segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Os sapatos de princesa ou a evidência do fim do mundo que se aproxima...

A patroa está quase, quase a conseguir vestir os "sapatos de princesa" (calçado usado num casamento em que a Mariana serviu de menina das alianças") para irmos jantar a casa de uma amiga. Penso que será um sinal, pela improbabilidade do acontecimento (principalmente, porque implica abdicar dos sapatos que piscam com luzinhas), que, afinal, a cena do fim do mundo é para a passagem de ano açoriana.

Aproveitai as últimas seis horas.

Já agora, e se o meu prognóstico não se concretizar, aqui ficam os desejos psilípticos de Bom Ano para nós todos... que 2013 troike as voltas às coisas menos boas e a tudo o que cheirar a pessimismos e afins.

domingo, 30 de dezembro de 2012

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - V

Hoje aprendemos, mais uma vez, que é possível ter nomes muito mais giros do que aqueles que nos colocam aquando do registo civil, por vezes para conseguir contentar toda(s) a(s) família(s), e gostar disso.

É possível criarmos nomes bem criativos e rirmos com isso. Digam lá que "Mariana Fernandes Bonita Ranhoca Gata Coelha Super Ovelha" não é um nome bem catita?

sábado, 29 de dezembro de 2012

O Carnaval é quando o Sporting quiser...

Hoje em dia, ver um jogo do Sporting assemelha-se a uma ida outonal ao Carnaval da Mealhada. As outras equipas, aquelas que o defrontam, transformam-se, invariavelmente, noutra coisa que não são. No entanto, a coisa é um bocado monótona. Transformam-me sempre no Barcelona.

Onde fica a nossa terra...

Hoje, numa extraordinária visita a uns amigos de infância*, disseram-me que a nossa terra é aquela onde ganhamos dinheiro. Não. A nossa terra é aquela em que nos sentimos bem, aquela cuja ausência nos dói, e onde estão aqueles de quem gostamos, aqueles cuja ausência nos dói.

Mais de sete anos depois de iniciar a saga** terceirense, começo a possuir duas "terras". Começo, começamos a aceitar uma saudável convivência de Coimbra e da Terceira, como lares, apropriados e entendidos como tal. Mas, não há amor como o primeiro...

E que bela fica Coimbra retratada com o belo Mondego como moldura.

Coimbra é única.







* Continua a ser extraordinário, poderoso e energizante o modo como a saga terceirense** não impede que alguns laços se percam, não impossibilita que algumas pessoas existam no nosso mundo interior, qual contra-resposta a um tratado de Tordesilhas interior que, por vezes, acabo por fazer.

** Por muito que custe assumir, começa a ficar claro que a expressão "saga terceirense" começa a ficar enfermada de um crónico síndroma de negação.

psilipe, continuas sem gostar do Instagram?

Sim.


psilipe, gostas do Instagram?

 Não.


O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - IV

Hoje aprendeu-se que é possível que uma garota de quatro anos aprecie quase todas as músicas de um álbum do Sérgio Godinho. Aqui ficam duas das preferidas: "Primeiro gomo da tangerina" ou, em Marianês, "A música da menina" e "O coro das velhas" ou, em Marianês", "coro das velhas".



sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Aculturação terceirense - III

Coimbra tem uma artéria de trânsito importante chamada Avenida Fernão de Magalhães. A rota para o centro da cidade, quer para a Baixa, quer para a Alta, implica passar por ela, nomeadamente para quem provém da zona onde mora a mãe de psilipe. Tem três faixas e prolonga-se da entrada da cidade até às imediações do Rio Mondego. Sempre foi percorrida por psilipe com uma assinalável habilidade automobilística, por vezes injustificada face à relativa pacatez do tráfego, mesmo em alturas de maior congestionamento.

Nestas férias, a Fernão de Magalhães assemelhou-se, para psilipe, a uma agitada artéria de uma qualquer metrópole mundial.

psilipe ainda colocou, durante uns segundos, a hipótese de uma estranha sucessão de ângulos mortos, resultado de um qualquer inusitado alinhamento cósmico, lhe estar a pregar uma partida.

psilipe, após alguns segundos, concluiu que a circulação pelas ruas terceirenses, com o expoente máximo do congestionamento na Ladeira de São Francisco, começa a deixar marcas e, isso sim, a colocar os seus reflexos automobilísticos num estranho ângulo morto. psilipe não se chateou com isso.

Até porque, se o fizesse, provavelmente teria feito estragos no bólide da sua progenitora, com a rapidez de um relâmpago.

Aculturação terceirense - II

Mariana para a prima, enquanto disputavam um acessório para o cabelo:

Princesa Mariana: "Nonô, está ali uma prisão..."
Princesa Leonor: "Mariana, isso é um ganchinho..."

Aculturação terceirense - I

Passar quinze minutos à procura do carro num centro comercial, depois de um excelente almoço com velhos amigos. Perceber que estava no andar errado do estacionamento. Ter necessidade de telefonar à patroa, de quem me tinha separado há meia hora, para ter uma explicação do local onde deixámos o carro. Demorar mais cinco minutos até conseguir o carro. Ligar a uma amiga terceirense, A. P.,  a relatar o sucedido, entre risos cúmplices. Ter que concordar com ela:  o raio de acção de psilipe, no que toca a espaços comerciais, passou a ser o Modelo de Angra do Heroísmo.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Boas Festas e um 2013 do catano

Chegados aos últimos suspiros de Dezembro, aqui ficam os desejos psilípticos de um Natal pleno de coisas boas e de um Ano de 2013 que supere, em muito, qualquer um dos seus antecessores.

Numa das suas músicas, o Mestre Sérgio Godinho diz-nos que:

"Triste, é muito triste, é demasiado triste, 
Quanto tudo o que existe, tudo parece,
O triste vermelho do SOS"

Que consigamos, no ano que se avizinha, sublimar o medo, a tensão e a incerteza e transformá-las em coisas boas e importantes, que nos preencham e nos façam felizes. Que consigamos não nos cegar pelos constantes SOS com que somos confrontados.

Sim... (ainda) é possível. Sim... é obrigatório.

sábado, 22 de dezembro de 2012

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O fim do mundo... ou não...

Hoje ouvi, numa consulta:

"Se o mundo fosse acabar em 2012, a Maya não tinha feito as suas previsões para 2013. É mesmo mentira!"

Sim. Podemos ficar descansados. Felizmente, as crianças, mesmo aquelas que lutam contra as suas dúvidas, conseguem descobrir a luz no meio da escuridão da irracionalidade do medo.

domingo, 16 de dezembro de 2012

O postal de Natal da EDA - segunda versão


O postal de Natal da EDA ou uma sugestão para o próximo apagão...

À pergunta, aparentemente estranha, sobre qual será a semelhança entre a Ilha Terceira e o Uganda, a resposta é óbvia: a ausência de electricidade, com regularidade assinalável, em períodos prolongados. Para quem não reside na Ilha Terceira, esclarece-se que, nos últimos meses, o número de apagões tem sido considerável, implicando, por vezes, sete horas sem electricidade ao Domingo, incluindo o serão. 

Face a tal, o GV, antecipando o próximo apagão (o último foi anteontem...), deixa um bom postal de Natal com o alto patrocínio da EDA (Electricidade dos Açores ou, como psilipe gosta de dizer, Electricidade Demasiado Ausente).


sábado, 15 de dezembro de 2012

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana?

Hoje aprendeu-se que, quando não gostamos da sopa, podemos fazer um "rómito" (ou um "gómito", consoante as alturas), cuspindo-a.

psilipe e sua patroa não gostaram.

psilipe e sua patroa agiram.

psilipe e sua patroa fizeram cara feia.

psilipe e sua patroa tentaram não rir enquanto faziam cara feia. Nem sempre conseguiram.

psilipe e sua patroa estão alerta contra o gómito/rómito.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Uma noite sem televisão...

Há uns tempos, os animadores de um projecto em que trabalhava criavam, com as crianças e jovens, um conceito excelente chamado o Dia sem Tecnologia. Os petizes que, automaticamente, se dirigiam ao atelier do projecto para ligar o computador não o podiam utilizar. E a coisa não corria mal...

Ao serão, principalmente nos dias em que o cansaço e desgaste ligam o piloto automático do confortalismo*, acabam por haver, quando não tomamos conta de nós, demasiados rituais impensados. O ligar a televisão é um deles. O zapping inconsequente outro. O consumo acrítico, em que se olha através da televisão, de programas num dos 100 canais** que se seguem no rodapé da transmissão, o pior de todos.

Quando nos mudámos para a casa nova (aquela que, pelo meio, já tem cinco anos) estivemos dez meses sem televisão, numa altura em que a Internet ainda era vista como um luxo, não como uma necessidade. Foram tempos estranhos, de desintoxicação electrónica mas em que, tal como os miúdos que falo no início do post, tínhamos oportunidade de fazer imenso. Se calhar de ganhar liberdade de escolha, liberdade de poder ir além dos rituais confortalistas.

Hoje, apeteceu-me voltar a esse tempo... E o roteiro foi mais ou menos este...













 

Depois da música, e de escrever isto, vai-se acabar um livro que o F.S. me emprestou há tempo demais. "A Season with Verona" de Tim Parks.


Amanhã há mais...

* Palavra que psilipe se orgulha de ter inventado, em que cruzam os conceitos do automatismo e conforto.

** Já alguém fez a conta de quantos canais, realmente, vê dos 100 ou coisa do género que se tem no pacote da TV Cabo?

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana?...

A benção de o nosso nome constar no cartão de cidadão da Mariana, na secção da filiação, permite que, sem aviso, possamos aprender coisas que nos demonstram que, aos 31 anos, podemos, caso não tomemos conta de nós, perder a capacidade de apreciar as coisas simples e singulares do mundo.

Hoje aprendi que se colocarmos umas sapatilhas nas mãos, outras nos pés e um gorro comprado na Covilhã, enquanto dizemos "Rrrááááuuu" podemos ser um dinossauro.

Hoje aprendi que podemos ser perfeitamente felizes, pensando num futuro profissional em que acumulamos os trabalhos de "carteira", "pirata" e "gata".

Mais uma vez, obrigado Mariana. Como complicamos aquilo que, tantas vezes, pode e deve ser simples.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Olhares geométricos - III

Às vezes, para alcançarmos, para vislumbrarmos o céu é preciso olhar através. Através das rotinas. Através dos confortáveis automatismos, dos nossos "confortalismos". Através dos medos. Através dos trilhos pré-concebidos que aceitamos como insofismáveis. Através de medo. Através de nós.


Olhares geométricos - II

Às vezes, para alcançar o céu temos que olhar através. Através das memórias. Através dos fantasmas. Através de nós.


Olhares geométricos - I

Por vezes, para alcançar o céu, há que olhar através. Através dos outros. Através de nós.

O Natal...

... é uma coisa que, cá por casa, gostamos cada vez mais.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Obrigado, Mariana...

A Mariana faz três anos na próxima Sexta-Feira. É impossível definir o mundo, no nosso mundo, antes do dia 7 de Dezembro de 2009. Corria uma tranquila madrugada, que se sucedeu a um ansiado reencontro de um pai distante com uma mãe corajosa na cidade mais bonita do mundo, quando surgiu o primeiro sinal que o momento mais bonito iria chegar mais cedo do que era esperado, tornando insignificante tudo o que até então tinha acontecido e permitindo que, verdadeiramente, fosse possível aprender o significado do conceito de "relativização". Um titubeante acordar, seguido de um frenético despertar, quando a madrugada ainda ganhava por knock-out a um preguiçoso dia. Uma viagem estranhamente duvidosa para a Maternidade (ser um Fittipaldi para chegar rápido, abanando a criança, quiçá acelerando o seu nascimento ou um condutor de fim de semana para garantir, qual Chuck Norris da parentalidade, a sua segurança?... A dúvida... se calhar a primeira dúvida do resto da minha vida...) e o início de tudo. O sentir que, como nunca na vida, havia um bilhete unicamente de ida para um sítio desconhecido. Ambicionado, ansiado, desejado, mas desconhecido... Um mundo de múltiplas variáveis e incógnitas que constituem aquela que viria a comprovar-se como a mais bela das equações. Medo de mostrar medo*... Medo de o meu medo poder ser um obstáculo para a Célia. Medo de não conseguir ser o apoio que ela precisava. Admiração pela sua coragem. Respeito pelo seu amor. (Saudades do meu pai.) Orgulho. Um orgulho como nunca havia sentido por ninguém. Arrependimento pelas alturas em que a pus em questão, quando, no fundo, não tinha coragem de me colocar em causa a mim mesmo. Ansiedade. Cumplicidade. Dúvidas. Sorrisos nervosos. (Saudades do meu pai.) Espera conjunta por contracções e afins. Meias verdades complacentes para tranquilizar o outro. Amor. Onze horas depois, onze horas depois do resto da nossa vida ter começado, quando o relógio dizia que faltavam cinco minutos para as seis da tarde, a Mariana dizia-nos, e principalmente àquela que tão bem tinha personificado o ideal da maternidade, que o mundo tinha melhorado. Que o mundo nunca mais seria o mesmo. Que nada seria como dantes. Que o amor tinha ganho mais significado. Chegou ao mundo de sopetão, tal como hoje insiste em percorrer os corredores num passo de corrida exagerado, com uma cadência muito própria, acompanhada pelo ondular dos caracóis que, como sabiamente preconizaram as avós, vai perdendo. Chegou ao mundo, ao nosso mundo, curiosa, característica que mantém e onde radicam as centenas de perguntas que coloca, onde se começam a incluir palavras como "imenso", "cuncionar" (funcionar em Marianês) ou "abrandar". (Penso que, aqui, a Célia teme que ela, como o pai, acabe por utilizar, de forma desmesurada, palavras como profícuo ou concomitantemente...) Chegou ao mundo, ao nosso mundo, aceitando-nos como seus, com a mesma entrega e amor com que hoje nos abraça nos "abraços de família". Chegou ao mundo, cheia de vontade de ensinar coisas, da mesma forma como, ainda hoje, nos obriga a usar a lente da poesia no lugar da prosa. Chegou ao mundo, ao nosso mundo, tornando-o melhor, dando-lhe sentido. Três anos, quase três anos depois, é difícil pensar no que quer que seja antes do dia 7 de Dezembro de 2009. Não faz sentido pensar no mundo antes desse dia. É bom ter um filho. É bom ter uma família. É indescritível ter a Mariana. É indescritível ter a família que tenho. E é estúpido, indecente, quando nos esquecemos disso e damos tanto valor àqueles que nos magoam, nos seus inconscientes e egossintónicos assomos, projectando sobre nós os seus pequenos tumultos interiores e os seus incontroláveis furacões narcísicos. Fraca artilharia contra o poder das coisas boas. Fraca sagacidade interior não perceber isso o mais rápido possível, não sublimando, no imediato, a sabotagem através da empatia e da compaixão... Sexta-Feira a Mariana faz anos. Devia ser feriado para que todos pudessem festejar. Para que todos pudessem pensar em coisas boas, bonitas. Fazia-nos bem. Faz-me bem. Obrigado Célia. Obrigado Mariana.

* Que, ao contrário do que defende alguns, existe. E ainda bem. Quando sabemos tomar conta dele, protege-nos e, quando a estreiteza das emoções afunila o pensamento, protege os outros de nós...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Tréguas no conflito israelo-palestiniano...

A Académica aterrou em Telavive para o último jogo da Liga Europa. Tal como aconteceu na década de 70, quando a presença de Pelé levou ao surgimento de tréguas entre duas facções opostas num país africano, espera-se que os palestinianos e israelitas respeitem a presença da Académica interrompendo a escalada belicista. Nem outra coisa será de esperar.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

(Mais) Um sonho a caminho?

Académica nos Quartos-de-Final da Taça de Portugal... Faltam três jogos para o regresso ao Jamor. Faltam três jogos para a reedição de um sonho. Faltam três jogos para mais uma demonstração do futebol, enquanto festa, enquanto fenómeno que inclui um jogo, que se torna única pela presença singular, e peculiar, da Académica.

Sim... já vi preços de viagens.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Na sombra dos egos...

... existe o risco de perdermos a noção de onde está a luz, de onde estão os pontos cardeais que nos imunizam contra os assomos egocêntricos de tantos e tantas, que nos protegem do patológico narcisismo de muitos que se cruzam no nosso trilho. Encontrar a certeza e o calor das coordenadas que nos dão alicerce, desafiar as nossas pequenas zonas de conforto, empatizar com a cegueira egossintónica de algumas alminhas são algumas pistas para que não deixemos que o umbigo de uns seja uma espécie de poço da morte de outros... Deixemo-los com os seus pequenos cotões no umbigo e nos neurónios.