terça-feira, 28 de novembro de 2017

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXI

Que a escola, em todo o seu esplendor, começa a implicar que a Princesa traga para casa desafios, que vão muito além dos corriqueiros trabalhos de casa. A discussão do sistema reprodutor é um deles.

Que, apesar disso, pode haver momentos divertidos em tais desafios. Pelo menos, por enquanto.

Que a aprendizagem daquilo que significa ser homem e pai de uma Princesa continua, sendo de registar progressos.

Que, realmente, a nobre arte de ser alquimista da alma, termina à porta de casa. Que ser psicólogo em casa própria nunca funciona.

Que, felizmente, não estamos sozinhos na luta.

Há uns tempos, era a Princesa ainda mais pequena, Filipe deparou-se, muito mais cedo do que esperava/temia, numa viagem de carro, com a mais sacramental das perguntas.

Princesa - Pai?

Pai da Princesa - Sim?

Princesa - Como é que fazem os bebés?

(longo silêncio...) Pai da Princesa - Tens que perguntar à mãe, ela depois explica-te... (sim, shame on Filipe).

Como sempre, o evitamento revelou a sua perversa eficácia no curto-prazo.

De lá para cá, a Princesa cresce, as perguntas vão acontecendo e os pais têm desempenhado a sua função, com menos evitamento paternal das questões difíceis. Realmente, tudo se aprende (sim, com as filhas que não são nossas, é bem mais fácil...).

Hoje, o M., amigo inseparável da Mariana veio jantar connosco. Falando da escola, à refeição, enunciaram-se os sistemas do corpo humano que os petizes estão a estudar no Estudo do Meio. A conversa foi parar ao sistema reprodutor, aquele que está a ser trabalhado com o professor J..

Aí, durante a conversa, foi possível perceber, com muito menos constrangimento do que aquele que se sentiu na conversa anterior, que os bebés nascem através da junção do ovário com o espermabogotozóide. E, que algures, no sistema reprodutor das senhoras existem as Trombas do Pinóquio.



Não. Não houve perguntas sobre como é que os espermatobogotozóide se encontra com o ovário, corrigido, mais tarde, para óvulo pelos dois. Chegarão perguntas, em catadupa, num futuro próximo.

Deixado o M. em casa, percebemos, como seria de esperar, que o crescimento dos petizes coloca perguntas a todos os pais que não são opcionais. De resposta aberta e não de escolha múltipla. Aliás, a parentalidade é uma permanente questão aberta e, nunca, uma pergunta de escolha múltipla.

Pergunta-nos, a mãe, do M., a simpática S., depois de lhe contarmos que existe um Pinóquio mal encarado em todas as mulheres, algures na barriga.

Mãe do M. - Já agora, eles perguntaram mais alguma coisa, além disso, para me preparar?...

Pai da Mariana - Ainda não chegaram à dinâmica da coisa.

Todos (em pensamento) - Uff...

Hoje, ainda, não.

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