segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O voto açoriano

Além dos 52% que fizeram de Marcelo o nosso Presidente, há outro número a reter, aqui nos Açores.

Uma Região em que quase 70% dos eleitores escolhem não votar terá que se deitar no divã e pensar sobre si mesma, sarando as suas dores. Que o faça e rápido... Este número é um susto e um perigo, 

Bem sei que uma democracia doente possa ser conveniente para alguns, mas há valores que têm que ser absolutos. O ideal democrático é um deles.

sábado, 23 de janeiro de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXVII

Que a sondagem à boca das urnas/do coração da Mariana, ditou um vencedor (in)esperado.

Que as ideologias da Mariana são, pelos vistos, inabaláveis, eleição após eleição... o Álvaro Cunhal morreria de inveja.

Que as dificuldades de compreender o significado de umas eleições é directamente proporcional às certezas que cria e mantém no seu coração.

Pai de Mariana - Sabias que amanhã é um dia importante, Mariana? Amanhã, eu e a mãe, vamos votar.

Mariana - Votar? Para que é isso?

Pais de Mariana - Para escolhermos pessoas que vão tomar decisões por nós e em quem sentimos que podemos confiar. Decidimos qual será a melhor pessoa e escolhemo-la.

Mariana (com um ar que colocaria qualquer um dos reais candidatos em sentido) - Vão votar na Tia L.*, não é?

Pais de Mariana - Não...

* Uma das tias do coração da Princesa, na Terceira.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Desaparecido da/na Ilha Terceira

Desapareceu, da Ilha Terceira, há várias semanas. 

Tem quatro biliões e meio de anos, ainda que aparente ter menos idade.

Quando desapareceu trajava de amarelo, com tons de dourado, emanando brilho das suas vestes.

Já foi visto, episodicamente, na Terceira, nos últimos tempos, pelo que se acredita que não terá abandonado, de vez, a Ilha. Há, assim, esperança que possa ser encontrado e trazido, de novo, ao convívio daqueles que lhe são queridos.

Aproximadamente cinquenta e cinco mil pessoas aguardam notícias, desejosas do seu aparecimento.

É portador de doença psiquiátrica, padecendo de Perturbação Bipolar, alternando, de forma inexplicável, períodos de brilho intenso com longos períodos de ausência e de evitamento social, desaparecendo do convívio de todas as pessoas, mesmo das mais familiares. 

Quaisquer notícias sobre o seu paradeiro deverão ser comunicadas às autoridades competentes ou a qualquer terceirense interessado.

Chama-se Sol. Responde, igualmente, por solis, para os amantes da cultura latina.

Angra do Heroísmo, 22 de Janeiro de 2016






quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXVI

Que há atenção, muito mais atenção do que pensamos nos olhos de uma pequena de seis anos.

Que a parentalidade é, mesmo, uma soma de pequenas coisas que, dia após dia, ganham dimensão.

Que, numa parentalidade feliz, os olhos de uma pequena de seis anos estão, magneticamente, à procura das pequenas coisas, aquelas que são segurança e que marcam. No bom sentido. No único sentido que deveria existir.

Que somos uns terroristas, quando nos esquecemos de tudo isto.

Que, quando não nos esquecemos, podemos sentir um genuíno orgulho nos pais que conseguimos ser.

Mariana (percebendo que o pai está a usar uma pulseira que ela construiu para ele há uma série de meses, que não terá o ar mais masculino do mundo) - Papá estás a usar a pulseira que eu fiz para ti?

Pai de Mariana - Sim.

Mariana (com um ar pleno de perspicácia) - E usas no trabalho?

Pai de Mariana - Sim.

Mariana (com o mesmo ar) - E as pessoas não dizem nada? Não dizem que andas com uma pulseira de menina?!

Pai de Mariana - Dizem.

Mariana - E tu andas com a pulseira na mesma?!

Pai de Mariana - Sim. Se foste tu fizeste a pulseira para mim, não me interessam o que os outros dizem. Ando com ela porque me faz lembrar de ti.

Mariana (acompanhando a frase de um abraço) - Obrigado, papá.



sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXV

Que a linguagem é plena de subtilezas.

Que a aculturação terceirense da Mariana enriquece o manancial de subtilezas possíveis na língua portuguesa.

Que, aos seis anos, alguém começa a dar nota da sua personalidade.

Que há tempos que estão a terminar.

Pai de Mariana (regressado a casa depois de não ter encontrado um furacão, a seguir ao trabalho) - Estás a comer uma pastilha elástica?

Mariana (a mascar de forma visível) - Não! Isto é uma gama.

Pai de Mariana - E qual é a diferença?

Mariana (com o ar mais seguro do mundo, qual Obama no discurso do Estado da Nação) - Uma gama* não faz balões, a pastilha elástica faz!

Pai de Mariana (em pensamento, a tentar não dar parte de fraco, depois de ficar confundido com a resposta segura da Princesa e a olhar de soslaio para a mãe de Mariana, procurando uma qualquer confirmação e/ou resposta...) - Mas uma gama não é sempre igual a uma pastilha elástica?!

Pai de Mariana - Pronto, pronto... Deita isso fora, rápido.

Pai de Mariana (uns segundos depois, em pensamento, olhando a pequena a mascar a pastilha) - Estúpido.

* Aportuguesamento da palavra inglesa "gum"; um dos muitos aportuguesamentos, da língua inglesa, que existem no linguagar açoriano, em geral, e terceirense, em particular. Desafio aos continentais: o que será uma suera? Ou um bacemento?