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A mostrar mensagens de 2017

Será sempre a árvore da vida.

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Não se explica. Sente-se.

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As laranjas, diz a lenda, eram cultivadas pelas ninfas como veículos da imortalidade. Quem acedesse aos pomos de ouro das laranjas, sublimava a morte e o esquecimento.

Há cidades que encontraram as ninfas, e as suas laranjas, há muito. Provaram e lambuzaram-se com as suas laranjas. Coimbra é Coimbra. As ninfas estarão, com certeza, orgulhosas.


Não se explica, sente-se.

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXVI

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No relato de hoje, a Mariana contou com ajuda de outros petizes, as primas L. e C. e de um amigo, o D..

Sala cheia no Dia de Natal. Em todos os ângulos da divisão vislumbravam-se os pacotes, brinquedos e restos de papel de embrulho, rasgados, com ânimo e vigor, num movimento alimentado pela curiosidade das pequenas. Como tão facilmente acontece, o número de presentes das Princesas foi proporcional à sua ansiedade, na fase prévia à sua abertura, e da sua alegria, após um festival de luz e som do papel de embrulho e dos laços pelo atmosfera. Resultado, overdose de brinquedos alimentada pelo anseio dos pais e avós de corresponder àquilo que as Princesas esperavam e de lhes proporcionar alegria e, através das ofertas, veículos para boas sensações. Segundo resultado, atenção dividida por demasiadas coisas e poucos brinquedos verdadeiramente desfrutados. Shame on us.

O D., filho do N. e da A. (a nossa irmã-sem-ter-sido-parida-pela-avó-da-Mariana), chegou estremunhado da viagem de carro e só d…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXV

Que a época natalícia é pródiga na lembrança de (boas) memórias de Natais passados em família.

Que as avós e os avôs são peritos atentos na arte de (des)encaminhar petizes e que conhecem como ninguém as portas travessas da parentalidade.

Que o Menino Jesus, na casa da avó D., se chamará sempre Jesus.

Que é uma fortuna poder passar mais um Natal com a minha família e que a Mariana tem uma colecção de avós, bisavós, tios e primas de qualidade superior.

Que quem não está continua, contudo, a fazer falta. Que, mesmo não estando, tem lugar algures na mesa imaginária, onde o machado não corta nem o pensamento, nem o amor.

O Pai da Mariana teve uma carreira religiosa curta e deixou a prática religiosa após a Primeira Comunhão, para grande tristeza da senhora sua mãe. Foi para a catequese, aquilo que um jogador chamado Porfírio foi para o futebol ou Rick Astley para a música. Uma eterna esperança.

Num dos primeiros Natais que a Princesa já arranhava umas palavras, alguém, que não pode ser ide…

Ensaio sobre a cegueira

Há que ouvir os especialistas. Atender à sua opinião. Aprender com os seus ensinamentos. Valorizar quando as Frentes e as pessoas falam sobre aquilo que sabem. Estes tipos sabem do que falam. Sai um honoris causa em cegueira para a FLA.

O Natal nas Portas da Cidade a Oriente

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Rumo a Oriente @ SATA Dash Q400

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Noite feliz em Angra do Heroísmo, a jóia dos Açores

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O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXIV

Que a Mariana está atenta ao que se passa à volta dela e que a resposta, quando é rápida de mais, tende a enfermar de grandes lacunas no acerto e no rigor. Até em pequenas Princesas de oito anos.

Que, nalgumas alturas, aquilo que aprendemos com ela é, simplesmente, rir a bandeiras despregadas em conjunto com as pessoas que gostamos.

Que, rir em família, em ambiente de partilha, comunhão e amizade, sabe bem melhor.

Que a família está muito para além de simples laços de sangue e que a Mariana tens umas tias, tios e primos terceirenses à altura.

Que o pai da Princesa faz, mesmo, uns gins do caraças!

Contexto: jantar de Natal de parte da nossa família terceirense, em casa de uma das tias da Mariana, a L..

Como típico jantar de Natal que se preze, houve troca de prendas e tudo a que tivemos direito, até um sacrifício de um pequeno suíno, ali para os lados da Grota do Medo.

À chegada progressiva de tias e tios, a Mariana ia cumprimentando quem ia entrando.

Tia C. - Mariana, a prenda que com…

Já se podem fazer piadas sobre o Marco...

...ou é demasiado cedo?

A minha proposta para o novo logótipo da IURD

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A propósito das recentes notícias vindas a público sobre a Igreja Universal do Reino de Deus e as adopções que promovia de crianças que teria, estranhamente, a seu cargo, achei-me na obrigação de contribuir, pro bono, com um novo logótipo para a referida empresa. A imagem corporativa é um valor de mercado e deve, naturalmente, exprimir a missão da entidade. Aguardo o agradecimento do bispo Macedo.

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXIII

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Ao octagésimo segundo relato desta saga* aprendeu-se, novamente, que a Princesa tem poderes.

Que consegue ter um coração gigante que desafia um Oceano. E que lhe ganha por capote, como se dizia antigamente.

Que uma viagem surpresa dos avós, do avô e da bisavó para o seu aniversário, demonstra que o coração está bem desenvolvido e que valeu a pena a Princesa ter comido muito ao longo dos anos. Que quem está longe está bem viva no seu coração.

Que o avô que não veio continua no seu coração, mesmo que sem nunca o ter conhecido. As perguntas recorrentes demonstram-no e a satisfação de receber uma nova foto dele provam-no. Que quem ela nunca conheceu, também cabe num coração enorme que só pode orgulhar.

Que a batalha continua, para sublimar um Oceano.

Que ficámos todos, os de cá e os "lá de fora" mais revigorados nessa luta.


* Mantém-se o objectivo de chegar ao centésimo relato para construir um livro para a Princesa...

É fugir, senhores, é fugir!

Num raríssimo, e irónico, volte-face da história, a senhora da Raríssimas passou a utente da instituição que terá gerido conjuntamente com o herdeiro da parada, com base num paradigma alimentado a gambas e motores germânicos.

É que, pelo que vejo e leio, a senhora só pode ter contraído lepra, varíola ou peste bubónica, entre hoje e ontem, tendo em conta a quantidade de pessoas ilustres que dela fogem como o mafarrico foge da cruz.

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXII

Que, nalgumas coisas, ser pai de uma Princesa é mais complexo que ser pai de um Príncipe.

Que, por muito que brinquemos com o assunto, temos medo daquilo que não controlamos. Futuros putos borbulhentos na puberdade entram nessa definição.

Que o medo nos faz antecipar até aquilo que não faz sentido. Nenhum, mesmo.

Que, mais uma vez, em casa de ferreiro não há espetos de ferro, só de pau oco.

Que o M. e o B. são só miúdos e que são muito porreiros, daqueles que dá gosto que façam parte da vida da Princesa.

Um destes dias, a Princesa teve uma demonstração de basquetebol. Como se diz pela Terceira, a Mariana e os colegas foram todos prezados participar numa exibição do seu escalão de formação, no intervalo do jogo de basquetebol dos grandes.

Após o intervalo, a Mariana ia aparecendo e desaparecendo na bancada, enquanto brincava com os amigos.

Chegados a casa, o pai pergunta, naquele modo que os pais têm em que conseguem ser só uns chatos. O Pai da Mariana tem muito momentos desses.

Pai de…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXI

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Que a escola, em todo o seu esplendor, começa a implicar que a Princesa traga para casa desafios, que vão muito além dos corriqueiros trabalhos de casa. A discussão do sistema reprodutor é um deles.

Que, apesar disso, pode haver momentos divertidos em tais desafios. Pelo menos, por enquanto.

Que a aprendizagem daquilo que significa ser homem e pai de uma Princesa continua, sendo de registar progressos.

Que, realmente, a nobre arte de ser alquimista da alma, termina à porta de casa. Que ser psicólogo em casa própria nunca funciona.

Que, felizmente, não estamos sozinhos na luta.

Há uns tempos, era a Princesa ainda mais pequena, Filipe deparou-se, muito mais cedo do que esperava/temia, numa viagem de carro, com a mais sacramental das perguntas.

Princesa - Pai?

Pai da Princesa - Sim?

Princesa - Como é que fazem os bebés?

(longo silêncio...) Pai da Princesa - Tens que perguntar à mãe, ela depois explica-te... (sim, shame on Filipe).

Como sempre, o evitamento revelou a sua perversa eficácia…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXX

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Hoje, cá em casa, acompanhou-se o jogo entre a Académica e o (ler alto) Porto (ler baixinho) B. Jogo interessante, em que a equipa mais interessante das duas conseguiu uma vitória in extremis, no último lance do jogo.
Hoje, cá em casa, sofreu-se a bom sofrer.
A mãe da Mariana saiu de casa, durante o jogo. Algures, pela segunda parte, a Princesa juntou-se ao seu pai, no aconchego do sofá, com a melhor equipa do mundo em vantagem. Foi, a partir daí, o melhor jogo da Académica que vi, fosse qual fosse o resultado.
Entretanto, a mãe da Princesa regressou. Entretanto, o (ler alto) Porto (ler baixinho) B, num tributo à injustiça, empatou o desafio*, levando a um aumento exponencial da tensão que se vivia no sofá cá de casa.
Os ventos da fortuna e da justiça trouxeram o empate, no último sopro do jogo, num lance pleno de abnegação de uma equipa que, hoje, orgulhou.
O pai da Princesa saltou e gritou com a Princesa ao colo ("Pai, estás a magoar as minhas costelas!"), sob o olhar ben…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXIX

Que a espécie papis babadus aparece, cá em casa, de vez em quando.

Que é demasiado fácil que a Princesa provoque o seu aparecimento.

Que, quando Filipe se transforma em papis babadus, ocorre um estado de insanidade temporária que o impede de ver as coisas como elas são, além daquilo que ele gostava que fosse.

Que os pais são muito pouco resistentes às suas princesas. Mesmo. E que, quando se transformam em papis babadus, são tão manobráveis como um carro com direcção assistida, daqueles bons que têm um botão para que a direcção se torne ainda mais fácil de usar.

Que as mães atentas e competentes usam a cabeça nas alturas certas, sem escorregarem na baba dos seus congéneres parentais.

Que é bom passar por isto tudo.

Que, lá no fundo, a Princesa está a crescer todos os dias e que o esforço de a acompanhar, sem escorregar na baba, existe, dia após dia.


Este relato tem três actos, que compreendem o esplendor da Princesa, o advento do papis babadus e a sua, pouco surpreendente, derrota face…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXVIII

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Que, na senda do que foi escrito aqui e aqui, há coisas que estão a mudar.

Que, afinal, as "Marias Rapaz" gostam de andar de saia e botas "fashion".

Que o guarda-roupa de uma "Princesa Maria Rapaz" pode fazer sucesso junto das outras princesas, mormente daquelas que fazem anos.

Que a Princesa tem uma perspicácia e criatividade digna de registo e que a velocidade de raciocínio aumenta à velocidade da luz. Ou de um unicórnio no meio do arco-íris.

Que é difícil acompanhar um unicórnio no meio do arco-íris nos dias mais esquisitos e sombrios. Que, contudo, temos que ser mais rápidos que eles. Se custa...

A Princesa, na lufa-lufa da sua vida social agitada, foi a um aniversário da Princesa M., colega de escola. Com uma estranha resignação, vestiu-se com uma saia e umas botas que tem, onde constam um unicórnio e um arco-íris. Fica linda, numa opinião imparcial.

Deixada pela mãe, coube ao pai ir buscá-la no final da celebração.

A P., mãe da aniversariante, por e…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXVII

Por estas semanas enfrentámos, cá em casa, um pequeno tumulto com dois inimigos muito bem identificados para a Princesa: a saia e o vestido. A Princesa tem muito orgulho no seu estatuto de Maria Rapaz e defende-o com unhas e dentes. Ou, no caso vertente, com calças de ganga e calças de fato-de-treino.

Procurou-se, com sucesso limitado, alargar o guarda-roupa da Princesa. O tumulto aumentou de tom, fazendo com que a oposição a Robert Mugabe no Zimbabué pareça um conjunto de meninos. Muito novos e inofensivos.

Pelo caminho, a insistência, persistência e paciência, com muito pouca ciência, dos seus pais compensou. Nas últimas semanas, a vergonha tem levado uma coça e a Princesa vai percebendo que pode ser uma Maria Rapaz de saia. Ou de vestido.

Um destes dias, num daqueles momentos de conversa que o quotidiano faz esquecer, surgiu mais uma das pérolas da Princesa (que estes escritos ajudam a não esquecer...).

Mariana - Tu gostas de unicórnios?

Pai de Mariana - Sim. Sabes quem é que gosta…

Lugares esquecidos: Hospital de Angra do Heroísmo

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A memória em ruína num hospital abandonado (há tempo demais) em plena cidade Património.

Uma ferida na cidade mais bonita dos Açores, infectada sem antibiótico à vista.

Um abandono que dói a todos aqueles cujas memórias também passam por ali.




O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXVI

Que a sua avó materna tem, mesmo, sempre razão.

Que quando Filipe era petiz e ouvia "quando chegares cá, e fores pai, vais ver" a avó da Mariana tinha toda a razão.

Que quando Filipe não conseguia entender a estranheza com que os pais lidavam com os jogos de computador, consolas e afins, isso só era uma expressão da sua imaturidade. Ainda que o seu pai fosse um craque num jogo chamado Duck Hunt... E, diga-se, o avô da Mariana não se safava mal no Tetris.

Que há saltos que se dão sempre, quando alguém cresce. Que há saltos que quem já cresceu muito, não consegue acompanhar. Por muito que queiram.

A princesa descobriu o Youtube. Aos sete anos o esforço dos pais é uma formiga ao pé de dezenas de pares da princesa na escola e ATL.

A princesa, para desgosto do seu pai descobriu os youtubers. Para desgosto ainda maior, descobriu só os brasileiros. Sem desprimor para os nativos do país de terras de Vera Cruz, são ainda mais chatos.

Filipe não consegue entender aquilo. Filipe não co…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana - LXXV

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Que há coisas que, de tão simples, não são detectadas pelo olhar chato de um adulto.

Que há um radar impressivo e preciso no olhar de uma princesa de sete anos.

Que o simples distrito de nascimento de uma pessoa, pode ser o tesouro de outra.

Que a princesa, no fundo, é uma grande apoiante da Autonomia dos Açores. Mesmo que não saiba.


A princesa, apesar de crescer no meio do Atlântico, foi nascer à mais bela cidade do mundo, numa decisão tomada pelos seus pais. Só podia.

Na habitual, e saborosa, conversa de final de dia, faz-se o balanço do dia-a-dia, em que os pais, por muito que se inove, repetem a mesma questão.

Pai de Mariana - Como foi o dia hoje, na escola?

Mariana - Bom. *

Pai de Mariana - E aconteceu alguma coisa nova? Houve alguma coisa boa no teu dia?

Mariana (com um sorriso vitorioso) - Sou a única que tem distrito da turma! Sou de Sé Nova, distrito de Coimbra! Mais ninguém tem distrito na turma só eu.**