O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXI
Que a escola, em todo o seu esplendor, começa a implicar que a Princesa traga para casa desafios, que vão muito além dos corriqueiros trabalhos de casa. A discussão do sistema reprodutor é um deles.
Que, apesar disso, pode haver momentos divertidos em tais desafios. Pelo menos, por enquanto.
Que a aprendizagem daquilo que significa ser homem e pai de uma Princesa continua, sendo de registar progressos.
Que, realmente, a nobre arte de ser alquimista da alma, termina à porta de casa. Que ser psicólogo em casa própria nunca funciona.
Que, felizmente, não estamos sozinhos na luta.
Há uns tempos, era a Princesa ainda mais pequena, Filipe deparou-se, muito mais cedo do que esperava/temia, numa viagem de carro, com a mais sacramental das perguntas.
Princesa - Pai?
Pai da Princesa - Sim?
Princesa - Como é que fazem os bebés?
(longo silêncio...) Pai da Princesa - Tens que perguntar à mãe, ela depois explica-te... (sim, shame on Filipe).
Como sempre, o evitamento revelou a sua perversa eficácia no curto-prazo.
De lá para cá, a Princesa cresce, as perguntas vão acontecendo e os pais têm desempenhado a sua função, com menos evitamento paternal das questões difíceis. Realmente, tudo se aprende (sim, com as filhas que não são nossas, é bem mais fácil...).
Hoje, o M., amigo inseparável da Mariana veio jantar connosco. Falando da escola, à refeição, enunciaram-se os sistemas do corpo humano que os petizes estão a estudar no Estudo do Meio. A conversa foi parar ao sistema reprodutor, aquele que está a ser trabalhado com o professor J..
Aí, durante a conversa, foi possível perceber, com muito menos constrangimento do que aquele que se sentiu na conversa anterior, que os bebés nascem através da junção do ovário com o espermabogotozóide. E, que algures, no sistema reprodutor das senhoras existem as Trombas do Pinóquio.
Não. Não houve perguntas sobre como é que os espermatobogotozóide se encontra com o ovário, corrigido, mais tarde, para óvulo pelos dois. Chegarão perguntas, em catadupa, num futuro próximo.
Deixado o M. em casa, percebemos, como seria de esperar, que o crescimento dos petizes coloca perguntas a todos os pais que não são opcionais. De resposta aberta e não de escolha múltipla. Aliás, a parentalidade é uma permanente questão aberta e, nunca, uma pergunta de escolha múltipla.
Pergunta-nos, a mãe, do M., a simpática S., depois de lhe contarmos que existe um Pinóquio mal encarado em todas as mulheres, algures na barriga.
Mãe do M. - Já agora, eles perguntaram mais alguma coisa, além disso, para me preparar?...
Pai da Mariana - Ainda não chegaram à dinâmica da coisa.
Todos (em pensamento) - Uff...
Hoje, ainda, não.
Que, apesar disso, pode haver momentos divertidos em tais desafios. Pelo menos, por enquanto.
Que a aprendizagem daquilo que significa ser homem e pai de uma Princesa continua, sendo de registar progressos.
Que, realmente, a nobre arte de ser alquimista da alma, termina à porta de casa. Que ser psicólogo em casa própria nunca funciona.
Que, felizmente, não estamos sozinhos na luta.
Há uns tempos, era a Princesa ainda mais pequena, Filipe deparou-se, muito mais cedo do que esperava/temia, numa viagem de carro, com a mais sacramental das perguntas.
Princesa - Pai?
Pai da Princesa - Sim?
Princesa - Como é que fazem os bebés?
(longo silêncio...) Pai da Princesa - Tens que perguntar à mãe, ela depois explica-te... (sim, shame on Filipe).
Como sempre, o evitamento revelou a sua perversa eficácia no curto-prazo.
De lá para cá, a Princesa cresce, as perguntas vão acontecendo e os pais têm desempenhado a sua função, com menos evitamento paternal das questões difíceis. Realmente, tudo se aprende (sim, com as filhas que não são nossas, é bem mais fácil...).
Hoje, o M., amigo inseparável da Mariana veio jantar connosco. Falando da escola, à refeição, enunciaram-se os sistemas do corpo humano que os petizes estão a estudar no Estudo do Meio. A conversa foi parar ao sistema reprodutor, aquele que está a ser trabalhado com o professor J..
Aí, durante a conversa, foi possível perceber, com muito menos constrangimento do que aquele que se sentiu na conversa anterior, que os bebés nascem através da junção do ovário com o espermabogotozóide. E, que algures, no sistema reprodutor das senhoras existem as Trombas do Pinóquio.
Não. Não houve perguntas sobre como é que os espermatobogotozóide se encontra com o ovário, corrigido, mais tarde, para óvulo pelos dois. Chegarão perguntas, em catadupa, num futuro próximo.
Deixado o M. em casa, percebemos, como seria de esperar, que o crescimento dos petizes coloca perguntas a todos os pais que não são opcionais. De resposta aberta e não de escolha múltipla. Aliás, a parentalidade é uma permanente questão aberta e, nunca, uma pergunta de escolha múltipla.
Pergunta-nos, a mãe, do M., a simpática S., depois de lhe contarmos que existe um Pinóquio mal encarado em todas as mulheres, algures na barriga.
Mãe do M. - Já agora, eles perguntaram mais alguma coisa, além disso, para me preparar?...
Pai da Mariana - Ainda não chegaram à dinâmica da coisa.
Todos (em pensamento) - Uff...
Hoje, ainda, não.

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