sexta-feira, 30 de agosto de 2013

As datas lembradas...

Há uns tempos, numa consulta, uma senhora falou-me nas "datas lembradas", a propósito dos seus lutos. Datas em que a firmeza do processo de gestão da perda enfrenta uma torrente inevitável de memórias e dor naquilo que, por vezes, acaba por originar uma re-experienciar do processo de luto. Datas em que a cicatriz se agiganta e se procura metamorfosear numa anacrónica ferida.

Relembrar que as datas lembradas são um desafio, é algo que faço quase diariamente por obrigação profissional. As datas lembradas testam a estreiteza dos nossos evitamentos e questionam os nossos limites. Tornam-nos mais humildes perante a dificuldade, tornam-nos mais humanos perante aquilo que (ainda) nos dói.

As datas lembradas, simplesmente, ferem a cicatriz ou, de forma diferente, obrigam-nos a olhar para a ferida?

As datas lembradas obrigam-nos a lembrar essa dúvida. A única certeza é que doem.

Hoje é uma data lembrada.

Hoje é "a" data lembrada, hoje lembro aquilo que não esqueço.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Ouço na mesa ao lado do café...

"Estes funcionários públicos não fazem nada há anos e ainda se queixam das quarenta horas!".

Amanhã travar-se-á mais um dia na cruzada contra o estereótipo na Canada dos Melancólicos, Angra do Heroísmo.

domingo, 25 de agosto de 2013

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Boca santa *

“O arquiteto deve resistir à tentação de pôr a assinatura, às vezes também dizem deixar a marca. Aqui o que é preciso é rigor e restabelecer o que era a arquitetura, neste caso belíssima”.

Frase de Siza Vieira, na apresentação do seu Projecto para o Centro Interpretativo de Angra do Heroísmo.

Chapeau.

Espero que o tenham poupado a uma visita às (eternas) obras da nova Biblioteca e Arquivo Público de Angra do Heroísmo.

Seria pior que uma prova de esforço. Um homem daquela idade podia ter uma coisa má perante tal cenário.

* Expressão terceirense utilizada quando alguém diz algo absolutamente certo.

Pedal'Açores!





sábado, 17 de agosto de 2013

Um projecto que conta com a colaboração deste vosso escriba...

... em destaque no jornal Açoriano Oriental. O projecto chama-se Pedal'Açores e tem levado o grande Márcio a percorrer quilómetros nos Açores, de bicicleta, com o objectivo de percorrer todas as ilhas, num mínimo de 900 quilómetros e de lançar a discussão sobre a mobilidade na Região, enfatizando a utilização da bicicleta em particular.

Hoje, o Projecto foi alvo de destaque. Um bom reforço e uma boa oportunidade para colocar as pessoas a pensar e, idealmente, a pedalar.


psilipe, apanhaste trânsito hoje?

Sim. A Serreta estava do piorio.





sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Um filme que (me) diz muito...

Ser alquimista da mente traz muitos bons momentos. Partilhados, não vividos de forma umbiguista, na lógica de uma construção de conjunta e de um processo contínuo de ultrapassagem de dificuldades vistas, tantas vezes, como intransponíveis.

Ser alquimista da mente é uma responsabilidade. Ser alquimista da mente leva a que sejamos "o herói" de alguns miúdos. 

Ser alquimista da mente é coisa séria. Mesmo.

Ser alquimista da mente dá-nos a feliz oportunidade de sermos actores secundários em filmes como o que aqui vos deixo. E, atenção, apenas actores secundários. Nunca mais que isso (por muito tentador que seja)... E é.

video

Terceira # 26


Terceira # 25

Um registo de uma bela tarde em casa de gente boa, com direito a tourada à corda pelo meio. Pelo meio, captou-se esta fotografia. Ao espelho... ou quase.


domingo, 11 de agosto de 2013

A solução para os problemas do país está no elevador do meu prédio...

... desde que não implique reuniões com mais de seis pessoas. O "serviço de entendimento permanente", possível de ser acedido no ascensor, é a verdadeira via para o consenso.

Senhores, dirijam-se a Angra do Heroísmo. O país aguarda.



sábado, 10 de agosto de 2013

Longe da vista, demasiado perto do coração?...

Um texto sobre Ansiedade de Separação nos miúdos deste vosso escriba... A foto também é da casa.

O aparecimento de sintomas de ansiedade é algo relativamente comum nas crianças, existindo, inclusivamente, alguns medos de cariz desenvolvimental, cujo aparecimento e manutenção se encontram intrinsecamente relacionados com o processo de crescimento e com o (necessário) confronto com os desafios que o mesmo implica. Surgem, complicam a vida dos petizes e, paralelamente ao crescimento, vão-se desvanecendo, não se constituindo, a prazo, como um problema que justifique atenção clínica.

A separação dos pais ou de outras figuras de referência afectiva, e os medos que a mesma implica, constituem um dos cenários ansiógenos com que todos tivemos que nos confrontar, aprendendo que, quando aqueles que de nós gostam estão longe da vista, continuam perto do coração, e que a distância não significa a colocação em risco da integridade física dos nossos, nem da integridade do vínculo afectivo que nos une ou um iminente abandono.

No entanto, e quando os sintomas ansiógenos adquirem maior frequência, intensidade e duração, e quando estarmos afastados dos nossos significativos, tê-los longe, implica tê-los demasiado perto do coração, sentindo como demasiado possível a existência de uma fatalidade que conduza a um afastamento definitivo, podemos estar perante um quadro ansioso denominado Ansiedade de Separação.

A Ansiedade de Separação é clinicamente significativa, implicando desconforto e sofrimento nas crianças, obstaculizando o seu desejável processo de desenvolvimento sócio-afectivo e autonomização, bem como dificultando a construção de uma auto-estima sólida que lhes reforce a perspectiva de sucesso no enfrentar dos diversos desafios que o crescimento implica, como, por exemplo, as transições de ciclos escolares, as perdas de pessoas afectivamente significativas, os divórcios de pessoas próximas ou a frequência de actividades extra-curriculares.

As crianças que apresentam um padrão de funcionamento que permite o diagnóstico de Ansiedade de Separação podem manifestar comportamentos de evitamento perante a possibilidade de se afastarem das figuras de vinculação (com especial destaque para a mãe) ou de casa. Alguns exemplos típicos são a resistência ou recusa em ir para a escola, a permanecerem sozinhas, a dormir sozinhas ou a passar a noite fora de casa. Tipicamente, e após um início súbito e uma evolução insidiosa, as crianças desenvolvem medos persistentes de se separarem definitivamente das figuras de vinculação, nomeadamente pela antecipação catastrófica que fazem de uma situação de morte, de um acidente grave ou de um abandono.


Habitualmente, as crianças apresentam dificuldades na realização de tarefas ou actividades que, anteriormente, não apresentavam qualquer problema, o que tende a garantir uma dose de dúvida e incerteza aos pais, levando, por vezes, a um indesejável descrédito das queixas das crianças e, em casos mais extremos, a uma persistente desvalorização das mesmas, factor que se constitui como reforçador das dificuldades.

Nas situações em que a separação é iminente, ou quando a mesma ocorre, a criança com Ansiedade de Separação pode manifestar comportamentos muito alterados, de terror e medo intenso, sendo comum a existência de palpitações, hiperventilação, gritos ou choro. A resistência activa à separação, por exemplo agarrando-se energicamente aos pais, ou as queixas de dores corporais são também comportamentos típicos e que poderão sinalizar a necessidade de uma avaliação.

É frequente surgirem fenómenos de ansiedade antecipatória, em que as crianças sentem níveis progressivamente mais intensos e incapacitantes de ansiedade, à medida que se aproxima a situação de separação ou quando se aproxima o momento em que voltarão a estar perto das figuras de referência.

O processo de tratamento da Ansiedade de Separação implica que seja construída uma relação terapêutica sólida com o Psicólogo Clínico, que permita que a criança se sinta segura em relação ao processo e, progressivamente, mais disposta a enfrentar os desafios que o mesmo implica. São criadas condições para que a criança aprenda a reconhecer, experienciar e gerir a sua ansiedade, bem como criadas oportunidades de desafio à resposta ansiosa que permitam que a criança aprenda a reduzir a sua ansiedade e adquira, ou recupere, rotinas quotidianas adaptativas. Importa promover as competências da criança no confronto e gestão das tarefas desenvolvimentais com que se confrontará de uma forma eficaz, adaptativas e promotora do processo de desenvolvimento.

Importa destacar que nestes processos, os pais são aliados necessários, devendo constituir-se como actores dos mesmos, nomeadamente pela forma como devem criar oportunidades de desafio da resposta ansiosa e como devem reforçar a criança e os seus comportamentos mais adaptativos. Para tal, é fundamental que os pais compreendam o funcionamento da Ansiedade de Separação em geral, e do caso do seu filho em particular, mormente os aspectos relacionados com a sua génese e com os factores de manutenção e flexibilização da mesma.

A psicoterapia infantil é uma via preferencial para a redução do impacto negativo da Ansiedade de Separação, permitindo que as crianças consigam gerir de forma adaptativa os momentos de separação das figuras significativas e consolidando a ideia que estas, mesmo quando estão longe, continuam perto do coração, mas na medida certa!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XXIII

Que a honestidade não conhece idade.

Que os desafios de uma princesa de três anos são bem maiores do que nós, tantas vezes, pensamos.

Pai da Mariana (irritado com uma pequenice qualquer): Mariana, tens de ter mais paciência!
Mariana: Eu sei... mas ter paciência é muito difícil...

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A silly season da bola...

A Académica, no seu jogo de apresentação, venceu o Rayo Vallecano que, no passado ano, se classificou em oitavo ligar no melhor campeonato do mundo.

O campeonato podia acabar já.

domingo, 4 de agosto de 2013

Psycho-psilipe, qu'est-ce que c'est...





O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XXII

Que o processo de aculturação é, por vezes, bem mais forte do que a vontade de quem educa.

Pai da Mariana: "Mariana, está a chover... já não podemos ir jogar futebol e andar de triciclo..."

Mariana: "Está bem. Então podíamos ir ver touros."

Pai da Mariana: "Touros? Porque é que queres ir ver touros?!"

Mariana: "Porque eu gosto de touros."

Pai da Mariana (num tom mais audível do que queria): "Foda-se..."

Andar de bicicleta na Terceira...

Sim... foram só, segundo o Dr. Google, oito quilómetros e meio, ou seja, muito pouco.

Sim... a pasteleira de aço da Célia pesa chumbo.

Sim... cada subida foi um suplício e as paragens foram mais do que seria de supor.

Sim... houve momentos em que o doping que grassa no ciclismo pareceu perfeitamente lógico e obrigatório.

Sim... a orografia da Terceira não ajuda a estas aventuras.

Sim... acabei com dois joelhos que faziam as articulações do Pedro Mantorras parecer um bastião de solidez.

Sim... foi muito fixe.


Farol das Contendas pela noite...

Um dos mais belos sítios da Terceira à noite, o Farol das Contendas. Ver o feixe de luz do farol a rasgar a escuridão no seu ritmo compassado, enquanto se ouve a música nocturna dos cagarros é algo verdadeiramente especial, dando um cariz, ainda mais, especial ao bonito simbolismo dos faróis.







O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XXI

Que a honestidade não tem idade.

Pais de Mariana (depois de uma noite nas Festas mais agitada que o habitual, com uma birra pelo meio): Mariana, hoje portaste-te muito mal!

Mariana (depois de uma noite mais agitada que o habitual, mas que se seguiu a um dia demasiado cheio para quem ia para as Festas à noite): Eu sei... eu queria portar-me bem, mas não consegui.

Que tornamos mais difícil a vida dos filhos, quando respeitamos menos do que devíamos os seus limites.