quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Nuno Júdice

Num dia de consagração internacional de Nuno Júdice, agraciado com o Prémio Raínha Sofia, deixo um poema seu, que muito aprecio.


Ausência 


Quero dizer-te umas coisa simples:a tua 
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa, 
por isso, de deixar alguns sinais - um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém, 
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidade aproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim - e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência em dói.

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