segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Há coisas que só acontecem aqui (na Terceira)...

Alguém passar uma consulta inteira a tratar-nos por "Dr" seguido de frases com a segunda pessoa do singular...

"Oh Dr., não me digas isso..."

Priceless.

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - X

Que o Senhor Jean Piaget tinha muita razão na forma como explicou o desenvolvimento cognitivo infantil...

Que, realmente, aos três anos se interpretam as coisas demasiado à letra, no domínio do concreto.

Que, quando nos distraímos, e dizemos a uma princesa de três anos, enquanto resolvemos um jogo com ela no chão da sala, para ela "puxar pela cabeça", ela tende a puxar a cabeça pelo pescoço. Que, após fazer isso, nos olha com uma expressão que nos diz "porque raio é que puxar a minha cabeça ajuda a completar um puzzle de um comboio?!".

Que os adultos complicam mesmo as coisas.

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - IX

Que é bem mais giro chamar "pungadá", "cumba", "quimba", "bodim" e "maquitunga" a algumas coisas que inventamos do que tentar explicar a dois adultos a nossa lógica de pensamento.

Há, mesmo, coisas que os adultos nunca conseguirão perceber. Ainda bem.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Se a minha mãe descobre...

...que eu acho piada ao site Jesus Everywhere (http://jesus-everywhere.tumblr.com), terei problemas.

No fundo, trata-se de um site de montagens fotográficas, em que Jesus Cristo aparece nas mais variadas situações. Deixo aqui algumas das minha favoritas...

O site está linkado no lado direito do GV. Sim, já ali.




O que se aprendeu, hoje, com a Mariana - VIII

Que é muito mais giro chamar ao ténis "aquele-jogo-que-joga-com-uma-bola-redonda-amarela-e-com-um-pau-que-tem-uma-coisa-redonda-em-cima-com-buracos-".


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Trauma(s): ferida(s) ou cicatriz(es)?...

Alguns estudos demonstram que, ao longo do seu percurso de vida, um indivíduo tem uma percentagem a rondar os setenta por cento de se confrontar com um acontecimento traumático. O mesmo será dizer que existe uma elevadíssima probabilidade de se confrontar com um cenário, com uma circunstância de vida que coloque em questão os seus limites, a sua concepção de si mesmo e a sua visão do mundo, obrigando a um esforço de reorganização interior.

Se pensarmos na existência humana como um rio, podemos entender as circunstâncias traumáticas como um desvio no seu leito que provoca uma mudança no seu curso e na forma como flui. Esses desvios podem ser pequenas represas, diques de dimensão considerável ou autênticos aluimentos de terra que o fazem transbordar e que lhe alteram o rumo, fazendo, inclusivamente, que seja difícil distinguir o rio das margens que o delimitavam.

Na maioria das situações, as pessoas conseguem superar os acontecimentos traumáticos que vivenciaram, conseguindo reorganizar-se e prosseguir o seu caminho, o fluir das suas águas sem alteração de maior. No entanto, numa percentagem das situações, a dimensão do obstáculo traumático encontrado provoca alterações significativas no seu funcionamento, gerando elevados níveis de desconforto, sofrimento e de tensão emocional, condicionando a visão de futuro e podendo gerar perturbações psicopatológicas relevantes como, por exemplo, a Perturbação de Stress Pós-Traumático.

O objectivo não é concretizar o esquecimento do acontecimento traumático, mas construir uma noção da localização temporal daquilo que foi vivenciado. O objectivo não é eliminar todo e qualquer vestígio do desafio emocional, todo e qualquer resquício da ferida traumática, mas permitir que se aceite a inevitável cicatriz, que nos marca, mas que não nos define. O objectivo é conseguir relembrar aquilo que aconteceu, sem a carga do sofrimento vivido. O objectivo é conseguir deixar de reviver, sem controlo, as circunstâncias traumáticas que atormentam. O objectivo é conseguir relembrar, sem reviver... O objectivo é, apesar de tudo, seguir em frente e crescer (ainda) mais.

Intervir nestes cenários como alquimista da alma é um desafio bom, mas que, muitas vezes, dói. Tanto mais, quando a identificação no outro transforma a desejável empatia numa perigosa, e potencialmente incontrolável, empatite. É um trabalho duro, mas alguém tem que o fazer... Mesmo.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Muito bem escrito e absolutamente viciante...

José Luís Peixoto é um mestre. Ainda por cima aparenta ser um gajo porreiro com os pés assentes na terra, tão diferente de outros.



sábado, 19 de janeiro de 2013

O que se aprendeu, hoje, sem a Mariana... - I

Que a distância, os momentos de afastamento da família começam a doer cada vez mais. Que o afastamento  daqueles de quem gostamos nos demonstra a nossa feliz condição de puzzles incompletos. Mesmo que doa.

Até amanhã.

Mariana: update Janeiro '13


Quando o meu coração parar de chorar...

... tentarei escrever sobre o fim da caminhada da Académica para o Jamor... Ainda está tudo muito fresco.

O que têm em comum Lance Armstrong e o taxista que me transportou ontem?

Pela sua postura, ainda que com gravidades muito diferentes, representam a triste, perversa e indigna vitória das ideias pré-concebidas sobre a liberdade de pensamento.

Ao senhor taxista, e não ao ciclista batoteiro, reconhece-se, igualmente, o sentido de humor... sugerir que uma corrida deve ser mais cara pelo facto de o táxi ser uma station wagon e não um carro normal é, como diria o meu amigo X., de valor.

Ao ciclista batoteiro, reconhece-se a capacidade de reconhecer o erro.

A nenhum dos dois se perdoa o facilitismo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - VII

Que é preciso ter muito cuidado com o que se diz a uma princesa de três anos e que a capacidade mnésica do ser humano é crescente...

Que não podemos, no desespero da preocupação parental que resulta de uma ida à urgência em que uma ecografia descobre uma estranha acumulação de gases na barriga da princesa, recomendar e incitar aos puns.

Que, após tal incitamento, a princesa tende a cumprir à risca, sem o controlo de outrora, o pedido parental e que a argumentação se vaporiza. Literalmente, no caso vertente.

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - VI

Que a música "Frère Jacques", que todos aprendemos a trautear de forma mecânica desde petizes, fica muito mais gira quando cantada da seguinte maneira, em Marianês:

"Bébé Rato, Bébé Rato dorme vu..."

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Nunca o divórcio esteve tão próximo...

psilipe bufava (algo que faz, de forma descontrolada, quando está irritado com alguma coisa) enquanto constatava que o Guimarães tinha passado às meias-finais da Taça de Portugal: "Já viste isto! O Guimarães vai às meias-finais da Taça! Filhos da mãe*!"

patroa de psilipe: "Se calhar ganharam porque tiveram mérito..."

psilipe: "..................................................................................."



* Não foi bem isso que, porventura, psilipe pode ter dito...

This is the Montalegre Style...

Psy obteve não sei quantos milhões de visualizações do seu inenarrável vídeo. Hoje descobri o vídeo em que se inspirou. Um plágio indecente. 

Uma pergunta para quem visualizar este vídeo... qual o pormenor que mais vos marcou?

psilipe responde: as velhinhas bamboleantes.



segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Ninguém me tira da cabeça...

... que quem lixou o Zico foi a Pépa. Aquela coleira da candonga nunca lhe agradou.

Há dias em que...

... de manhã e à tarde, não se pode sair à noite, nem voltar de madrugada.

Hoje foi um deles.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

As situações em que ficamos sem palavras...

... são raras na vida de psilipe. Aliás, psilipe paga as suas contas conseguindo ser rápido e arguto a ripostar às mais variadas divagações do ser humano, no seu ofício de alquimista da alma. Pode, lá de vez em quando, verbalizar, dizer algo de menos interessante e relevante, enquanto ganha tempo e processa a informação, mas é raríssimo que não consiga ir além do silêncio.

Mariana (no carro): Pai, contas-me a história do Rei Dom Sebastão?
psilipe (enquanto franze o sobrolho, num típico momento "what the fuck?!"): ........................................................(longo silêncio)..............................................................................


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Futebol e Fátima...

A propósito da troca de jogadores entre o Sporting e o FC Porto, apraz-me dizer o seguinte...

Primeiro
Quem quer apostar comigo que o jogador Marat Izmailov, na sua viagem para o Porto, passou por Fátima e que se deu mais um indecifrável milagre? Ficou curado.

Segundo
Esperemos que a bateria de testes médicos do Sporting, aqueles que são realizados para determinar a sua aptidão para o jogo, não avaliem a saúde mental.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Genérico do Tom Sawyer by Mariana

Uma versão alternativa, e muito melhor, da música do genérico do Tom Sawyer, série de animação que nos iluminava a infância. Já agora, sai daqui uma saudação para Vera Roquette e para o Agora Escolha.


sábado, 5 de janeiro de 2013

Uma questão que me assalta...

Até quando é que se deseja Bom Ano? Até aos Reis, até ao final do mês, até nos apetecer?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Tchhhhk...

A culpa é como o velcro. Cola, por vezes, quando não queremos e faz muito barulho a descolar. A única diferença é que, nalguns de nós, o barulho é demasiado ensurdecedor.

psilipe, tens lido aquilo que devias?

Não. Mas estou a arrepiar caminho... 

Terminado há uns dias...



A reler no momento... um tratado para quem se movimento nos meandros da Saúde Mental.



Chegou hoje. Muito curioso por ler.



À espera. Mário de Carvalho é um senhor.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Quem tem medo...

Texto a publicar na revista do Sindicato dos Professores da Região Açores sobre os medos infantis durante o mês de Janeiro. Aqui fica.


A sabedoria popular ensina-nos que a solução infalível para o medo, e para os desafios que nos causa, passa pela adopção de um animal doméstico da espécie Canis Lupus Familiaris, ou seja, um simpático canídeo. E se é certo que, como a grande maioria dos ditos populares, a expressão não deve ser lida pelo prisma da linearidade, é também verdade que , muitas vezes, alguns medos, nomeadamente nas crianças, acabam por ser erroneamente minimizados, nas suas consequências, no sofrimento que despertam, na forma como obstam ao desejável processo de autonomização  e na invalidação que originam, por exemplo, no contexto escolar. Efectivamente, a prática clínica demonstra que muitas situações de absentismo e de insucesso escolar passam pela existência de quadros clínicos de ansiedade nos alunos que, por vezes, acabam por não ser alvos de intervenções adequadas.
Sabemos todos, e principalmente muitas crianças e pais, que muitos medos infantis não são resolvidos pelo simples aumento da família com um amigo peludo. Os medos infantis são um desafio pela forma como alteram a dinâmica de funcionamento das crianças e das famílias, constituindo-se como um autêntico quebra-cabeças pela dificuldade na sua ultrapassagem, pelo seu carácter enigmático e pelo sofrimento que causam.
Segundo vários autores, os medos nas crianças e adolescentes podem ser divididos em medos normais (ou medos desenvolvimentais) e em medos patológicos ou fóbicos.
Os primeiros, desde que não interfiram de forma significativa com a dinâmica individual e familiar, não são considerados patológicos porque só são activados na presença de estímulos perigosos e tendem a desaparecer com a ausência ou afastamento dos mesmos. Exemplo deste tipo de medo pode ser o medo de animais perigosos (cobras, touros,…).
 Estes medos são normais no desenvolvimento infantil e tendem a ser universais e transculturais, constituindo respostas adaptativas a ameaças reais à sobrevivência humana. Apesar de normais e expectáveis podem ser um desafio terapêutico quando adquirem um carácter invasivo, provocando um sofrimento constante, um conjunto de evitamentos relevantes aparentemente inexplicáveis e uma alteração significativa no quotidiano individual e familiar.
Os medos patológicos (aqueles que são aprendidos e que surgem, por exemplo, após a existência de uma experiência negativa e ameaçadora) constituem-se, por outro lado, como alvos da atenção clínica com uma apreciável regularidade, dada a forma como são responsáveis por elevados níveis de sofrimento individual e familiar e pela forma como alteram, por vezes de forma dramática, o fluir do quotidiano, podendo, inclusivamente, comprometer o desempenho escolar, a prática de actividades extra-curriculares, o próprio clima relacional da família ou o processo de construção de autonomia das crianças e adolescentes. Exemplo de um medo desenvolvimental pode ser o medo de frequentar a escola após um episódio de agressão por colegas ou outros pares.
A psicoterapia infantil, alicerçada em modelos de compreensão e intervenção na ansiedade, constitui um recurso comprovadamente útil para a resolução das dificuldades levantadas pelo agravamento dos medos infantis e para a construção conjunta (entre técnico, criança e família) de respostas mais funcionais ao medo. 

Uma boa foto para o início do ano...

Por muito ameaçadora que pareça a dificuldade, há que olhar para cima. Há que fitar o desafio nos olhos com crença na possibilidade de sucesso.

 Devo ser dos poucos, mas estou com uma grande fé naquilo que vamos fazer neste ano de 2013. Mesmo com tudo o que se avizinha. Mesmo com todas as armas de destruição massiva do optimismo, felicidade e plenitude. Procuremos os nossos escudos, as nossas defesas, as nossas coordenadas, os nossos pontos cardeais. Possível... obrigatório.


Foto já com alguns anos... Mérito ao Paulo Soares, emérito escalador e modelo neste registo de que gosto muito. 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

1984 em 2013

Numa das suas obras primas, 1984*, George Orwell** criou o conceito de Big Brother, entidade dotada do dom da ubiquidade que, na sociedade futurista retratada no livro, controlava os cidadãos e que lhes estreitava o quotidiano.

Viver numa ilha de cinquenta e cinco mil pessoas permite, instantaneamente, que o conceito orwelliano do Big Brother ganhe um novo significado.

Viver numa ilha de cinquenta e cinco mil pessoas, e ter uma capacidade de observação fora do comum e uma memória estupidamente eficaz para pormenores insignificantes (caras, nomes, matrículas de carros, roupas que as pessoas usam mais,...) leva a que a capacidade "técnica" deste Big Brother seja dotada de invulgar eficácia, com registos de som e imagem muito além daquilo que seria necessário e exigível.

Somado a tudo isto, quando se vive numa ilha de cinquenta e cinco mil pessoas, e quando se trabalha como clínico num concelho de pouco mais de trinta mil pessoas, este Big Brother adquire o mais sofisticado sistema Super HD na captação de imagem e do melhor sistema estereofónico de captação de sos, bem como de uma nuvem de dados de crescente capacidade de armazenamento.

Resultado, por vezes, system overload.


* Leitura que este escriba muito recomenda

** Não... não foi a Teresa Guilherme.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013