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Quem esquece as datas lembradas?

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Há dias lembraram-se de mim para ser entrevistado num programa de rádio, no Rádio Clube de Angra. Na conversa simpática que decorreu, em que o entrevistado talvez tenha divagado mais do que se pretendia, a dado momento, falou-se do estranho poder das datas lembradas e do poder dos números redondos. Aquelas datas que se agigantam no calendário, que ganham vida própria para além da espuma dos dias, que se vão fazendo ouvir, num sussurro, até ao dia em que chegam, em que nos batem à porta, com estrondo e sem qualquer vestígio de sensibilidade. As datas lembradas não são dadas à subtileza, ainda que se façam anunciar.

As datas lembradas também comemoram os seus próprios aniversários, exponenciando aquilo que conseguem provocar. Aí revestem-se de super poderes de armas de destruição massiva. Daquelas que, consoante o uso, podem contribuir para o nosso bem ou para as nossas dores de alma, aquelas que habitualmente ninguém vê, além dos filtros que usamos no dia-a-dia. O Instagram só material…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - C (take II)

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Que os pais também se enganam a fazer contas fáceis.

Que na revisão das cem histórias para a compilação que anda a realizar, o pai da Mariana se enganou e faltava uma história.
Que há males que vêm por bem. É uma oportunidade para contar mais uma história*.
No fim-de-semana fomos a uma festa de anos de pequena C.. Aos quatro anos, as festas são sempre um acontecimento. A casa cheia de pequenos e graúdos, um jardim com um ajuntamento de sapatos dos pequenos descalços e os pais da C. em modo de multi-tasking, naquela sadia mistura de emoções de quem tem a casa cheia de pequenos pela primeira vez. Cá por casa, sabemos o que isso é, como se percebe aqui.
Pequenos que se vão embora contrariados, casa que se vai esvaziando. Ficam os grandes e os seus filhos. Conversa-se com pessoas porreiras que não conhecíamos ou com quem se tinha um conhecimento superficial. Agradável final de tarde, com São Jorge e o Pico ao fundo.
Pelo caminho, entre as conversas dos grandes, os pequenos foram ficando. …

Alerta vermelho

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Ver um ministro a dar uma volta olímpica nos locais onde tudo ardeu, onde o medo imperou e onde o trauma ainda vive, numa alegre "celebração da vida", das vitórias conquistadas e das excepções à regra, é só repugnante.
E uma ofensa para quem perdeu, quem temeu e para quem tem feridas, visíveis e invisíveis, que sararão muito tempo depois do rescaldo da última labareda.
Alerta vermelho para a falta de decência e para o parasitismo.


XXVIII Meia Maratona dos Bravos: Missão comprida ou cumprida?

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Faz hoje dois anos que fui acompanhar o N. na primeira vez que fez a Meia Maratona dos Bravos. Sendo uma das pessoas que muito prezo como amigo, e sendo alguém que muito admiro pela sua tenacidade e perseverança, muito me orgulhou a sua participação, numa expressão daquele sentimento bom que nos invade quando ficamos contentes por alguém. Nessa altura, achava que estaria distante o dia em que faria uma meia maratona. A ideia de correr mais de dois ou três quilómetros seguidos, sem altos e baixos, tinha o seu quê de inverosímil. No fundo, a perpetuação de uma "carreira" desportiva medíocre, à parte uns anos de voleibol com relativo sucesso.

Faz hoje um ano que enfiei na cabeça que faria a Meia Maratona dos Bravos, após ter feito a Caminhada dos Bravos (com alguma dificuldade no final, admita-se, um ano depois). No ano que fiz a caminhada, aprendi a admirar todos que iam passando, uns devorando metros, outros degustando com paciência cada centímetro. Decidi, pelo caminho, que …

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - C

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A Mariana tem a sorte de ter muitos tias e tios. A natureza, e o amor dos seus avós, deu-lhe alguns, a vida multiplicou esse número por vários algarismos.

Aqui pela Terceira, dando sentido ao verdadeiro significado da palavra família, tem encontrado tios e tias de muita qualidade. A A. é uma delas, daquelas que, quase desde o primeiro momento da nossa saga insular, se constituiu como figura de referência, como alicerce, simplesmente sendo quem é. Não é para todos.

Esta história passa-se à saída da casa da A.. Nas imediações da casa está uma placa na parece que homenageia um dos seus familiares, numa iniciativa da Junta de Freguesia.

Mariana - O que é aquilo?

A. - É uma placa sobre o meu tio.

Mariana - Porque é que fizeram isso?

A. - As pessoas gostavam dele. Houve muita gente que ele ajudou e havia muita gente que gostava dele. Por causa disso, fizeram esta homenagem.

Mariana - Há muitas pessoas que fazem coisas boas e não têm nada disso.

Disse-nos, depois a A., que, em tantos adultos…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XCIX

Que uma pequena de oito anos consegue dar lições a grande parte daqueles que nos representam na casa da democracia, mesmo sem saber o que é um subsídio de insularidade, uma ajuda de custo ou a diferença entre "morada habitual" e "morada exclusiva".

Que uma Princesa de oito anos consegue definir conceitos complicados melhor do que muitas pessoas experientes e experimentadas.

Que, no fundo, a Mariana podia ser Presidente do Governo Regional dos Açores uma porrada de anos.

Que uma resposta simples pode conter mais Abril do que um discurso complexo ou uma declaração aos jornalistas de um alto representante da Nação.

Pai de Mariana (farto de ouvir a palavra transparência na rádio e na televisão) - Mariana, o que quer dizer quando dizemos que uma coisa é transparente?

Mariana - Significa que podemos ver através dessa coisa. Ver o que está do outro lado.

Simples. Devia ser simples.

Pena é que, nos últimos tempos, tenhamos percebido que, ao contrário da definição cristalin…

25 de Abril (sempre) na data marcada...

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25 de Abril. Cravos na lapela. Cravos no púlpito. Cravos na mão, cravos na rua. A horas certas, como dizia o José Mário Branco. Assembleia da República engalanada. As datas lembradas são assim. Impõem-se à memória, ganhando vida própria. Precisamos de esquemas automáticos para organizarmos a informação. Automatizamos lembranças, tornando-as menos conscientes ainda que mais presentes. A memória tem limites. Nós temos limites. A liberdade, não os pode ter.

Lembramos a data, pouco lembramos a liberdade. A conquista. O avanço. A saída das trevas. 25 de Abril sempre. Diz-se nesta data lembrada.

Ouço na rádio, enquanto corro hoje, os discursos na Assembleia da República, na sessão comemorativa. Ouço na rádio as palmas que ecoam pelo hemiciclo. Ouço na TSF a jornalista que descreve o que vê, na casa da democracia, "alguns deputados batem palmas, outros olham à volta a perceber se devem bater palmas". 25 de Abril sempre, pela enésima vez, logo a seguir. A realidade é madrasta às uto…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XCVIII

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Que as palavras que ofendem os adultos podem ser bastante elogiosas quando ditas pela boca de quem tem oito anos.

Que os adultos conseguem ser uns chatos, que se tornam ainda mais quando não percebem que precisam de deixar de ser chatos, nem que seja por um bocadinho.

Que, na parentalidade, a criatividade e o pensamento rápido são sempre bons recursos que o bulício do quotidiano e a quadratura da mente adulta nem sempre permitem que apareça.

Que há momentos em que ficamos orgulhosos dos pais que estamos a conseguir ser, mesmo conscientes de erros que cometemos e de dias em que a tal quadratura mental é mais forte que nós.

Um destes dias, a Princesa, a propósito do Dia do Pai, teve que fazer prendas para o seu progenitor, naquele momento anual espectacular em que recebemos coisas feitas para nós que não são compradas, nem feitas num qualquer país oriental. Na prenda da escola, foi pedido à Princesa que retratasse o pai em seis adjectivos, um por cada letra do seu nome. Psilipe tem sete…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XCVII

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Que a piada de algumas coisas tem prazo de validade.

Que a contagem decrescente associada a esse prazo de validade vai-se fazendo. Lentamente para a Princesa. À velocidade da luz, para o senhor seu pai.

Que é difícil de derrotar aquela esperança vã que temos, quando fazemos perguntas com resposta mais do que óbvia, esperando uma resposta diferente daquela que sabemos ser a verdadeira.

Que os pais estão para esta esperança como o Bruno de Carvalho está para o Facebook. Sabemos que não nos devemos agarrar a ela, mas é mais forte do que nós.


A Princesa foi, pela primeira vez, convocada para uma competição de karaté fora da nossa Ilha, uma espécie de corolário para o esforço que tem feito e para a qualidade que tem conseguido atingir. No fundo, foi um bom reforço para uma pequena karateca de oito anos.

Lá foram os pais a acompanhá-la, aproveitando para ajudar a cuidar de uma série de miúdos que foram ao campeonato, num esforço que muito gozo lhes deu. Lidar com miúdos fantásticos, num clu…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XCVI*

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Que a boa educação se aprende em casa.
Que, já agora, o bom gosto também se deve aprender por lá.
Que há heranças que não são convertíveis em valores mensuráveis em cifrões.
Que há clubes. E depois há a Académica. 
Que se está a conseguir ensinar aquilo que se aprendeu. 
Férias significa, sem excepção, regressar a Coimbra. Uma fuga para casa vindos de casa, numa dualidade típica de quem vive entre locais onde se sente bem. De quem tem a fortuna de, como os adolescentes, poder fugir de casa para, rapidamente, voltar a casa. 
Em Coimbra, há uma feliz via sacra, aquelas coisas que nunca falham, na impossibilidade de fazer tudo o que queremos e de conseguir manter o contacto com toda a gente. Há locais e hábitos que não falhamos. O jantar com os amigos de sempre, as estadias nas nossas casas, a ida a Cantanhede ver aqueles que resistem ao tempo,...
Passar pelo estádio da Académica é uma das estações desta via sacra que não costuma faltar. Pelas quotas de sócios que há para pagar, pelos b…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XCV

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Diz a sabedoria popular que a vida dá muitas voltas, legitimando a tendência do ser para voltar aonde já esteve, sejam esses lugares, físicos ou interiores, bons ou maus, num movimento circular que se vai fazendo sem que, na maioria das vezes, nos apercebamos.

Na parentalidade, estes círculos, maiores ou menores, também existem.  Na parentalidade é, igualmente, fácil, e enganador, criar uma cisão entre os papéis de pai e de filho. Entre o tempo em que nos sentimos filhos e o tempo em que somos pais. Entre o tempo em que os nossos pais fizeram o melhor que souberam, mesmo nos dias em que os levávamos ao limite da paciência, e o tempo em que esgravatamos o terreno da parentalidade, nos dias em que até a melhor das princesas nos conduz ao beco escuro da frustração.

A realidade, contudo, obriga-nos a preencher o requerimento da acumulação de funções e perceber que somos e fomos filhos e que somos pais. Como os nossos pais foram e são.

Ser um pai (relativamente) jovem, numa geração impregn…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XCIV

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Que, aos oito anos, as princesas têm uma melhor noção das prioridades que a quase totalidade dos adultos.

Que a Mariana percebe que o desporto é uma coisa bonita e que ficar no pódio não é o mais importante.

Que os adultos perdem, facilmente, da sua vista aquilo que é importante.

Que a linguagem da competição selvagem que os chatos dos adultos utilizam, e da qual, por vezes, dependem, não está  aprendida pela Mariana (e ainda bem).

A princesa é, como muitos saberão, uma destemida karateca. Aquilo que, inicialmente, começou por ser uma ocupação de tempo tem passado a ser um modo de vida, em que a Mariana tem incorporado valores e demonstrado esforço, muito bem orientada e integrando um clube que é uma família. Um descanso para qualquer pai e para este pai, em particular.

A pequena tem conseguido conjugar o seu esforço com alguma qualidade enquanto atleta. Vai ganhando umas taças e medalhas e vai passando as finais das provas em que participa, ao nível do campeonato de ilha.

No Sábado h…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XCIII

Que a idealização absoluta dos pais é indirectamente proporcional à idade dos petizes.

Que, felizmente, os nossos miúdos são capazes de nos humanizar.

Que isso não tem que assustar... aliás, permite-nos provar que os pais também se vão tornando mais maduros, à medida que as princesas se fazem gente.

Que quem diz a verdade, nunca merece punição. Diga lá o que disserem as supernannies desta vida.

A Princesa mantém uma intensa vida social. Festas de pijama, aniversários, jantares em casa de amigos ou idas ao cinema. Esta história começa numa ida ao cinema com um grupo de amigos e amigas, a cargo da J., mãe do B. (que é um puto muito porreiro).

No final do filme, houve uma romaria a casa de uma das amigas para que todos pudessem ver o seu aquário, patrocinada pela J..

Na casa da amiga, a Mariana encontrou o D., pai da amiga, que é um atleta à séria. Daqueles que correm mesmo muito e que dão voltas de avanço ao pai da Mariana (que continua em conseguir baixar dos noventa quilos, o que, vá,…

A propósito do Dia de São Valentim, uma memória sobre o amor

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Quem me conhece sabe que tenho um gosto particular por dois tipos de construções humanas: pontes e faróis. Falo muito de pontes e ainda mais de faróis. Não consigo resistir a fotografar faróis, até os mais modestos. Aliás, não tendo sido alquimista da alma, acho que seria feliz a engendrar pontes e faróis.

Seria feliz a imaginar estruturas que contêm tanta poesia, que unem, que avisam, que ajudam, que sublimam a aspereza dos elementos e que nos fazem poder ir mais além. Que nos fazem ser maiores, mais corajosos e melhores pessoas. Que estão sempre lá. Não o conseguiria, por muito que quisesse.

Há pessoas que surgem na nossa vida que conseguem ser tudo isso, sem esforço, simplesmente sendo aquilo que são. Conseguem conjugar o ser ponte com o ser farol. Hoje faz anos uma dessas pessoas. Hoje faz anos a Célia. Hoje faz anos a pessoa que me deixa fazer parte da vida dela há, quase, vinte anos.

A Célia é ponte e é farol, como mãe, como mulher e como amiga. Nem sempre as pessoas o percebem, de…

Uma matrioshka de pijama

Estamos velhos quando percebemos que, hoje em dia, as festas de pijama das garotas são uma espécie de boneca russa.

A festa de pijama acontece enquanto as presentes participam numa festa de pijama num jogo online chamado Roblox.

Inspiração para uma vida feliz

Há dias, numa consulta com uma daquelas pessoas fantásticas que a profissão nos permite conhecer, discutia-se a diferença entre inspirar e ajudar a mudar. Num tempo de imediatos, em que na espuma dos dias perdemos a noção da essência, do essencial e a consciência dos nossos limites (que nos humanizam...), é demasiado fácil prostituir a dificuldade da mudança à tentação da inspiração fugaz. Confundir uma espécie de magia permanente no quotidiano  com a necessidade de aceitar que a vida é feita de momentos mágicos que sublimam tantos outros, que lhes dão sentido e perspectiva. Confundir a nossa natureza emocional com uma espécie de empreendedorismo asséptico pateta das emoções. Quem tem o privilégio de diariamente ouvir pessoas, escutar os seus silêncios, empatizar com as suas dores, frustrações e mágoas, lida em primeira mão, com tudo o que isso implica de bom e de mau, com a crueza do ser, com as suas emoções, com aquilo que nos constitui, com o visível que procura mascarar o invisíve…

O que aprendeu, hoje, com a Mariana... - XCII

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Corria o ano de 1996, e na antecâmara de mais um jogo da Académica, fazia-se o habitual percurso para o estádio, o saudoso Calhabé, versão anterior (mas com mais identidade) do actual Estádio Cidade de Coimbra.

O percurso para o estádio tinha o seu quê de sacramental. Aprendeu-se com o avô da Mariana que era a única altura em que queimar os limites de velocidade era permitido, num mandamento que se mantém inviolável nos dias de hoje. Nesse ano de 1996, o ZX vermelho lá de casa passou entre os pingos da chuva dos radares de velocidade com uma fortuna incomensurável por várias vezes.

Além do rebentamento dos limites de velocidade, havia outros mandamentos, professados num movimento de partilha que só quem aprecia o jogo da bola consegue compreender e, empaticamente, sentir.

Ouvir o rádio, à ida para o jogo, na Rádio Regional do Centro para aquilo que, hoje, se chama projecção do jogo. Ouvir o onze inicial, discutir as opções e criticar as opções do treinador, encontrando, sempre, melhor…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XCI

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Nos Açores, numa das Quintas-Feiras anteriores ao Carnaval, comemora-se o Dia das Amigas, pretexto para reuniões de senhoras em jantares e encontros onde, espera-se, se comemora a amizade, ainda que a reboque da obrigatoriedade da tradição plasmada no calendário.
Cá em casa, tem sido sinónimo de jantar da Mariana com o seu pai, dado que a sua mãe, e bem, se reúne com as suas amigas (daquelas que estão lá sempre, seja qual for o dia da cronologia).
Este ano, num sinal de crescimento, a Mariana exigiu ir ao jantar das amigas da mãe, onde estão as suas tias emprestadas. Gente grande, do alto dos seus oito anos de idade. 
Chegada à altura do jantar, marcha-atrás. A Princesa regressou ao plano de sempre. Jantar com o pai, exigindo esperar pelo pai na clínica, enquanto se terminavam as consultas do dia. Desenhou-se. Imaginou-se. Fez-se um pai feliz com um desenho.

Hoje aprendeu-se que um simples desenho pode fazer um dia esquisito, num dia muito bom.

Que o Dia das Amigas do pai da Mariana …

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XC

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Ao nonagésimo episódio desta saga, o pai da Mariana foi apanhado na curva. Não que nunca o tivesse sido. Nunca com esta classe.

Era a Mariana muito pequena, quando o seu pai, pleno de sabe-se-lá-o-quê e inseguro q.b., lhe dizia que sabia tudo. Para provar pedia que fosse feita uma pergunta qualquer, à qual, inevitavelmente, surgia uma resposta inventada que a Princesa aceitava.

A Princesa tem crescido, como fica claro a quem acompanha estes escritos, e o prazo de validade para a suposta omnisciência do seu pai esgotou-se como as últimas areias de uma ampulheta desprovida de sedimentos.

A dada altura, lá terá sido admitido um qualquer desconhecimento à pequena, o que conduziu a que fosse aprendida, e repetida, a frase "ninguém sabe tudo, afinal". O que é verdade, claro.

Um destes dias, a Princesa chegou a casa orgulhosa de uma tarefa escolar que teria no dia seguinte, com o professor J.. Ia declamar um poema de Eugénio de Andrade na Biblioteca da mais bonita cidade açoriana. …

Uma boneca russa: geometrias variáveis dentro das Geometrias Variáveis

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Uma caricatura do mercado de Janeiro...

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...ou como alguns estão a estragar o jogo da bola em Portugal.

Luz

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E aí nos Açores não está sempre a chover?

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E isso aí na ilha tem centros comerciais? Não. E McDonald's? Não. E trânsito, agitação? Não. E discotecas? Uma. E se quiseres pegar no carro e conduzir umas dezenas de quilómetros? Não pego. E se quiseres arejar as ideias para longe de casa? Não posso (posso arejá-las a poucos metros de casa num qualquer miradouro ou paisagem). Como é que consegues viver aí, ainda para mais quando está sempre a chover?! Não compreendo, a sério que não compreendo! Como? Assim:

Um luxo e um privilégio, numa foto captada hoje, no Inverno açoriano. 

Lugares esquecidos: Fábrica da Pronicol/ELA

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Há uns tempos, o desejo pelo registo e exploração dos lugares esquecidos levou-me, na melhor das companhias, a um dos abandonados da cidade de Angra.

O destino foi a antiga fábrica da Pronicol, unidade de transformação de produtos lácteos, há muito em decadência à entrada oriental da cidade de Angra e que encerra, ainda, muitos aspectos interessantes para o registo fotográfico.

Abandonada há vários anos, em 2005 já se encontrava em estado de total decadência, continua sem destino definido, falhados projectos e ideias para a sua ocupação e reconversão.

Sei pouco sobre a fábrica e a sua história, e não consegui arranjar fotos da altura em que laborava. Ensina-me o solícito J. F. que a fábrica já laborava na década de 80, chamando-se ELA (Empresa de Lacticínios dos Açores). Em 1994 foi comprada pela Pronicol, cujas letras se vêem numa das fotos, e terá sido abandonada, aquando da construção da nova fábrica.