domingo, 9 de fevereiro de 2014

Mais um lugar esquecido: uma universidade esquecida

Hoje foi dia de regresso ao mundo dos lugares esquecidos, na companhia do H. e do C.. Destino: o campus de Angra da Universidade dos Açores. Destino: mais um confronto de frente, doloroso, com a realidade de um país que renega o passado e que o esquece, demasiado rápido, sem ponderar custos (financeiros e emocionais).

Uma escola, uma Universidade, é um espaço vivo, com memórias, com história, elemento de passagem de milhares de pessoas, no seu percurso pelos trilhos do conhecimento e do desenvolvimento. Dizia o H. que, na primeira vez que tinha visto tal cenário, tinha ficado triste um dia inteiro. Compreendi-o depois de ver o que vi hoje. 

Já lá vão, talvez, uns dois anos desde que a Universidade dos Açores, em Angra, abandonou o seu espaço na freguesia da Terra Chã, deslocando-se para novas e modernas instalações.

Passado este tempo, constata-se um estado de abandono total das antigas instalações e um vandalismo criminoso de assinalar. Uma Universidade na falência, com a sua missão em causa, que abandona espaços, instalações, materiais, utensílios, no fundo, que abandona dinheiro tem que ser questionada. Tem que ser confrontada com a sua incapacidade de gestão dos seus recursos e da memória colectiva daqueles que lhe dão/deram sentido. 

A entrada, muito bonita, não traduz aquilo que se encontra mais à frente.


Cuidado a abrir as memórias e a imaginação.


Há portas e janelas ao abandono.



Corredores por onde ecoaram vozes, por onde caminharam sonhos, por onde circulou vida, por onde poderiam perdurar memórias estão em total abandono.




Acervos, documentação, pedaços de história e do labor de muitos.




Materiais de utilização corrente continuam ao alcance de quem quiser. Reagentes, químicos e utensílios disponíveis para todo e qualquer uso. Ficam dúvidas sobre a racionalidade deste abandono, numa instituição que conta tostões para sobreviver.








Não via uma hotte desde o Secundário...


O bar dos alunos.


Sem fios para a memória.


Sente-se que, com este abandono, ficam histórias por escrever, num cheque em branco ao esquecimento e abandono.




Ironias das ironias... uma revista, com alguns anos, com um dos candidatos a reitor da Universidade, nas próximas eleições. Será possível tomar as rédeas do futuro, sem respeito pelo passado? Será possível imaginar o que está para vir, sem a raíz da memória?


Por aqui se sentaram muitos...


Uma pedrada na coerência, na lógica e na memória.



Explica-me o H., durante a nossa visita, que este espaço foi um antigo hospital militar, que foi, inclusivamente, preparado para um papel particular no decurso da Segunda Guerra Mundial. Reforça o H., sem que o tenha feito, que o crime de abandono é ainda maior. Assusta, ainda mais, lá ter estado.

7 comentários:

Marta Galvao disse...

;(
Foi a minha casa alguns anos! Estou triste!!!

psilipe disse...

Cara Marta, a visita é mesmo triste, ainda que não tenha frequentado a UAC. Para quem a visitou comigo, alunos da Universidade, o sentimento era de grande tristeza e surpresa...

Celestino Magalhães disse...

Triste... Ao recordar os bons momentos que aqui vivi e as aprendizagens de vida que aqui recebi, deixam-me ao mesmo tempo feliz, pois este espaço faz parte de mim e cá dentro será sempre recordado como repleto de vozes, sorrisos, abraços, conversas, risos... Está casa foi a minha casa durante alguns anos e será sempre...

Anónimo disse...

Isto mais parece Chernobil

Oli disse...

As novas instalações foram exigidas durante anos ao poder político. As velhas foram uma forma prática de dar uso a um hospital de campanha e avançar rapidamente com o polo universitário na ilha 3a. Aquilo que assistimos nas fotos não é mais que o espelho da falta de consciência dos políticos que tiraram o seu curso em Lisboa. Esqueceram. porém que foi pago com o dinheiro da lavoura dos seus pais. Ironicamente os cusos de ciencias agrárias foram o motivo e alavanca da abertura do polo na 3 a.

catarina viana disse...

Fiquei mesmo triste. Tenho excelentes memórias.
Minha Segunda casa.

Paula Henriques disse...

Fiquei triste a ver estas imagens . Alguns dos melhores anos da minha vida foram passados neste lugar...