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A mostrar mensagens de Novembro, 2017

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXI

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Que a escola, em todo o seu esplendor, começa a implicar que a Princesa traga para casa desafios, que vão muito além dos corriqueiros trabalhos de casa. A discussão do sistema reprodutor é um deles.

Que, apesar disso, pode haver momentos divertidos em tais desafios. Pelo menos, por enquanto.

Que a aprendizagem daquilo que significa ser homem e pai de uma Princesa continua, sendo de registar progressos.

Que, realmente, a nobre arte de ser alquimista da alma, termina à porta de casa. Que ser psicólogo em casa própria nunca funciona.

Que, felizmente, não estamos sozinhos na luta.

Há uns tempos, era a Princesa ainda mais pequena, Filipe deparou-se, muito mais cedo do que esperava/temia, numa viagem de carro, com a mais sacramental das perguntas.

Princesa - Pai?

Pai da Princesa - Sim?

Princesa - Como é que fazem os bebés?

(longo silêncio...) Pai da Princesa - Tens que perguntar à mãe, ela depois explica-te... (sim, shame on Filipe).

Como sempre, o evitamento revelou a sua perversa eficácia…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXX

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Hoje, cá em casa, acompanhou-se o jogo entre a Académica e o (ler alto) Porto (ler baixinho) B. Jogo interessante, em que a equipa mais interessante das duas conseguiu uma vitória in extremis, no último lance do jogo.
Hoje, cá em casa, sofreu-se a bom sofrer.
A mãe da Mariana saiu de casa, durante o jogo. Algures, pela segunda parte, a Princesa juntou-se ao seu pai, no aconchego do sofá, com a melhor equipa do mundo em vantagem. Foi, a partir daí, o melhor jogo da Académica que vi, fosse qual fosse o resultado.
Entretanto, a mãe da Princesa regressou. Entretanto, o (ler alto) Porto (ler baixinho) B, num tributo à injustiça, empatou o desafio*, levando a um aumento exponencial da tensão que se vivia no sofá cá de casa.
Os ventos da fortuna e da justiça trouxeram o empate, no último sopro do jogo, num lance pleno de abnegação de uma equipa que, hoje, orgulhou.
O pai da Princesa saltou e gritou com a Princesa ao colo ("Pai, estás a magoar as minhas costelas!"), sob o olhar ben…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXIX

Que a espécie papis babadus aparece, cá em casa, de vez em quando.

Que é demasiado fácil que a Princesa provoque o seu aparecimento.

Que, quando Filipe se transforma em papis babadus, ocorre um estado de insanidade temporária que o impede de ver as coisas como elas são, além daquilo que ele gostava que fosse.

Que os pais são muito pouco resistentes às suas princesas. Mesmo. E que, quando se transformam em papis babadus, são tão manobráveis como um carro com direcção assistida, daqueles bons que têm um botão para que a direcção se torne ainda mais fácil de usar.

Que as mães atentas e competentes usam a cabeça nas alturas certas, sem escorregarem na baba dos seus congéneres parentais.

Que é bom passar por isto tudo.

Que, lá no fundo, a Princesa está a crescer todos os dias e que o esforço de a acompanhar, sem escorregar na baba, existe, dia após dia.


Este relato tem três actos, que compreendem o esplendor da Princesa, o advento do papis babadus e a sua, pouco surpreendente, derrota face…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXVIII

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Que, na senda do que foi escrito aqui e aqui, há coisas que estão a mudar.

Que, afinal, as "Marias Rapaz" gostam de andar de saia e botas "fashion".

Que o guarda-roupa de uma "Princesa Maria Rapaz" pode fazer sucesso junto das outras princesas, mormente daquelas que fazem anos.

Que a Princesa tem uma perspicácia e criatividade digna de registo e que a velocidade de raciocínio aumenta à velocidade da luz. Ou de um unicórnio no meio do arco-íris.

Que é difícil acompanhar um unicórnio no meio do arco-íris nos dias mais esquisitos e sombrios. Que, contudo, temos que ser mais rápidos que eles. Se custa...

A Princesa, na lufa-lufa da sua vida social agitada, foi a um aniversário da Princesa M., colega de escola. Com uma estranha resignação, vestiu-se com uma saia e umas botas que tem, onde constam um unicórnio e um arco-íris. Fica linda, numa opinião imparcial.

Deixada pela mãe, coube ao pai ir buscá-la no final da celebração.

A P., mãe da aniversariante, por e…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXVII

Por estas semanas enfrentámos, cá em casa, um pequeno tumulto com dois inimigos muito bem identificados para a Princesa: a saia e o vestido. A Princesa tem muito orgulho no seu estatuto de Maria Rapaz e defende-o com unhas e dentes. Ou, no caso vertente, com calças de ganga e calças de fato-de-treino.

Procurou-se, com sucesso limitado, alargar o guarda-roupa da Princesa. O tumulto aumentou de tom, fazendo com que a oposição a Robert Mugabe no Zimbabué pareça um conjunto de meninos. Muito novos e inofensivos.

Pelo caminho, a insistência, persistência e paciência, com muito pouca ciência, dos seus pais compensou. Nas últimas semanas, a vergonha tem levado uma coça e a Princesa vai percebendo que pode ser uma Maria Rapaz de saia. Ou de vestido.

Um destes dias, num daqueles momentos de conversa que o quotidiano faz esquecer, surgiu mais uma das pérolas da Princesa (que estes escritos ajudam a não esquecer...).

Mariana - Tu gostas de unicórnios?

Pai de Mariana - Sim. Sabes quem é que gosta…

Lugares esquecidos: Hospital de Angra do Heroísmo

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A memória em ruína num hospital abandonado (há tempo demais) em plena cidade Património.

Uma ferida na cidade mais bonita dos Açores, infectada sem antibiótico à vista.

Um abandono que dói a todos aqueles cujas memórias também passam por ali.




O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXVI

Que a sua avó materna tem, mesmo, sempre razão.

Que quando Filipe era petiz e ouvia "quando chegares cá, e fores pai, vais ver" a avó da Mariana tinha toda a razão.

Que quando Filipe não conseguia entender a estranheza com que os pais lidavam com os jogos de computador, consolas e afins, isso só era uma expressão da sua imaturidade. Ainda que o seu pai fosse um craque num jogo chamado Duck Hunt... E, diga-se, o avô da Mariana não se safava mal no Tetris.

Que há saltos que se dão sempre, quando alguém cresce. Que há saltos que quem já cresceu muito, não consegue acompanhar. Por muito que queiram.

A princesa descobriu o Youtube. Aos sete anos o esforço dos pais é uma formiga ao pé de dezenas de pares da princesa na escola e ATL.

A princesa, para desgosto do seu pai descobriu os youtubers. Para desgosto ainda maior, descobriu só os brasileiros. Sem desprimor para os nativos do país de terras de Vera Cruz, são ainda mais chatos.

Filipe não consegue entender aquilo. Filipe não co…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana - LXXV

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Que há coisas que, de tão simples, não são detectadas pelo olhar chato de um adulto.

Que há um radar impressivo e preciso no olhar de uma princesa de sete anos.

Que o simples distrito de nascimento de uma pessoa, pode ser o tesouro de outra.

Que a princesa, no fundo, é uma grande apoiante da Autonomia dos Açores. Mesmo que não saiba.


A princesa, apesar de crescer no meio do Atlântico, foi nascer à mais bela cidade do mundo, numa decisão tomada pelos seus pais. Só podia.

Na habitual, e saborosa, conversa de final de dia, faz-se o balanço do dia-a-dia, em que os pais, por muito que se inove, repetem a mesma questão.

Pai de Mariana - Como foi o dia hoje, na escola?

Mariana - Bom. *

Pai de Mariana - E aconteceu alguma coisa nova? Houve alguma coisa boa no teu dia?

Mariana (com um sorriso vitorioso) - Sou a única que tem distrito da turma! Sou de Sé Nova, distrito de Coimbra! Mais ninguém tem distrito na turma só eu.**