Resoluções de ano novo...
Nunca curti semelhante coisa. Nunca gostei da facilidade de nos deixarmos encadear pela ilusão da mudança instantânea e indolor, prostituindo o percurso, o caminho a percorrer para a sua concretização. Sabendo da tendência da patroa para a fantasia e sonho, procurei realizar, nos últimos anos, o ritual das passas sem falta alguma. À ingestão ritualizada de uma passa por cada desejo/ilusão respondia, invariavelmente, com uma mão cheia de uvas passas para a cavidade bucal, imediatamente deglutidas e com um pensamento automático que se assemelhava a algo como "que as merdas corram bem"... Sim. Também utilizo vernáculo em excesso nos meus diálogos internos. Este ano, no entanto, não houve passas, nem resoluções automatizadas de Ano Novo. No fundo, não houve qualquer fenómeno de condicionamento pavloviano em que a sensação de um número excessivo de passas na boa funcionava como gatilho para um vão sentimento de esperança e de reconversão. E tal não fez falta. Mesmo nenhuma. E, por curiosidade ou não, há muito que não avaliava um ano com um rating tão positivo. AAA não diria, atendendo à conjuntura e aos factores imensos que não conseguimos controlar, mas um A bem sólido faz-me sentido, estando em Janeiro de 2012. Vamos a dia sete e o espírito vai-se mantendo... A miúda cresce, o amor floresce, os amigos abraçam, o quotidiano recupera a sua tranquilidade, a Académica está a 180 minutos da Final da Taça de Portugal, o futuro não assusta. Pessimismo? Como diria o Joe Berardo, "fuck you".
Um bom ano.
Um bom ano.
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