segunda-feira, 28 de maio de 2012

Euro 2012: mais um exercício de negação colectiva

Honre-se o futebol nacional, e a sua Selecção, como um exemplo atípico de sucesso e de demonstração de qualidade nacional... Exulte-se pela forma como conseguimos, através da bola, alcançar lugares cimeiros em ranking de coisas positivas, que não impliquem o consumo de substâncias psicoactivas. Reconheça-se a forma como, através da Selecção, se projecta a imagem de Portugal e se angaria atenção positiva para o nosso país de uma forma eficaz, que poucas outras actividades conseguem, superando a utilidade prática de muitos milhões de euros gastos em promoção turística (não é, Manuel Pinho?...).

Mas, meus amigos, prosseguir a partir dos pontos de vista que elenquei e cavalgar desajeitadamente nos degraus na longa escadaria do delírio colectivo e da negação das evidências, é outra coisa totalmente diferente... Bem sei que, à auto-estima colectiva do País, é demasiado fácil não aproveitar a possibilidade de se enganar, durante umas semanas, com a doce fantasia de um sucesso futebolístico, que permitiria suplantar várias potências europeias, Angela Merkel. Bem sei que, à boa maneira lusitana, temos um craving genético para estas narrativas de suplantação, em que os Davides em dificuldades constroem sucessos estrondosos, quais underdogs que goleiam os malfadados Golias. Bem sei  tudo isso mas, como alquimista da mente que sou, tenho uma tendência inexorável para confrontar os pensamentos, ideias e expectativas com a realidade.

E, ao fazê-lo, diria que se torna bastante racional apanhar o elevador para o rés-do-chão da humildade e da razoabilidade das ideias. Senão, vejamos... Abaixo coloco um possível onze, produzido a partir dos 23 convocados pelo Paulo Bento. Dirão aqueles que se agarram, com unhas, dentes e pitons de chuteira, ao aparente embalo da negação delirante que este onze é muito diferente daquele que entrará em campo... Respondo que uma Selecção é forte pela média dos seus componentes e não pela existência de meia dúzia de futebolistas de excepção... Por muito que nos custe, os tomahawks do CR7 não chegam para derrotar todos os Adamastores.

Beto
Miguel Lopes, Ricardo Costa, Rolando, Miguel Veloso
Ruben Micael, Custódio, Hugo Viana
Nelson Oliveira, Hugo Almeida, Quaresma

Esperemos que o País não se magoe no brusco retorno à realidade que acontecerá pela Europa de Leste... Mas, atenção, não se entenda que psilipe é um ser cruelmente racional. Não. Apenas tem noção das consequências nefastas para o ego nacional do descontrolo das expectativas e do retorno doloroso à realidade.

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