terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Um instantâneo de um país, ontem à noite...

Quem se perdeu, ontem, pelos inefáveis meandros da televisão de Domingo à noite, constatou um extraordinário instantâneo.

Um canal em directo das imediações do Estádio do Dragão, após uma (in)esperada derrota da equipa portista. Um jornalista em frenesim, aguardando a saída dos jogadores e dirigentes da equipa derrotada, na esperança do confronto com os adeptos descontentes.

No momento em que se inicia a saída dos bólides, na excitação adolescente de quem aguarda por algo, seja lá qual for esse algo, dá-se o instantâneo do dia.

Desacordo entre as autoridades policiais e os dirigentes portistas. À saída da garagem, havia quem exigisse que os carros virassem à direita, enquanto outros que virassem à esquerda. O país, através da vista privilegiada da câmara, num inusitado e prolongadíssimo directo, no meio.

A excitação do repórter, do jornalista no estúdio,  a inquietação dos dirigentes em directo aos microfones, as chamadas indignadas realizadas para as câmaras, a confrontação com a pressão das autoridade, a curiosidade mórbida sobre o que estava a acontecer durante mais de meia hora... virariam os jogadores à esquerda, em direcção aos adeptos irados ou virariam à direita, incorrendo num sentido proibido?

Não. Não se discutia a viragem do país à esquerda ou à direita. Um sonho se tal se discutisse com uma percentagem qualquer do entusiasmo que se viu na cena que descrevo.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XLV

Que, no corropio da parentalidade, existem momentos em que temos a certeza de estar a fazer um bom trabalho.

Que a Princesa já é capaz de destrinçar o trigo do joio.

Que um dia vai ver uma final da Taça ao Jamor com o seu pai. Um dia.


Viagem de carro, em família, com passagem pelo relato de um jogo que envolvia uma agremiação desportiva denominada Sporting.

Mariana - "Papá, nos jogos do Sporting quem é que nós queremos que ganhe?"

Papá de Mariana (que a fez sócia da Académica com um dia de vida) - "Não interessa... é indiferente, Mariana."

Mariana - "Há meninos da escola que são do Benfica e outros do Sporting... e não conhecem a Académica... Eles são todos do Benfica e Sporting..."

Papá de Mariana - "Ah é? Há algum da Académica?"

Mariana - "Não..."

Papá de Mariana (em pensamento) - "Sei o que isso é..."

Papá de Mariana - "Não há problema... nós sabemos que é fixe ser da Academica... se alguém disser que só é bom ser dos outros clubes, está a ser totó!"

Mariana - "Se calhar é melhor passarmos a ser do Benfica e não dos pretos..."

Papá da Mariana - "O quê?!"

Mariana (com um sorriso sacana) - "Estava a brincar... os pretos são os melhores!"

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XLIV

Que tudo é, mesmo, relativo.

Que educar dá, mesmo, que pensar.


A Princesa estava em pleno bulício de brincadeira, num local onde estavam imensos miúdos. Corria, dançava e saltava naquilo que designou por "festa para pessoas que têm um balão na mão". Sim. Ela tinha.

Os seus diligentes pais preveniram que não podia dar saltos perigosos, nem correr em sítios em que se pudesse magoar. E, como todos os pais diligentes, desviaram a atenção por uns segundos para falar com amigos.

De repente, ouve-se um barulho de alguém a dar saltos para cima de uma cadeira. Olha-se e está a Princesa em cima da uma cadeira, a ser agarrada por um bom samaritano que se encontrava ao lado.

Pais "diligentes" de Mariana - "Mariana, o que se passou?"

Mariana - "Nada..."

Pais "diligentes" de Mariana - "Mas nós vimos que tu quase caíste! Não se salta para cima de cadeiras!"

Mariana - "Mas eu caí em segurança..."

Pais "diligentes" - "Mariana, nós ouvimos o estrondo!"

Mariana - "O estrondo foi da segurança!"



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XLIII

Que existem coisas finitas e outras infinitas.

Que o rol de desculpas que a princesa encontra para regressar à sala do seu castelo, depois de ter ido dormir, faz parte das segundas.

Que a imaginação, antes de dormir, fica bastante mais activa e prolífica.

Que é possível fazer um top para as razões que, por mais vezes, foram apresentadas pela princesa para justificar as suas viagens quarto - sala, e que incluem:

- tenho xixi;

- tenho cocó;

- tenho fome;

- quero dar mais um beijinho, entre outras.

Que nada tinha superado, até hoje, a razão apresentada hoje.

Princesa aparece na sala ostentando uma tampa de um perfume (cheirinho em marianês), arredondada, na ponta do polegar esquerdo, com um ar semelhante àquele que Arquimedes terá ostentado quando proferiu o seu famoso "eureka"...

"Papá! Mamã! Esta tampa parece a coisa de um astronauta... vim cá para vos dizer isto!"

Amanhã há mais.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XLII

Que há coisas que o nosso medo quer que nunca mudem ou que, no mínimo, quer que se alterem lá para 2032.

Que o T. continua a ser um puto porreiro. Mas que tem que se pôr a pau.

Que um amigo é algo diferente de um namorado.


Mariana: "Hoje só brinquei com o T.! Ele é muito meu amigo..."

Mãe de Mariana: "E porque é que só brincaste com T.?"

Mariana: "Porque ele vai ser o meu namorado!"

Mãe de Mariana: "E o que fazem os namorados?"

Mariana: "Dançam, brincam e andam juntos..."

Mãe de Mariana (em pensamento): Uffff....

Mãe de Mariana: "E os amigos, o que fazem?"

Mariana: "Os amigos caminham juntos..."


Ora bem... agora vou ali colocar a catana na mala do carro. Nunca se sabe.

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XLI

Que há que esquecer toda e qualquer forma de dieta.

Que, no difícil equilíbrio entre custo e benefício, há coisas que não compensam.


Mariana: "Quem é que nos vem visitar hoje? Tenho saudades de pessoas que não estão cá..."

Pai sortudo de Mariana: "Hoje não vem ninguém... Mas tu já sabes que as pessoas que estão longe, estão no teu coração. Tens muita gente no teu coração?"

Mariana: "Sim!"

Pai sortudo de Mariana: "E como é que lá cabem todos? Como fazes?"

Mariana: "Como eu como muito, o meu coração fica grande e vai daqui até ao tecto!"

domingo, 9 de fevereiro de 2014

A vida no reino das vacas...


Stairway to heaven (ao amanhecer)


A beleza dos pormenores (em Angra do Heroísmo)

Atentemos aos pormenores. Reconheçamos a sua beleza singular e, por vezes, inusitada. Admiremos os pormenores integrados num todo. Apreciemos os pormenores de uma linda cidade, aumentando o amor pelo todo. 

Olhemos (mais) para aquilo que nos escapa.


Mais um lugar esquecido: uma universidade esquecida

Hoje foi dia de regresso ao mundo dos lugares esquecidos, na companhia do H. e do C.. Destino: o campus de Angra da Universidade dos Açores. Destino: mais um confronto de frente, doloroso, com a realidade de um país que renega o passado e que o esquece, demasiado rápido, sem ponderar custos (financeiros e emocionais).

Uma escola, uma Universidade, é um espaço vivo, com memórias, com história, elemento de passagem de milhares de pessoas, no seu percurso pelos trilhos do conhecimento e do desenvolvimento. Dizia o H. que, na primeira vez que tinha visto tal cenário, tinha ficado triste um dia inteiro. Compreendi-o depois de ver o que vi hoje. 

Já lá vão, talvez, uns dois anos desde que a Universidade dos Açores, em Angra, abandonou o seu espaço na freguesia da Terra Chã, deslocando-se para novas e modernas instalações.

Passado este tempo, constata-se um estado de abandono total das antigas instalações e um vandalismo criminoso de assinalar. Uma Universidade na falência, com a sua missão em causa, que abandona espaços, instalações, materiais, utensílios, no fundo, que abandona dinheiro tem que ser questionada. Tem que ser confrontada com a sua incapacidade de gestão dos seus recursos e da memória colectiva daqueles que lhe dão/deram sentido. 

A entrada, muito bonita, não traduz aquilo que se encontra mais à frente.


Cuidado a abrir as memórias e a imaginação.


Há portas e janelas ao abandono.



Corredores por onde ecoaram vozes, por onde caminharam sonhos, por onde circulou vida, por onde poderiam perdurar memórias estão em total abandono.




Acervos, documentação, pedaços de história e do labor de muitos.




Materiais de utilização corrente continuam ao alcance de quem quiser. Reagentes, químicos e utensílios disponíveis para todo e qualquer uso. Ficam dúvidas sobre a racionalidade deste abandono, numa instituição que conta tostões para sobreviver.








Não via uma hotte desde o Secundário...


O bar dos alunos.


Sem fios para a memória.


Sente-se que, com este abandono, ficam histórias por escrever, num cheque em branco ao esquecimento e abandono.




Ironias das ironias... uma revista, com alguns anos, com um dos candidatos a reitor da Universidade, nas próximas eleições. Será possível tomar as rédeas do futuro, sem respeito pelo passado? Será possível imaginar o que está para vir, sem a raíz da memória?


Por aqui se sentaram muitos...


Uma pedrada na coerência, na lógica e na memória.



Explica-me o H., durante a nossa visita, que este espaço foi um antigo hospital militar, que foi, inclusivamente, preparado para um papel particular no decurso da Segunda Guerra Mundial. Reforça o H., sem que o tenha feito, que o crime de abandono é ainda maior. Assusta, ainda mais, lá ter estado.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Uma boa frase...

A parentalidade não é uma questão de escolha múltipla. É uma constante pergunta aberta.