube, ingratidão, diminutos valores humanos e, já agora, fugas de hotéis para onde as pessoas se deslocam de livre vontade, que se ouça. Se há reconhecimento pela instituição e adeptos, que se ouça, sem confundir tais duas coisas com o "anjo" JES. Não ouvi, até hoje (dia em que o cidadão se estreou num Mundial), uma palavra sobre os acontecimentos tristes protagonizados pelo cidadão em questão na sua última época na Académica, nem uma palavra de reconhecimento pelo clube, e adeptos, do clube que o fez como jogador. Edérzito é livre de ser um profissional, tais como tantos outros (Ricardo, Sissoko, Flávio Ferreira, Pape Sow,...) jogadores que saíram rumo a clubes superiores ou $uperiore$ (como é o caso). Não podem ser mercenários, sem esperar crítica e censura. A Académica é mais do que um clube, mais do que uma agremiação que "gere activos". Nesta "missa", como refere, haverá vários culpados. Éderzito é, e será sempre, um deles. Mas, em defesa do contraditório, que venha a "missa" por completo. Por enquanto, só ouvi um Pai Nosso apressado em nome de um Salvador do Norte do País.

psilipe disse...

Aqui fica, no local próprio, o meu agradecimento pelo golo de hoje ao cidadão Ederzito. Só por isso.