quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

A propósito do Dia de São Valentim, uma memória sobre o amor

Quem me conhece sabe que tenho um gosto particular por dois tipos de construções humanas: pontes e faróis. Falo muito de pontes e ainda mais de faróis. Não consigo resistir a fotografar faróis, até os mais modestos. Aliás, não tendo sido alquimista da alma, acho que seria feliz a engendrar pontes e faróis.

Seria feliz a imaginar estruturas que contêm tanta poesia, que unem, que avisam, que ajudam, que sublimam a aspereza dos elementos e que nos fazem poder ir mais além. Que nos fazem ser maiores, mais corajosos e melhores pessoas. Que estão sempre lá. Não o conseguiria, por muito que quisesse.

Há pessoas que surgem na nossa vida que conseguem ser tudo isso, sem esforço, simplesmente sendo aquilo que são. Conseguem conjugar o ser ponte com o ser farol. Hoje faz anos uma dessas pessoas. Hoje faz anos a Célia. Hoje faz anos a pessoa que me deixa fazer parte da vida dela há, quase, vinte anos.

A Célia é ponte e é farol, como mãe, como mulher e como amiga. Nem sempre as pessoas o percebem, deixando-se iludir pela sua candura e humildade. Nem sempre as pessoas percebem, mal habituadas que estão a margens distantes e a nevoeiros indecifráveis, a sua capacidade de amar e aceitar incondicionalmente. Nem todas as pessoas sabem o que isso é.

Eu, felizmente, sei, ainda que nem sempre tenha tido a capacidade de o perceber. Sei o que é amar e ser amado incondicionalmente, numa relação amorosa. Sei porque tenho a minha ponte e o meu farol, do qual me orgulho como, além da Mariana, nunca antes me havia orgulhado de alguém. O que me gera arrependimento pelas alturas em que a pus em questão, quando, no fundo, não tinha coragem de me colocar em causa a mim mesmo.

Hoje faz anos o meu porto seguro, aquela que me ajudou a que me ancorasse à felicidade, como escrevi, há muito, nos agradecimentos do meu relatório final de curso. E continuo a agradecer por, diariamente, me recordar que a vida só faz sentido com amor. Por estar sempre presente, pelas construções conjuntas, pelos projectos de vida e por continuar a fazer-me prosseguir, conseguindo acreditar mais em mim do que eu alguma vez conseguirei.

E, como se não bastasse, continua bonita como quando a conheci, quando, imberbe e sem idade para ter carta de condução, não conseguia acreditar que fosse possível que alguém assim me pudesse querer. Diz ela, muitas vezes, que viu longe. Tivesse eu procurado ver longe, nessa altura em que ainda se pagava em escudos, e, por muito que tentasse, não conseguiria ver tudo aquilo que com ela pude viver e tudo o que surgiu, nem uma Mariana que nos enriquece todos os dias.

A foto que coloco é, ainda, hoje a melhor foto que tirei, captada algures no início deste século. Como disse, continua tão bonita como no início. O farol à beira mar. Como faz sentido.

Obrigado. Parabéns Célia.


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