quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

1984 em 2013

Numa das suas obras primas, 1984*, George Orwell** criou o conceito de Big Brother, entidade dotada do dom da ubiquidade que, na sociedade futurista retratada no livro, controlava os cidadãos e que lhes estreitava o quotidiano.

Viver numa ilha de cinquenta e cinco mil pessoas permite, instantaneamente, que o conceito orwelliano do Big Brother ganhe um novo significado.

Viver numa ilha de cinquenta e cinco mil pessoas, e ter uma capacidade de observação fora do comum e uma memória estupidamente eficaz para pormenores insignificantes (caras, nomes, matrículas de carros, roupas que as pessoas usam mais,...) leva a que a capacidade "técnica" deste Big Brother seja dotada de invulgar eficácia, com registos de som e imagem muito além daquilo que seria necessário e exigível.

Somado a tudo isto, quando se vive numa ilha de cinquenta e cinco mil pessoas, e quando se trabalha como clínico num concelho de pouco mais de trinta mil pessoas, este Big Brother adquire o mais sofisticado sistema Super HD na captação de imagem e do melhor sistema estereofónico de captação de sos, bem como de uma nuvem de dados de crescente capacidade de armazenamento.

Resultado, por vezes, system overload.


* Leitura que este escriba muito recomenda

** Não... não foi a Teresa Guilherme.

Sem comentários: