terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Um instantâneo de um país, ontem à noite...

Quem se perdeu, ontem, pelos inefáveis meandros da televisão de Domingo à noite, constatou um extraordinário instantâneo.

Um canal em directo das imediações do Estádio do Dragão, após uma (in)esperada derrota da equipa portista. Um jornalista em frenesim, aguardando a saída dos jogadores e dirigentes da equipa derrotada, na esperança do confronto com os adeptos descontentes.

No momento em que se inicia a saída dos bólides, na excitação adolescente de quem aguarda por algo, seja lá qual for esse algo, dá-se o instantâneo do dia.

Desacordo entre as autoridades policiais e os dirigentes portistas. À saída da garagem, havia quem exigisse que os carros virassem à direita, enquanto outros que virassem à esquerda. O país, através da vista privilegiada da câmara, num inusitado e prolongadíssimo directo, no meio.

A excitação do repórter, do jornalista no estúdio,  a inquietação dos dirigentes em directo aos microfones, as chamadas indignadas realizadas para as câmaras, a confrontação com a pressão das autoridade, a curiosidade mórbida sobre o que estava a acontecer durante mais de meia hora... virariam os jogadores à esquerda, em direcção aos adeptos irados ou virariam à direita, incorrendo num sentido proibido?

Não. Não se discutia a viragem do país à esquerda ou à direita. Um sonho se tal se discutisse com uma percentagem qualquer do entusiasmo que se viu na cena que descrevo.

2 comentários:

MC disse...

O que eu ganho em não ter televisão!!!

psilipe disse...

Há pérolas que perdes! :)