quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Nuno Júdice

Num dia de consagração internacional de Nuno Júdice, agraciado com o Prémio Raínha Sofia, deixo um poema seu, que muito aprecio.


Ausência 


Quero dizer-te umas coisa simples:a tua 
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa, 
por isso, de deixar alguns sinais - um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém, 
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidade aproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim - e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência em dói.

sábado, 23 de novembro de 2013

Portugal ou o nosso país bizarro

Temo o dia em que a Princesa suba mais alguns degraus na escada do desenvolvimento e da clarividência e lhe tivermos que explicar que a trouxemos ao mundo num país em que os polícias se sentem roubados, em que o Governo não quer, conscientemente, seguir as leis, em que os professores têm que fazer testes dignos de adolescentes para ensinarem adolescentes, em que os seus pais são tidos por perigosos e preguiçosos pelintras, pelo simples facto de serem funcionários públicos e em que quem de direito é fraco com os fortes e forte com os fracos.

Temo o dia em que tivermos que a fazer crer que tudo isto faz sentido e que não se trata de uma versão bizarra de um país a sério.

O que se aprendeu. hoje, com a Mariana... - XXXI

Que a aculturação não tem limites.

"Papá, isto é taaanto grande!..."

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Está aqui tudo...

"Não pode haver razão para tanto sofrimento. 

E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. 

Partir e aí nessa viagem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. 

Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... 

Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar..."

José Mário Branco (um génio) em "FMI".

Como diria uma pessoa que conheci recentemente, e a quem apresentei esta música, "é assustador como esta música tem mais de 30 anos". A H. V. tem, mesmo, toda a razão.

domingo, 10 de novembro de 2013

O Governo Português...

... é, no fundo, um aspirante a realizador de cinema.

Todas as cenas acabam com a palavra "corta".

Sai uma estátua!


Que se inicie o peditório para uma estátua a este senhor de nome Ricardo Nunes, guardião das redes da Académica.

Eu contribuo, com gosto.

Que se iniciem os preparativos para a sua inauguração, convidando-se o seleccionador (aquele que selecciona... nunca tal fez tanto sentido!) para a primeira fila.

Eu contribuo, novamente. Desta vez com uma passadeira vermelha. Para o Ricardo, claro.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

A frase do dia...

... "vou contar ao senhor uma coisa que mais ninguém sabe".

A confiança. O início de algo. O peso.