quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Catarse(s)

A patroa costuma dizer que psilipe tem uma estranha incapacidade em lidar com coisas simples, confundindo-se com aquilo que é linear. Costuma ter uma saudável dificuldade com a forma como psilipe tende a perverter a linearidade da simplicidade... costuma fazer uma extraordinária expressão de incompreensão, acompanhada do seu doce sorrido inquieto, quando psilipe não consegue abrir um saco de plástico no hipermercado, quando psilipe parece confundir a utilização de alguns utensílios domésticos com o cubo de Rubik ou quando a incomensurável tendência de psilipe para o modo multi-tarefa mental o impede de aceitar o mais básico dos conteúdos. E, como quase sempre, está coberta de razão*... 

Felizmente, e sem que psilipe perceba bem porquê**, continua, pr'aí desde os 16 anos, a ser simples na forma como concretiza as suas pequenas catarses. O álbum "Só" do Jorge Palma continua a ter um efeito de catarse quase instantâneo, desde que as músicas sejam entoadas ao mesmo tempo por este vosso criado.

Um pouco à semelhança dos elecrochoques na Psiquiatria, em que ninguém percebia qual era o mecanismo concreto que os tornava úteis, psilipe continua a procurar as suas pequenas catarses neste álbum deste senhor, apesar de hoje a sua admiração musical adolescente estar bem apagada e, felizmente, ter outros horizontes musicais.

Mas que a simplicidade deste álbum continua a ser catártica... isso é, simplesmente, verdade.


* Aliás, reconheça-se, que a sua perspicácia, acuidade nas interpretações e olho clínico, num apuramento constante, já lhe deviam ter valido uma equivalência, pelo menos, ao primeiro ciclo de Bolonha nessa coisa das Ciências Psicológicas.

** O que, como deverão calcular, lhe faz aquilo que se chama "espéce"...

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