domingo, 15 de abril de 2018

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XCVII

Que a piada de algumas coisas tem prazo de validade.

Que a contagem decrescente associada a esse prazo de validade vai-se fazendo. Lentamente para a Princesa. À velocidade da luz, para o senhor seu pai.

Que é difícil de derrotar aquela esperança vã que temos, quando fazemos perguntas com resposta mais do que óbvia, esperando uma resposta diferente daquela que sabemos ser a verdadeira.

Que os pais estão para esta esperança como o Bruno de Carvalho está para o Facebook. Sabemos que não nos devemos agarrar a ela, mas é mais forte do que nós.


A Princesa foi, pela primeira vez, convocada para uma competição de karaté fora da nossa Ilha, uma espécie de corolário para o esforço que tem feito e para a qualidade que tem conseguido atingir. No fundo, foi um bom reforço para uma pequena karateca de oito anos.

Lá foram os pais a acompanhá-la, aproveitando para ajudar a cuidar de uma série de miúdos que foram ao campeonato, num esforço que muito gozo lhes deu. Lidar com miúdos fantásticos, num clube que é uma família, é um mimo.

Primeiro dia de campeonato. Competição, emoções e medalhas para quem as conseguiu obter. Camaradagem e amizade para todos. Orgulho em todos.

À chegada, pela residencial onde ficou a comitiva, os atletas foram-se distribuindo pelos quartos uns dos outros. Não necessariamente pelos seus, num rebuliço de miúdos entre os oito e os doze anos, entre brincadeiras, risos e correrias.

Lá pelo meio, a Princesa desaparece e reaparece, passado algum tempo.

Pai da Mariana - Onde é que tu andas?

Mariana - Vim buscar os meus bonecos e vou brincar para o quarto do T., com os meus amigos.

Pai da Mariana - E estás a fazer disparates?

Mariana - Eu? Claro que não.

Pai da Mariana (a sentir uma esperança estúpida a crescer dentro de si...) - E se estivesses a fazer disparates, dizias-me?

Mariana - Claro que não.

E voou. Com os bonecos. Enquanto acelerava a contagem decrescente para a piada que algumas coisas (ainda) têm.

Ippon para a Mariana. Há derrotas que ainda têm piada.

Respirar fundo. Continuar.


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