Mensagens

A mostrar mensagens de 2016

Da crise do terço da idade, aos 35 anos

Imagem
Percebemos que estamos velhos quando o Super Pai já faz papel de avô.

Sai (mais) uma medalha de lata para Portugal nos Jogos Olímpicos!

Ouro, prata e bronze. Metais preciosos que premeiam aqueles que ocupam os três primeiros lugares do pódio nas Olímpiadas, de quatro em quatro anos. O bulicio competitivo, a exigência técnica crescente, a gestão emocional da maior das competições tornam, a cada quatro anos, imprevisível a atribuição das três medalhas nas diferentes competições. O que, no fundo, torna (ainda) mais atractivos os Jogos onde o espírito olímpico se exponencia e ganha significado. Já a medalha de lata é tão previsível como a vitória de Usain Bolt, numa corrida do hectómetro, contra qualquer um que leia estas linhas ou que as tenha escrito.
A medalha de lata é para nós, enquanto povo que acompanha (?) os Jogos Olímpicos. Para nós, enquanto povo que, tal como um interruptor, activa a sua suposta cultura desportiva de quatro em quatro anos, não conseguindo disfarçar a ausência da mesma e de deixar de assumir uma ignorância atrevida que se traduz numa exigência cega e num gatilho fácil para opiniões e para teclad…

Lugares esquecidos: Farol da Ponta dos Rosais, Ilha de São Jorge

Imagem
O Farol da Ponta dos Rosais, localizado na Ilha de São Jorge, foi inaugurado no primeiro dia de Maio de 1958, sendo na altura considerado como o melhor e tecnologicamente mais avançado estrutura faroleira nacional, aspecto que me já me tinha sido confidenciado pela M.J., simpática colega que, em tempos, já residiu. O projecto inicial foi da autoria de João Lobo Fialho.

Este farol distinguia-se, igualmente, pela sua auto-suficiência de energia e água, dada a distância da povoação mais próxima (Rosais)
Em 1964 foi temporariamente abandonado pelos seus habitantes aquando da crise sísmica dos Rosais e da erupção submarina que então ocorreu nas suas proximidades. Passada a crise, permaneceu habitado até 1 de Janeiro de 1980, sendo então definitivamente evacuado na sequência dos desabamentos de falésias provocados pelo terramoto de 1980 que, igualmente, fustigou a Terceira (provocando danos irreparáveis no Farol da Serreta). Passou a funcionar automaticamente após aquela data, deixando de e…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXIV

Que há semi-verdades, que não são totalmente mentiras, que podemos usar sem problema de consciência.

Que há oportunidades que têm que ser aproveitadas, tal como o Éder fez hoje.

Que educar bem uma criança para o caminho certo, quando a nossa Causa desceu de divisão, é muito difícil.

Mariana (ao telefone porque está nas primeiras férias com os avós) - Parabéns, papá. Portugal ganhou o jogo! Eu estive a ver!

Pai de Mariana (que possui um conflito de interesses com o Éder desde que este saíu da Académica* e, no momento da frase seguinte, corou interiormente de vergonha) - Sabias que o senhor que marcou o golo aprendeu a marcar golos na Académica?

Mariana - A sério, papá?!

Pai de Mariana - Sim! O golo foi aprendido na Académica.

Mariana - Boa, papá!

* Que está descrito para a posteridade neste blogue.

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXIII

Diz a A., irmã do coração que é só um jogo de onze homens de cada lado atrás de uma bola.

Tento eu, e o F., explicar-lhe, atabalhoadamente, que não. Falhamos a explicar aquilo que não se explica.

A Académica é uma das filosofias cá de casa. Hoje, com a sua descida de divisão, catorze anos depois, foi um dia triste.

Hoje aprendeu-se que, com um dia triste, se pode perceber que a incondicionalidade desta e de outras coisas vai sendo aprendida. E isso é bom. Muito bom.

Pai de Mariana (com um buraco negro no coração): Mariana, hoje aconteceu uma coisa muito má à Académica?

Mariana: O que foi?

Pai de Mariana: A Académica desceu de divisão...

Mariana: O que é isso?

Pai de Mariana: Vão deixar de jogar com os melhores... terão que ganhar muitas vezes para voltar a jogar na Primeira Divisão.

Mariana: Não foram bons.

Pai de Mariana: Sim.

Mariana: Ok.

Pai de Mariana: Mas somos da Académica na mesma, certo?... (medo na resposta)

Mariana: Sim, claro que sim.

Das palavras que é uma pena que não sejam usadas mais vezes... - VI

Salamaleques.

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXII

Que as mensagens passam.

Que vale a pena travar um trabalho constante contra a insegurança e contra a estúpida tendência do ser humano para o sofrimento.

Que, ainda assim, há uma ténue fronteira entre a segurança pessoal e o reflexo do Narciso e que há que ter cuidado com ela...

Mariana (durante uma viagem de carro em que já tinha questionado os pais sobre o sentido da vida) - É bom ter uma filha, não é?

Pais de Mariana - Sim.

Mariana - Mas ter-me a mim é melhor ainda, não é?

Pai de Mariana (em pensamento) - Mai'nada!

Praga e as suas garras, como diria Franz Kafka

Imagem

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXI

Serão caseiro, com a televisão sintonizada na RTP Açores, aquando da transmissão do noticiário (sim... cá em casa vê-se, religiosamente, as notícias açorianas. Sim... este que vos escreve é o único que professa, voluntariamente, tal religião). Passa uma peça sobre a Feira da Mulher, realizada em Angra.

Mariana - Também há a feira do homem?

Pais de Mariana - Não.

Mariana - Então se existe a feira da mulher, também devia existir a feira do homem.

Pais de Mariana - E o que é que tu achas disso?

Mariana - Se só há a feira da mulher é uma coisa totó.

Hoje aprendeu-se que a Mariana está a desenvolver o conceito de igualdade.

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXX

Que a Princesa continua a crescer bem.

Que a sua relação com os livros e com as histórias continua a mudar.

Que há dinâmicas que se estão a inverter.

Que a autonomia se vai construíndo...

Mariana (com um livro na mão, após a hora de jantar): Papá, queres que te leia um livro?




O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXIX

Que o relógio está a contar.

Que em casa de ferreiro...

Que a Princesa cresce mais rápido do que a capacidade de adaptação do senhor seu pai.

Mariana e pai, em pleno momento Domingo de manhã, estavam na sala. Cada um tinha o seu "momento zen". Ela via bonecos, ele lia o jornal. A mãe dormia. O Domingo de manhã ninguém lhe tira.

Mariana (após ver uma cena dos desenhos animados) - Papá, viste? Bateu-lhe no pipi!

Pai de Mariana (numa habitual exercício de negação do crescimento da pequena) - Então, Mariana?!

Mariana - Tens razão. Bateu na pénis dele!

Pai de Mariana (repetindo o exercício de negação) - Mariana, não digas isso.

Mariana - Porquê? É o nome certo. Bateu-lhe na pénis. Tu também tens uma pénis. E eu tenho uma "vegine".

Pai de Mariana (em pensamento) - Está bonito, está...


Quando levar a mal, no Carnaval, devia ser obrigatório...

Mais uma vez, na época carnavalesca, deambulando pelos canais televisivos, foi impossível não nos depararmos com as reportagens, por vezes inenarráveis, sobre os Carnavais espalhados pelo país. Por esses dias, dou sempre por mim a lembrar um pequeno "E" que encontrava colocado nos calendários no quadradinho reservado ao dia de Carnaval, que me intrigava quando andava na escola, em petiz. Se é dia de Carnaval, porque raio aparece um "E" e não um "C", pensava.

Este ano dei por mim, novamente, a pensar no Entrudo ou, dito de maneira diferente, a rejeitar, ainda mais, o entendimento bafiento e abrasileirado que se tornou regra em Portugal quando se aproxima esta altura do ano. Não deixa de ser irónico que o povo que se está a abrasileirar no Carnaval, tenha sido o povo que levou as práticas do Entrudo para o Brasil... Sim, as voltas da história são retorcidas. No fim de contas, o que muitos fizeram, ao longo dos tempos, foi trocar a tradição portuguesa de fest…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXVIII

Que, quando as sinapses se vão formando a bom ritmo, a linguagem começa a ganhar novos significados.

Que o sarcasmo, ainda que os petizes não o saibam definir a contento, se aprende bem cedo.

Que as definições dos conceitos de uma pequena de seis anos é muito mais interessante do que aquelas que os adultos encontram. Mesmo.

Que, como noutras alturas, a Princesa está a crescer bem.

Cá em casa, temos um cão. Gostamos tanto dele, como ele gosta de fazer covas no jardim. E, no episódio da história de hoje, autênticos túneis. Sim. O cão é grande e desaparece nele.

Pai de Mariana (enquanto voltava a tapar o túnel, gesto que o cão aprecia tanto, mas tanto que tende a retomar o seu túnel capaz de propiciar a evasão de um El Chapo qualquer): Tobias, não! Não!

Mariana (enquanto olha para o cão e ajuda no trabalho de Sísifo que o seu pai tende a repetir): Posso agradecer ao Tobias?

Pais de Mariana: O quê?!

Mariana: Agradecer quando uma coisa é má...

Pais de Mariana (renitentes...): Podes...

Mari…

Académica

Na minha profissão, enquanto psicólogo, falo muito de limites, da necessidade de os estabelecer, de os respeitar e da firmeza necessária quando os mesmos são ultrapassados. Da forma como os mesmos, por exemplo nas relações, não devem ser re-traçados de forma recorrente, de uma forma que perturbe uma das partes e que lhe roube a sua identidade, os seus valores, a sua singularidade enquanto pessoa.

Hoje, com este vergonhoso mercado de Inverno, batemos mais uma vez no limite, aquele que retraçamos há anos. Aquele que já estava mais do que ultrapassado, aquando da FInal da Taça de 2012. Foi uma das maiores alegrias da minha vida, mas deu um balão de oxigénio a quem não o merecia. A quem não o aproveitou. Não, poupem as teclas, não estou a dizer que preferia não ter ganho a Taça. Estou a dizer que me revolta onde estamos, só, quatro anos depois. Em tudo, TUDO, estamos pior. Em TUDO continuamos a ultrapassar limites. Dir-me-ão que na formação estamos melhor. Não sei. Tardamos em ter uma polí…

O voto açoriano

Além dos 52% que fizeram de Marcelo o nosso Presidente, há outro número a reter, aqui nos Açores.

Uma Região em que quase 70% dos eleitores escolhem não votar terá que se deitar no divã e pensar sobre si mesma, sarando as suas dores. Que o faça e rápido... Este número é um susto e um perigo, 
Bem sei que uma democracia doente possa ser conveniente para alguns, mas há valores que têm que ser absolutos. O ideal democrático é um deles.

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXVII

Que a sondagem à boca das urnas/do coração da Mariana, ditou um vencedor (in)esperado.

Que as ideologias da Mariana são, pelos vistos, inabaláveis, eleição após eleição... o Álvaro Cunhal morreria de inveja.

Que as dificuldades de compreender o significado de umas eleições é directamente proporcional às certezas que cria e mantém no seu coração.

Pai de Mariana - Sabias que amanhã é um dia importante, Mariana? Amanhã, eu e a mãe, vamos votar.

Mariana - Votar? Para que é isso?

Pais de Mariana - Para escolhermos pessoas que vão tomar decisões por nós e em quem sentimos que podemos confiar. Decidimos qual será a melhor pessoa e escolhemo-la.

Mariana (com um ar que colocaria qualquer um dos reais candidatos em sentido) - Vão votar na Tia L.*, não é?

Pais de Mariana - Não...

* Uma das tias do coração da Princesa, na Terceira.

Desaparecido da/na Ilha Terceira

Imagem
Desapareceu, da Ilha Terceira, há várias semanas. 
Tem quatro biliões e meio de anos, ainda que aparente ter menos idade.

Quando desapareceu trajava de amarelo, com tons de dourado, emanando brilho das suas vestes.
Já foi visto, episodicamente, na Terceira, nos últimos tempos, pelo que se acredita que não terá abandonado, de vez, a Ilha. Há, assim, esperança que possa ser encontrado e trazido, de novo, ao convívio daqueles que lhe são queridos.
Aproximadamente cinquenta e cinco mil pessoas aguardam notícias, desejosas do seu aparecimento.
É portador de doença psiquiátrica, padecendo de Perturbação Bipolar, alternando, de forma inexplicável, períodos de brilho intenso com longos períodos de ausência e de evitamento social, desaparecendo do convívio de todas as pessoas, mesmo das mais familiares. 
Quaisquer notícias sobre o seu paradeiro deverão ser comunicadas às autoridades competentes ou a qualquer terceirense interessado.
Chama-se Sol. Responde, igualmente, por solis, para os amant…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXVI

Que há atenção, muito mais atenção do que pensamos nos olhos de uma pequena de seis anos.

Que a parentalidade é, mesmo, uma soma de pequenas coisas que, dia após dia, ganham dimensão.

Que, numa parentalidade feliz, os olhos de uma pequena de seis anos estão, magneticamente, à procura das pequenas coisas, aquelas que são segurança e que marcam. No bom sentido. No único sentido que deveria existir.

Que somos uns terroristas, quando nos esquecemos de tudo isto.

Que, quando não nos esquecemos, podemos sentir um genuíno orgulho nos pais que conseguimos ser.

Mariana (percebendo que o pai está a usar uma pulseira que ela construiu para ele há uma série de meses, que não terá o ar mais masculino do mundo) - Papá estás a usar a pulseira que eu fiz para ti?

Pai de Mariana - Sim.

Mariana (com um ar pleno de perspicácia) - E usas no trabalho?

Pai de Mariana - Sim.

Mariana (com o mesmo ar) - E as pessoas não dizem nada? Não dizem que andas com uma pulseira de menina?!

Pai de Mariana - Dizem.

Maria…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXV

Que a linguagem é plena de subtilezas.

Que a aculturação terceirense da Mariana enriquece o manancial de subtilezas possíveis na língua portuguesa.

Que, aos seis anos, alguém começa a dar nota da sua personalidade.

Que há tempos que estão a terminar.

Pai de Mariana (regressado a casa depois de não ter encontrado um furacão, a seguir ao trabalho) - Estás a comer uma pastilha elástica?

Mariana (a mascar de forma visível) - Não! Isto é uma gama.

Pai de Mariana - E qual é a diferença?

Mariana (com o ar mais seguro do mundo, qual Obama no discurso do Estado da Nação) - Uma gama* não faz balões, a pastilha elástica faz!

Pai de Mariana (em pensamento, a tentar não dar parte de fraco, depois de ficar confundido com a resposta segura da Princesa e a olhar de soslaio para a mãe de Mariana, procurando uma qualquer confirmação e/ou resposta...) - Mas uma gama não é sempre igual a uma pastilha elástica?!

Pai de Mariana - Pronto, pronto... Deita isso fora, rápido.

Pai de Mariana (uns segundos depoi…