"Saúde e Democracia". Era assim que, no período pós 25 de Abril, acabavam as cartas de um dos meus avôs, operário fabril, hábil serralheiro na Fábrica da Cerveja. Nestes dias, em que procuro ensinar à Mariana a importância do voto*, não consigo deixar de lembrar nessas palavras manuscritas, encontradas em cartas antigas junto a cartazes, com letras desenhadas a caneta de feltro, que nunca chegaram a agitar os trabalhadores, em tempos em que agitar se tinha tornado possível e, sadiamente, obrigatório.
Nestes dias, lembro-me dos meus outros avós, os da aldeia, aperaltados, como se fosse Domingo de Páscoa, dirigindo-se, em conjunto, à assembleia de voto, num ritual solene, quase religioso. Lembro-me deles. Lembro-me da sua consciência da importância do voto e imagino, sem saber o que seria, o que seria querer e não poder participar, dar a sua opinião e contribuir para a construção democrática do país que é seu.
E sinto-me (ainda mais) obrigado a ensinar à Mariana a importância …