O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXVI

Que há atenção, muito mais atenção do que pensamos nos olhos de uma pequena de seis anos.

Que a parentalidade é, mesmo, uma soma de pequenas coisas que, dia após dia, ganham dimensão.

Que, numa parentalidade feliz, os olhos de uma pequena de seis anos estão, magneticamente, à procura das pequenas coisas, aquelas que são segurança e que marcam. No bom sentido. No único sentido que deveria existir.

Que somos uns terroristas, quando nos esquecemos de tudo isto.

Que, quando não nos esquecemos, podemos sentir um genuíno orgulho nos pais que conseguimos ser.

Mariana (percebendo que o pai está a usar uma pulseira que ela construiu para ele há uma série de meses, que não terá o ar mais masculino do mundo) - Papá estás a usar a pulseira que eu fiz para ti?

Pai de Mariana - Sim.

Mariana (com um ar pleno de perspicácia) - E usas no trabalho?

Pai de Mariana - Sim.

Mariana (com o mesmo ar) - E as pessoas não dizem nada? Não dizem que andas com uma pulseira de menina?!

Pai de Mariana - Dizem.

Mariana - E tu andas com a pulseira na mesma?!

Pai de Mariana - Sim. Se foste tu fizeste a pulseira para mim, não me interessam o que os outros dizem. Ando com ela porque me faz lembrar de ti.

Mariana (acompanhando a frase de um abraço) - Obrigado, papá.



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