domingo, 1 de dezembro de 2013

O "Perfect Day" da Académica

Algum tempo depois, a Briosa, como senhora romântica que se preze, faz a justa homenagem a Lou Reed, recentemente falecido, mesmo interpretando um dos seus mais conhecidos hinos “a Capela”.

Foi um “Perfect Day”… Há muito mérito na vitória de ontem, ao contrário dos papagaios paineleiros que só atendem ao demérito do adversário, em mais uma demonstração de estreiteza mental.

Ganhar contra tudo e contra todos tem, ainda, mais sabor, e torna o dia ainda mais perfeito.

Sérgio Conceição, e toda a equipa, esteve muito bem. Reconheça-se a exibição globalmente muito positiva, com uma clara subida de rendimento de unidades, até agora, em claro sub-aproveitamento (Marcelo ou Abdi, por exemplo).

Ricardo, Fernando Alexandre, Makelelé, os dois centrais e mesmo o esforçado Magique com nota alta. Um gosto.

Dou a mão à palmatória por Djavan. Boa exibição, com uma consistência defensiva até agora inexistente. Uma boa surpresa, a milhas do jogador nervoso e trémulo do jogo com o Sporting. Está-se a fazer um bom jogador, para minha surpresa.

Pouca gente. Poucas testemunhas para o “Perfect Day”. Dá que pensar e dá que penar, também.

Por fim, duas palavras sobre a selecção.

Fernando merece ir ao Mundial. Um jogador em crescendo, um dos melhores na sua posição no nosso Campeonato que, há várias épocas, demonstra qualidade. Fernando Alexandre, claro.

Ricardo é um senhor. Não só na baliza. Cada entrevista é um sinal de maturidade e ponderação. Cada jogo um tiro certeiro na incoerência e na obtusidade de Paulo Bento. Um orgulho vê-lo com a nossa camisola. um exemplo que merece figurar na galeria dos heróis da camisola negra. Afinal, ainda há heróis. Afinal, a Académica ainda produz heróis.

Obrigado, Ricardo, por isso.


1 comentário:

Helford disse...

Canção intemporal, esse "Perfect Day" de Lou Reed! Apesar de não ser um fã de Lou Reed, nem possuir a maior parte da sua discografia a solo, fui encontrando, ao longo do pouco que dele tenho, aqui e ali, vários outros momentos inesquecíveis. Os meus critérios de avaliação poder ser discutíveis para um bom conhecedor da carreira deste músico. Quanto a álbuns, considero o "Transformer" de 1972, o disco de Lou Reed que, no mínimo, se deverá ter. Eu considero o "Transformer" o primeiro "verdadeiro" disco a solo deste músico, ainda que seja de facto o segundo. Vinte anos depois (1992), surge outro álbum incontornável: "Magic and Loss". O que nele considero como o elemento mais valioso são as letras. Não é um disco fácil para certo tipo de ouvintes. É um disco destinado para quem "gosta de ler", para quem aprecia a profundidade de, por exemplo, uma boa conversa e não se fica pela superficialidade das coisas. É um álbum carregado de muito sentimento, muito literário. Os temas que, para mim, são mais marcantes e justificam a compra deste disco, perfazem a "sequência perfeita" do 3 ao 7. É verdade que o tema mais conhecido e que mais adesão conquista é o 2 ("What's Good"). Todavia, apesar de mostrar um "genuíno" Lou Reed, vejo-o como um tema feito para ser editado em single (tal como aconteceu) e, por isso, uma cedência ao "comercial", destinado a atrair as atenções da generalidade do público consumidor de música. Acredito que uma boa parte desse público, que aprecia mais discos onde haja ritmo e som, para não dizer irreverência e ambiente "festivo" ("borga e paródia"), tenha ficado desiludido com o "Magic and Loss"... Basta ver a forma (inicial, claro!) como grande parte da crítica recebeu os espectáculos que Lou Reed deu em Portugal na Primavera de 1992. Acharam que ele não estava a atravessar um bom momento... Que estava demasiado depressivo e mórbido "por ter chegado aos 50 anos"... Mais de 20 anos passados, verificamos que foi um disco que envelheceu bem. Aliás, foi como certo vinho de qualidade - quanto mais velho melhor! Acredito que muitos dos que denegriram e desvalorizaram esse Lou Reed da fase "Magic and Loss" já engoliram várias vezes tudo o que disseram!!!
Sem me querer estender demasiado, faço ainda referência ao disco "Set the Twilight Reeling" de 1996, onde encontramos dois temas que eu considero essenciais não só na carreira de Lou Reed, mas também na música do Século XX: o urgente "Finish Line", que ele dedicou a Sterling Morrison, seu colega nos Velvet Underground, e o introspectivo "Trade In". Para quem tem um gosto literário mais apurado e aprecia Edgar Allan Poe, é de recomendar o seu álbum "The Raven" de 2003. As incursões literárias de Lou Reed são sempre algo a que não é possível estar indiferente!