O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXVI


No relato de hoje, a Mariana contou com ajuda de outros petizes, as primas L. e C. e de um amigo, o D..

Sala cheia no Dia de Natal. Em todos os ângulos da divisão vislumbravam-se os pacotes, brinquedos e restos de papel de embrulho, rasgados, com ânimo e vigor, num movimento alimentado pela curiosidade das pequenas. Como tão facilmente acontece, o número de presentes das Princesas foi proporcional à sua ansiedade, na fase prévia à sua abertura, e da sua alegria, após um festival de luz e som do papel de embrulho e dos laços pelo atmosfera. Resultado, overdose de brinquedos alimentada pelo anseio dos pais e avós de corresponder àquilo que as Princesas esperavam e de lhes proporcionar alegria e, através das ofertas, veículos para boas sensações. Segundo resultado, atenção dividida por demasiadas coisas e poucos brinquedos verdadeiramente desfrutados. Shame on us.

O D., filho do N. e da A. (a nossa irmã-sem-ter-sido-parida-pela-avó-da-Mariana), chegou estremunhado da viagem de carro e só despertou, verdadeiramente, quando tinha que ir embora. Provou que é um miúdo porreiro, óbvio.

Pelo caminho, naquele corropio entre pais que querem que a criança venha embora e criança que quer adiar ao máximo a ida para o carro, os petizes descobriram, no meio da sala uma cadeira. Uma singela cadeira, daquelas de escritório, com a extraordinária potencialidade de girar. Simples. Girava, num misto de helicóptero que não levantava do chão e carro com um problema na direcção só virando para um dos lados, conseguindo transportar num círculo repetitivo dois petizes, ao mesmo tempo, enquanto os outros empurravam. Chegou para entreter quatro crianças durante muitos minutos, pulverizando o número de minutos que qualquer um dos brinquedos ganhos tinha ocupado, desde a noite anterior.


Aprendeu-se, com a Mariana e os seus companheiros natalícios, que os adultos tendem a complicar aquilo que é simples.

Que a alegria genuína de uma criança não depende da conta bancária, nem dos euros que nos saem do bolso no mês de Dezembro.

Que os miúdos são miúdos e que os adultos são adultos e que os últimos olham para uma cadeira como uma simples cadeira. Totós.

Que aprendemos pouco quando lemos o Principezinho. Quem não leu é totó, já agora.

Comentários

Mais lidos

Mais um lugar esquecido: uma universidade esquecida

Os sanatórios do Caramulo nos dias de hoje...

Grande Sanatório e Pavilhão de Cirurgia - Caramulo

Lugares esquecidos: Central Hidroeléctrica da Companhia do Papel do Prado (Casal do Ermio)

Um hospital moribundo na Cidade Património

XXVIII Meia Maratona dos Bravos: Missão comprida ou cumprida?

A fuga dos conquistadores do Jamor...

Inspiração para uma vida feliz

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXIX