O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LI

Que a literalidade da interpretação das palavras faz parte do quotidiano de alguém de quatro anos.

Que, um quotidiano a brincar profissionalmente com as palavras e alguma incapacidade de desligar o chip, pode conduzir a equívocos e entendimentos enviesados.

Que os dói-dóis não são amigos da elaboração do raciocínio.

Segunda-feira de manhã... princesa Mariana arrisca um voo picado sobre a cama enquanto se prepara para se vestir... um edredon no chão, um tropeção, um pequeno pé de princesa contra a cama, um valente corte num pé...

Segunda-feira à noite... grande esforço para tratar a ferida entre guinchos, berros e choro por causa das dores que o tratamento implicaria. Pais chateados por um alarido desmesurado. Princesa triste.

Terça-feira à noite... repetição do dia anterior... pai de Mariana, aquele que nem sempre consegue desligar o chip, pega na princesa, com todas as lágrimas e muco que se pode imaginar, e tenta intervir.

Pai de Mariana: "Mariana, o que se passa?!"

Mariana: "Tenho medo que doa... não quero água (oxigenada) no dói-dói!"

Pai de Mariana: "Tens que combater o medo!"

Mariana: "Eu não sei o que é combater..."

Pai de Mariana: "É lutar... é seres mais forte que o medo!"

Mariana (entre mais lágrimas e jorros de muco): "Mas eu não sei onde ele está!"

Pai de Mariana: "Está na tua cabeça... nos teus pensamentos..."

Mariana: "Mas eu não quero bater na minha cabeça! Vai doer..."

Pai de Mariana (em pensamento): foda-se.

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