As mutações imprevisíveis, os finais inesperados, as sequelas intragáveis, os pequenos nadas e as triviais/fundamentais dúvidas existenciais que pontuam, inapelavelmente, o quotidiano. Pelo menos o meu...
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Alguém que a ajuda a concretizar aquilo que, por vezes, parece impossível.
Alguém que dá "asas", sempre que é preciso, ou seja, sempre.
Hoje foi dia de regresso ao mundo dos lugares esquecidos, na companhia do H. e do C.. Destino: o campus de Angra da Universidade dos Açores. Destino: mais um confronto de frente, doloroso, com a realidade de um país que renega o passado e que o esquece, demasiado rápido, sem ponderar custos (financeiros e emocionais).
Uma escola, uma Universidade, é um espaço vivo, com memórias, com história, elemento de passagem de milhares de pessoas, no seu percurso pelos trilhos do conhecimento e do desenvolvimento. Dizia o H. que, na primeira vez que tinha visto tal cenário, tinha ficado triste um dia inteiro. Compreendi-o depois de ver o que vi hoje.
Já lá vão, talvez, uns dois anos desde que a Universidade dos Açores, em Angra, abandonou o seu espaço na freguesia da Terra Chã, deslocando-se para novas e modernas instalações.
Passado este tempo, constata-se um estado de abandono total das antigas instalações e um vandalismo criminoso de assinalar. Uma Universidade na falência, com a sua missão …
... que aqueles que fizeram esta linda cagada, vão pintar foices e martelos. Ou os próprios genitais. Deixo a liberdade da escolha, uma palavra difícil para muitos deles, ao seu critério.
Finalizando a saga do Caramulo, em que só tenho que agradecer à patroa a sua pachorra com esta minha pancada por locais esquecidos, aqui ficam alguns retratos do Grande Sanatório e do Pavilhão de Cirurgia.
O Grande Sanatório Dr. Jerónimo Lacerda, inicialmente conhecido por Grande Hotel, foi construído em 1920, constituindo a primeira grande estrutura sanatorial, devendo o seu nome ao ideólogo da Estância. Encontra-se encerrado, aguardando um investimento privado que lhe devolva a dignidade dos tempos áureos.
O Pavilhão de Cirurgia é outra estrutura existente no Caramulo, tendo assegurado as funções cirúrgicas, inicialmente asseguradas no Grande Sanatório. As intervenções cirúrgicas eram comuns na tuberculose, o que levou à existência de uma grande actividade cirúrgica no Caramulo, protagonizadas, com maior ou menor eficácia, por vários médicos. A Estância foi, inclusivamente, visitada por vários especialistas de renome, nas décadas de 30, 40 e 50...
Depois de uma troca de ideias com o Mikos, que muito ajudou com algumas orientações, fizemos uma visita à Central Hidroeléctrica da Companhia do Papel do Prado, em Casal do Ermio, aldeia do concelho da Lousã, na margem esquerda do Rio Ceira, afluente do Mondego.
A Central permitia produzir energia hidroeléctrica para a fábrica da Companhia de Papel do Prado, possuindo as seguintes características: "pequena barragem em alvenaria, com cerca de 27 m de comprimento e 1,5 m de altura acima das fundações, com as coordenadas M=191440,27 m e P=354179,03 m (sistema Hayford- Gauss Militar), com a tomada de água à cota de 85 m; canal de derivação localizado na margem esquerda do rio Ceira, em alvenaria de pedra, de secção rectangular e superfície livre, com 1380 m de comprimento, destinado a derivar o caudal de 7,25 m³ para a câmara de carga; câmara de carga localizada no final do canal de derivação e à entrada da central, com um descarregador de superfície e com comportas de accionamento m…
O antigo Hospital de Angra continua moribundo, sem que ninguém, sequer, o ligue a uma qualquer máquina que o reabilite.
As janelas têm vista privilegiada para o esquecimento e para o abandono da memória. Dizia, hoje, o C. P. "e tu nunca trabalhaste ali..." num misto de nostalgia e revolta. Faz bem em estar revoltado. Faz mal quem não se responsabiliza pela memória colectiva de todos os que habitaram um espaço de sofrimento mas, acima de tudo, de abnegação, de vida e de alegria.
Dizia a pequena S., pouco depois, quando me apanhou a ver as fotos que tirei no telemóvel:
S. - Isto é estúpido. O Hospital podia trabalhar mais tempo. Eu nasci lá, sabes... Quem deixa fazer isto é totó.
Tem razão, a pequena S., do alto dos seus oito anos.
Faz hoje dois anos que fui acompanhar o N. na primeira vez que fez a Meia Maratona dos Bravos. Sendo uma das pessoas que muito prezo como amigo, e sendo alguém que muito admiro pela sua tenacidade e perseverança, muito me orgulhou a sua participação, numa expressão daquele sentimento bom que nos invade quando ficamos contentes por alguém. Nessa altura, achava que estaria distante o dia em que faria uma meia maratona. A ideia de correr mais de dois ou três quilómetros seguidos, sem altos e baixos, tinha o seu quê de inverosímil. No fundo, a perpetuação de uma "carreira" desportiva medíocre, à parte uns anos de voleibol com relativo sucesso.
Faz hoje um ano que enfiei na cabeça que faria a Meia Maratona dos Bravos, após ter feito a Caminhada dos Bravos (com alguma dificuldade no final, admita-se, um ano depois). No ano que fiz a caminhada, aprendi a admirar todos que iam passando, uns devorando metros, outros degustando com paciência cada centímetro. Decidi, pelo caminho, que …
Reza o mito urbano que reside em Guimarães uma mole humana de indefectíveis consquistadores, apoiantes da colectividade desportiva que lá reside, denominada Vitória de Guimarães...
Vende-se a ideia, fundamentalmente pelos próprios, que tais apoiantes são únicos em Portugal, um exemplo a seguir por todos os outros clubes e regiões, tal o amor que incondicionalmente nutrem pelo seu clube e a lealdade inabalável que os caracterizam. Um amor inquestionável que os faz colocar o clube acima de tudo e que os torna dignos sucessores de Dom Afonso Henriques*, o nosso rei conquistador, figura ímpar da nossa história de Portugal, não unicamente de Guimarães...
Tal mito urbano impede que os comuns mortais, e a imprensa que de forma acrítica glorifica tais senhores, acentuem o número de conflitos, agressões e provocações em que estão envolvidos, de forma reiterada nas últimas décadas, independentemente dos adversários com que se confrontam.
Ver os conquistadores, os guerreiros de Guimarães, os lea…
Há dias, numa consulta com uma daquelas pessoas fantásticas que a profissão nos permite conhecer, discutia-se a diferença entre inspirar e ajudar a mudar. Num tempo de imediatos, em que na espuma dos dias perdemos a noção da essência, do essencial e a consciência dos nossos limites (que nos humanizam...), é demasiado fácil prostituir a dificuldade da mudança à tentação da inspiração fugaz. Confundir uma espécie de magia permanente no quotidiano com a necessidade de aceitar que a vida é feita de momentos mágicos que sublimam tantos outros, que lhes dão sentido e perspectiva. Confundir a nossa natureza emocional com uma espécie de empreendedorismo asséptico pateta das emoções. Quem tem o privilégio de diariamente ouvir pessoas, escutar os seus silêncios, empatizar com as suas dores, frustrações e mágoas, lida em primeira mão, com tudo o que isso implica de bom e de mau, com a crueza do ser, com as suas emoções, com aquilo que nos constitui, com o visível que procura mascarar o invisíve…
Como sou um rapaz grato, agradeço ao Daniel Cardoso, o cidadão que colocou uma Santa Trindade constituída por abraços, beijinhos e avós na ordem do dia e um país inteiro a pensar em conjunto a discutir um sortido de coisas. Nem sempre se percebendo quais, contudo. E agradeço de forma sincera, sem ironia, porque me fez pensar na minha função mais importante, aquela de ser pai da Mariana. Porque me fez pensar nos pilotos automáticos em que facilmente caímos no exercício da parentalidade. E, igualmente, porque me fez reflectir sobre as minhas reacções e sobre a forma como sou pai. E, acima de tudo, porque me fez ter dúvidas e pensar nelas. Obrigou-me a mastigar o tema que, sem este epifenómeno, não seria tão pensado.
Se é certo que a personagem é abominável (uma espécie de tudólogo com opinião, supostamente, avalizada em tudo), se é evidente que a sua declaração obedeceu à sua agenda ideológica (a lógica da "ruptura com o passado" tem muito que se lhe diga...), se é óbvio que …
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