O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXX

Hoje, cá em casa, acompanhou-se o jogo entre a Académica e o (ler alto) Porto (ler baixinho) B. Jogo interessante, em que a equipa mais interessante das duas conseguiu uma vitória in extremis, no último lance do jogo.

Hoje, cá em casa, sofreu-se a bom sofrer.

A mãe da Mariana saiu de casa, durante o jogo. Algures, pela segunda parte, a Princesa juntou-se ao seu pai, no aconchego do sofá, com a melhor equipa do mundo em vantagem. Foi, a partir daí, o melhor jogo da Académica que vi, fosse qual fosse o resultado.

Entretanto, a mãe da Princesa regressou. Entretanto, o (ler alto) Porto (ler baixinho) B, num tributo à injustiça, empatou o desafio*, levando a um aumento exponencial da tensão que se vivia no sofá cá de casa.

Os ventos da fortuna e da justiça trouxeram o empate, no último sopro do jogo, num lance pleno de abnegação de uma equipa que, hoje, orgulhou.

O pai da Princesa saltou e gritou com a Princesa ao colo ("Pai, estás a magoar as minhas costelas!"), sob o olhar benfazejo da Mãe da Princesa que celebrou o golo com parcimónia. 

Princesa (com um ar de irritação que orgulha qualquer pai) - Mãe! 

De supetão, ergue-se do sofá do sofrimento e dirige-se à mãe que se empoleirava numa mesa para acabar a segunda versão da árvore de Natal (a Mãe da Princesa leva o Natal muito a sério).

Mãe - O que se passa?!

Princesa - Não festejaste o golo como devias! Festejaste menos do que devias! Tens que festejar como nós.

Mal sabia ela que, durante a tarde, a senhora sua mãe tinha instalado uma aplicação no telemóvel para poder acompanhar o jogo que ia decorrendo em casa, onde sofriam, na esperança, dois cérebros temporariamente irracionais.

Hoje aprendeu-se que, por muito difícil que seja a tarefa de educar futebolisticamente uma Princesa, vale a pena o esforço.

Hoje aprendeu-se que, cá por casa, posso dormir descansado, rodeado de pessoas de bom gosto e de bom coração. Ainda que na Segunda Divisão.



* O que levou a um crédito de alguns euros para a Princesa. Cada palavrão vale 50 cêntimos. Sim. Ela não se coíbe de os cobrar, com a agilidade de um cobrador do fraque. Não. Não foi a melhor ideia que tive na vida, dada a incontrolabilidade do vernáculo em jogos de futebol.

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