Onde fica Angra no meio do turbilhão eleitoral? Pois...

Começou a habitual loucura eleitoral pré-eleições autárquicas em Angra do Heroísmo. Mesmo estando aqui há apenas oito anos, não é difícil de adivinhar que serão, porventura, umas das eleições mais importantes desta minha cidade.

Angra definha. Angra suplica por atenção, por respeito, por reverência. Angra deveria ser digna de um entendimento supra-partidário, digno daqueles que a dizem amar, superior a cores, a interesses ou a maquinações e oportunismos eleitoralistas.

De um dos lados, e pensando nos dois maiores partidos, vejo a habitual máquina vencedora de eleições, e construtora de narrativas, alicerçada num redentor senador partidário, após anos demasiado turbulentos da vereação existente. Do outro, vejo o desejo assumido de tornar a cidade numa cidade tauromáquica e um discurso demasiado bairrista/eleitoralista, repartido por um gasto duo dinâmico. Dos dois lados vejo acusações, algumas das quais caricatas de tão descontextualizadas. Dos dois lados, vejo mais do mesmo, mais partidocracia, distante da cidade, da população e das suas forças vivas. Não vejo, aliás ninguém vê, esperança.

Diz-se que, muitas vezes, quem vem de fora consegue ter um olhar singular sobre os locais, muito diferente da visão dos nativos que, plenos de rotinas e enviesamentos, nem sempre são os melhores juízes. Aliás, quase nunca somos juízes em causa própria. Assusta-me, enquanto angrense adoptado, o rumo que a minha cidade trilha, nalguns casos chegando a pontos sem retorno de difícil aceitação, num mar de oportunidades desperdiçadas, sem vislumbre de um rumo, de uma estratégia orientadora, alicerçada na matriz da cidade, nos valores e significado único que possui.

Angra merece mais do que tem tido. Angra, em todo o seu esplendor e plenitude, não aguentará mais quatro anos de estagnação. Angra tem limites para a flagelação.

Angra merece mais. Pelas curtas amostras demonstradas até agora, temo pelo tempo perdido.

E a UNESCO continua a dormir... E, isso sim, é uma pena.

Comentários

Anónimo disse…
Hello. And Bye.

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