segunda-feira, 7 de julho de 2014

Ainda, e sempre, a Académica!

A Académica preocupa-me. Não agora, que estamos na pré-época, mas sempre. É uma constante na minha vida, rebocada por aquilo que me une a um clube, a uma causa, a algo que é mais do que um clube. Que tem que ser mais do que um clube, se todos o permitirem e quiserem.

Há alturas em que me preocupa mais do que outras. Este defeso é uma delas.

Chamar-me-ão pessimista, aludirão a um qualquer ódio primário àqueles que conduzem a minha Senhora, poderão, até, chamar-me retrógado e conservador (e traduzi-lo em inovadores e modernos dislikes), mas não consigo estar descansado, nem optimista este ano.

Há, atenção, pontos positivos que se saúdam. Que venham mais protocolos com clubes de outras paragens onde ainda haverá académicos (aguardemos, contudo, pela explicitação das suas características e pelos seus resultados, contudo). Que venham renovações importantes (Fernando Alexandre, Real e Magique foram óptimas notícias; Marinho, também, ainda que num patamar simbólico diferente), esperando que não com cláusulas esquisitas e incompreensíveis. Que venham promoções à equipa principal de jovens do clube (Pedro Nuno, Jimmy ou João Gomes poderão ser alguns dos nossos heróis no futuro… espero que sim!)!

Temos política desportiva, social e institucional que nos satisfaça? Tudo isto serão epifenómenos ou elementos que traduzem um alinhamento do clube, da SDUQ com os pergaminhos, valores e matriz da Académica? Podemos estar este ano, mais descansados do que nos anteriores? Não. Na minha modesta opinião, de quem acompanha a Académica há mais de vinte cinco anos, não. Não podemos.

Nada me opõe a brasileiros, russos, tanzanianos ou portugueses. Aliás, alguns dos meus ídolos da Académica são estrangeiros (Zé do Carmo, por exemplo). No entanto, não deixo de continuar a ver a Académica como uma constante plataforma de jogadores estrangeiros, sem retorno desportivo ou financeiro. Nem todos, claro. Mas o retorno desportivo e financeiro foi negativo, quer queiramos, quer não. A aposta não tem funcionado. Não tem compensado, nem nunca compensaria para um clube como nós, esta aposta. Este ano, salvo informação contrária, voltaremos a ter jogadores emprestados com 20% do passe para a Académica ou para o Académica. É isto que queremos como ferramenta de construção de um plantel? Se sim, não deveria ser. O negócio Djavan deveria alertar consciência e envergonhar-nos. Pelos vistos, não aprendemos a lição. Andamos nisto há não sei quantos anos!
Não vejo, não leio qualquer ferramenta de aproximação à Cidade ou à Universidade. As pessoas que conduzem a minha senhora serão as mesmas que não têm conseguido inverter um ciclo negativo e involutivo na relação da Académica com a cidade, Universidade e adeptos. Tínhamos pouco mais do que 3000 sócios para votar! Tive vergonha quando li o jornal com essa notícia. Dois anos depois do dia 20 de Maio de 2012. Estaremos, nesta pré-época, a tomar medidas para inverter tudo isso? Não as vejo, não as leio, não as encontro.

Que venha o Mineiro, que venha o Lee (que vem ganhar títulos, segundo leio), que venha o Aderlan, que venha o Nascimento, que venha o Obiorah, que venha o Oualembo, que venham todos para ajudar. Que venham todos para poderem ser novos heróis, pelo rendimento desportivo, pela conduta humana, pelo respeito pelo losango a 1oo%, não só a 20%.

Fábio Luís, Rafael Oliveira, Manoel, Junior Lopes, Paraíba, Saulo, Lira, Bruno Leite, Douglas foram heróis meus. Durante a pré-época, período em que predomina a irracionalidade e a negação. Este ano já não consigo. É mais do mesmo. É, outra vez, mais do mesmo.

Mas, sinceramente, que venham valores, que venha coerência, que venha identidade, que venha Académica. Já! Ontem já é tarde.

Que venha aposta na formação, que venha a capacidade de atraír jogadores jovens pela ligação à Universidade. Que venha a porra de um novo congresso da Académica, como aquele que houve há mais de vinte, para se pensar a Académica. Estar-se-á a fazê-lo? Ou estar-se-á a pensar como construir um plantel para 2014/15 (e depois, logo se vê…)?

Neste momento, somos um clube de futebol estabilizado na Primeira Liga, com um rendimento desportivo aceitável (e melhor que noutras décadas…). Neste momento, estamos longe de ser a Académica que, pelo menos, eu gostaria. Mais um ano…

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