quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Um texto psilíptico

Artigo deste vosso criado que será publicado na Revista de Setembro do Sindicato dos Professores da Região Açores...


Perfeccionismo ou como jogar às escondidas sozinho…              

Nesta edição da revista do Sindicato de Professores da Região Açores, o Centro de Intervenção Psicológica e Pedagógica de Angra do Heroísmo procura ajudá-lo a reflectir sobre mais uma temática relacionada com a Psicologia e que em muito se relaciona com o estilo de personalidade de cada um, com a forma como exerce a sua actividade profissional e com a forma como se relaciona com os demais, sejam estes alunos, sejam estes quaisquer outras pessoas. Procuraremos reflectir sobre perfeccionismo… Iniciamos este breve artigo com um pedido de realização de um esforço de imaginação. Imagine um jogo de escondidas, aquele que consta no arsenal de brincadeiras de qualquer petiz digno de ser designado como tal. Imagine, agora, alguém a jogá-lo completamente sozinho, escondendo o olhar enquanto conta até um total imaginário, determinado por si mesmo. Imagine a forma como, após chegar ao número por si idealizado, se esforçaria por encontrar os restantes companheiros de brincadeira nos seus super-esconderijos, porventura imperceptíveis aos olhos mais atentos. Imagine a frustração, a irritação, o sentimento de impotência sentido, enquanto aumentava os seus níveis de esforço na busca dos companheiros de brincadeira, ávido da procura inglória de uma solução para o jogo. Ávido de um epílogo lógico para o seu esforço de conclusão, para a sua necessidade de “fechar o círculo”, de concretizar uma necessária previsibilidade num cenário potencialmente incompleto e caótico que se afigura como cada vez mais provável e ameaçador. Se conseguiu realizar o esforço de imaginação que lhe pedimos, terá pensado em perfeccionismo e na forma como tal estratégia se pode constituir como potencialmente adversa a uma positiva ultrapassagem dos obstáculos como nos confrontamos no quotidiano… Estranho, não? Tal como a criança que procura algo que não está lá, uma vez que não existem companheiros de brincadeira, entrando, sem dar por isso, num jogo condenado à partida, o perfeccionista condena a sua satisfação e realização na perseguição obstinada de um padrão de desempenho que não admite nada menos que a perfeição, nada menos que a ausência de toda e qualquer imperfeição ou aspecto menos positivo, procurando, no fundo, algo que não existe (até porque o seu “radar” para a imperfeição é extraordinariamente sensível…). O perfeccionismo é um conceito multidimensional, que se relaciona com vários aspectos do funcionamento do ser humano e que implica a existência de padrões de funcionamento e de exigência que vão além da razão e que são, por conseguinte, inalcançáveis por qualquer pessoa, fosse quem fosse. Os perfeccionistas buscam compulsivamente, inquestionavelmente objectivos impossíveis, ancorando o seu sentimento de valor pessoal em função dos seus níveis de desempenho, gerindo o seu quotidiano de uma forma marcada pela pressão, por um padrão constante de crítica e por uma constante e invasiva insatisfação que, paradoxalmente, acaba por se constituir como um obstáculo bem complicado. É que, tal como a criança das escondidas, jogam, de forma automática, um jogo que não podem, mesmo, vencer, sem perceberem que podem enveredar por uma linha diferente de brincadeiras, mesmo que não estejam habituados a tal, mesmo que temam não conseguir controlar a nova realidade com que se poderão confrontar. E o leitor, tem por hábito jogar às escondidas sozinho?...
O Centro de Intervenção Psicológica e Pedagógica está localizado na Rua do Galo, 83, em Angra do Heroísmo, podendo ser contactado pelos contactos 918179638 ou 966039216. Encontre-nos, igualmente, no nosso site www.cipp-terceira.com ou no Facebook em www.facebook.com/CIPP.Terceira. Esperamos as suas sugestões, opiniões ou achegas para o correiodoleitor@cipp-terceira.com.

2 comentários:

Guilhim disse...

Então, não ser perfeccionista é uma "vantagem"? É que se assim for, mudaste a minha vida e livraste-me de um peso!

psilipe disse...

Ser exigente, ter padrões de desempenho elevados é uma coisa boa... ser perfeccionista, ter padrões irrealistas que impedem a realização, felicidade e auto-reforço é igual a cocó. ;)