Quizz das Geometrias Variáveis...
Convido-vos a ler o seguinte texto e a entrar no seguinte desafio: tentar adivinhar quem o escreveu e em que ano...
Deixo-vos três hipóteses:
A) António de Oliveira Salazar, em 1930;
ou
B) José Sócrates, em 2010?
ou
c) Aníbal Cavaco Silva, em 2011?
Impotente pelas dificuldades políticas, embaraçado pelas dificuldades financeiras, o Estado não fomentava, devorava a riqueza da Nação, consumindo ou deixando consumir o capital colectivo que vinha do passado e as somas enormes que sacava do futuro.
Não teve, não podia ter os cuidados nem os fundos requeridos para se restabelecer e alargar o sistema das comunicações terrestres e marítimas, estimular a expansão da agricultura, da indústria e do comércio, resolver o problema da electricidade e provocar nova actividade, fecunda e bem ordenada, na metrópole e nos domínios coloniais. Que admira serem as taxas de juro, por virtude tais males, de mais de 11 por cento (...)! Que admira ser a produção nacional difícil e cara, batida pela concorrência estranha no mercado interno! Que admira abalançarem-se poucos a empregar dinheiro no alargamento e melhoramento da propriedade urbana e rural!
Era lógico que o custo de vida que se tem tido; era fatal a desconfiança acerca do futuro de Portugal, cá dentro e lá fora, onde o crédito minguava confrangedoramente; era inevitável que maior número de emigrantes abandonasse o país e se deprimisse o índice da marcha da população.
Na vertigem das notas, dos preços e dos câmbios o espírito de especulação e de aventura sobrepujou o negócio bem estudado e bem empreendido, a usura desenfreada tomou o lugar da remuneração legítima e comedida do capital, parasitismos numerosos substituíram-se aos lucros lícitos na criação das riquezas.
(Eis a) Desordem: a desordem económica.
Comentários