quinta-feira, 30 de julho de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXI

Que o processo de aculturação é, mesmo, imparável.

Mãe de Mariana (enquanto a Princesa fala com os avós, em alta voz, no telemóvel) - Conta aos avós onde foste ontem! Conta que foste à praia!

Mariana - Não, não fui...

Mãe de Mariana (cujo processo de aculturação teima em ser mais lento do que aquele dos restantes elementos cá de casa) - Não foste? Então não foste aos Biscoitos?

Mariana - Os Biscoitos não são uma praia*!

Pumba.

* Esclarecimento para continentais: na Terceira, e nos Açores em geral, as praias de areia são raras. A grande maioria dos locais de banho são zonas balneares (como os Biscoitos, acima referidos), localizadas nas rochas em zonas vizinhas ao mar. Assim, a expressão tomar banho não se resume ao acto de higiene matinal. Havendo uma cidade chamada Praia da Vitória, ir à praia é mais ir à Praia, do que ir à praia. Encontrar um terceirense que goste de areia é mais difícil do que um adepto da Académica que aprecie o Guimarães.

Até debaixo de água, esta ilha continua a ser...

...fenomenal.








segunda-feira, 27 de julho de 2015

Até debaixo de água, esta ilha é...

...fenomenal.








Fotos captadas nos Biscoitos, Ilha Terceira, com a GoPro dos remediados, uma mítica Denver.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LX

Que vale a pena educar, musicalmente falando, uma Princesa.

Que a Violetta, e afins, terão adversários de peso, dentro em pouco.

Que o caminho para educar o ouvido é, contudo, árduo.

Que, por vezes, apesar de exigirmos demais de uma pequena de cinco anos, conseguimos rir em conjunto, com ela.

Que é tão bom, quando isso acontece.

Episódio número 1

Desligou-se a televisão (algo que se faz, cada vez mais, cá por casa) e colocou-se o David Bowie, que se tem ouvido no carro, a encher a sala com a música "Jean Genie". A Princesa pára.

Mariana - Papá, este senhor é o mesmo que canta a música do astronauta Tom?

Pai de Mariana - Hã?!



Episódio número 2

Pai de Mariana (enquanto se ouvia o Cuidado com as Imitações do Mestre SG) - Como se chama o senhor que está a cantar, Mariana? Sérgio...

Mariana - Gordinho!

(risos em conjunto)

Pai de Mariana (que consegue ser um chato) - Não! Sérgio Godinho. E o senhor que canta o outro CD que ouvimos em casa? António Zam...

Mariana - Zambor!

(risos em conjunto)

Pai de Mariana (que, não sei se já partilhei, consegue ser um chato) - E o senhor que canta a música do Major Tom? David...

Mariana - David Gordinho!

(risos em conjunto!)


quarta-feira, 22 de julho de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LIX

Que há momentos em que passamos com nota positiva, nas pequenas auditorias de qualidade do quotidiano.

Que procurar educar uma pequena de cinco anos é bem mais desafiante do alguém com uns anos a menos.

Que a Princesa está, mesmo, a crescer.

Princesa Mariana, em pleno momento de passeio a dois com o seu pai - Papá, sabes que eu, de vez em quando, compro a mamã?

Pai de Mariana, contendo as reacções todas que tinha vontade de ter e fazendo uso dos instintos manipulatórios que, por vezes, os bons pais têm que ter (e disfarçar que têm...) - Ai é? E como é que fazes isso?

Princesa Mariana - Digo que lhe dou mil beijinhos se ela me fizer aquilo que eu peço... Compro-a com mil beijinhos, por exemplo.

Pai de Mariana - E funciona?

Mariana - Olha... Não. Nunca funcionou...

Pai de Mariana (mentalmente, depois de regressar a 2015, depois de uma viagem súbita, algures no futuro) - Ufff...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LVIII

Que os colegas da Mariana têm alguma razão em, quando existem crianças com o mesmo nome próprio, se tratarem pelo apelido, como os militares ou os guardas prisionais.

Que a inteligência e perspicácia de uma pequena princesa de cinco anos, ainda é um prólogo de tudo o que está para vir, por muito que os seus pais se esqueçam.

Que os alicerces ainda estão (quase) todos em construção.

A princesa estava nas suas sete quintas, a ver "bonequinhos"* em casa da sua mais recente tia, a J., cuja irmã se chama, igualmente, Mariana, numa clara demonstração de bom gosto dos pais das duas.

A J.**, num assomo de dona-de-casa, no meio do corropio ternurento de quem tem a casa cheia pela primeira vez e quer que tudo corra pelo melhor, solta uma instrução, dirigida à irmã: "Mariana, tira a roupa!" Aquela que estava no chão da casa de banho.

Uns quatro segundos depois, num dia de calor, a princesa está debaixo de um cobertor, na sala, com um ar confuso.

Pai de Mariana: Porque estás tapada com um cobertor, Mariana?

Mariana: Porque tenho frio...

Pai de Mariana: Mas está um dia de calor.

Mariana: Mas eu estou sem roupa... A J. mandou...

* Ou macaquinhos, em terceirense.

** Que tem a extraordinária capacidade de não ter medo de dizer aquilo que sente. Coisa rara...

Das palavras que é uma pena que não sejam usadas mais vezes... - V

Como diria o Z.P.O., arrabaldes (de Fala, por exemplo).

A piada óbvia do dia...

O Varoufakis foi de mota.

34

Filipe sempre temeu os 34 anos. Em petiz, interiorizou que era nessa idade que os jogadores da bola se tornavam veteranos, logo menos capazes, logo velhos. Decorria o Mundial de 1990, em Itália, quando Filipe teve a sua primeira caderneta de cromos da Panini, um marco para qualquer criança que tivesse um pai vidrado em futebol nas décadas de 80 ou 90. Nela constavam os dados dos jogadores. Nome, clube onde jogavam* e data de nascimento. Havia esperanças, jogadores maduros e veteranos. Um deles ficou na memória. Mítico guardião da Holanda, Van Breukelen. Nascido em 1956, chegava a Itália com 34 anos. É um daqueles que ficaram na memória. Um jogador em final de carreira que, aos 34 anos, jogava o seu último Mundial. Um veterano.


Ontem, percebi que os meus primeiros 34 anos passaram num ápice, quase à velocidade da luz, como na foto abaixo, que tirei há uns anos. Que ser veterano até é porreiro. Que não os trocava pelos outros anos que os antecederam. Fazia, apenas, uns pequenos retoques. Procurarei começar a fazê-los, a partir de hoje. Espero conseguir.


Que venham mais.

* O que permitia perceber que jogaram, nesse Mundial, jogadores do Beira-Mar e do Benfica de Castelo Branco. Quem se aventura a adivinhar os seus nomes?...

As alturas em que o jogo da bola faz sentido*


* Ou, como diz o senhor estrangeiro do Lago dos Tubarões, "tem senso".

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A boa surpresa do dia

Além de estranho, o mundo é um lugar pequeno. Hoje a M.C., que está na Polónia, alertou-me para algo, a partir de um livro que lê sobre uma terra que não conhece mas que, como mulher de bom gosto, a apaixona.

No romance "Arquipélago", do escritor terceirense Joel Neto, a M.C. descobre uma referência a este espaço blogosférico, as Geometrias Variáveis. Pelo que se lê, há, mesmo, quem leia e quem por aqui passe e, pelos vistos, quem valorize os disparates deste vosso escriba. E, mais ainda, quem se inspire com eles*.

Não deixa de ser curioso que os mesmos posts que interessaram ao Joel Neto, já haviam permitido que, por via digital, criasse uma amizade com o Daniel de Sá. Uma honraria e, igualmente, a prova que, com a Internet, o mundo se torna (ainda) mais pequeno.

Se já queria comprar o livro, até pelas boas referências que o mesmo tem tido e pelo facto de a principal personagem ser a minha terra de adopção, aqui está mais um bom argumento.  


O exercício de humor referido é está aqui e é descrito nas páginas 221 e 222 do livro.

* Um bom reforço para escrever mais?...