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A mostrar mensagens de Janeiro, 2018

O que aprendeu, hoje, com a Mariana... - XCII

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Corria o ano de 1996, e na antecâmara de mais um jogo da Académica, fazia-se o habitual percurso para o estádio, o saudoso Calhabé, versão anterior (mas com mais identidade) do actual Estádio Cidade de Coimbra.

O percurso para o estádio tinha o seu quê de sacramental. Aprendeu-se com o avô da Mariana que era a única altura em que queimar os limites de velocidade era permitido, num mandamento que se mantém inviolável nos dias de hoje. Nesse ano de 1996, o ZX vermelho lá de casa passou entre os pingos da chuva dos radares de velocidade com uma fortuna incomensurável por várias vezes.

Além do rebentamento dos limites de velocidade, havia outros mandamentos, professados num movimento de partilha que só quem aprecia o jogo da bola consegue compreender e, empaticamente, sentir.

Ouvir o rádio, à ida para o jogo, na Rádio Regional do Centro para aquilo que, hoje, se chama projecção do jogo. Ouvir o onze inicial, discutir as opções e criticar as opções do treinador, encontrando, sempre, melhor…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XCI

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Nos Açores, numa das Quintas-Feiras anteriores ao Carnaval, comemora-se o Dia das Amigas, pretexto para reuniões de senhoras em jantares e encontros onde, espera-se, se comemora a amizade, ainda que a reboque da obrigatoriedade da tradição plasmada no calendário.
Cá em casa, tem sido sinónimo de jantar da Mariana com o seu pai, dado que a sua mãe, e bem, se reúne com as suas amigas (daquelas que estão lá sempre, seja qual for o dia da cronologia).
Este ano, num sinal de crescimento, a Mariana exigiu ir ao jantar das amigas da mãe, onde estão as suas tias emprestadas. Gente grande, do alto dos seus oito anos de idade. 
Chegada à altura do jantar, marcha-atrás. A Princesa regressou ao plano de sempre. Jantar com o pai, exigindo esperar pelo pai na clínica, enquanto se terminavam as consultas do dia. Desenhou-se. Imaginou-se. Fez-se um pai feliz com um desenho.

Hoje aprendeu-se que um simples desenho pode fazer um dia esquisito, num dia muito bom.

Que o Dia das Amigas do pai da Mariana …

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XC

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Ao nonagésimo episódio desta saga, o pai da Mariana foi apanhado na curva. Não que nunca o tivesse sido. Nunca com esta classe.

Era a Mariana muito pequena, quando o seu pai, pleno de sabe-se-lá-o-quê e inseguro q.b., lhe dizia que sabia tudo. Para provar pedia que fosse feita uma pergunta qualquer, à qual, inevitavelmente, surgia uma resposta inventada que a Princesa aceitava.

A Princesa tem crescido, como fica claro a quem acompanha estes escritos, e o prazo de validade para a suposta omnisciência do seu pai esgotou-se como as últimas areias de uma ampulheta desprovida de sedimentos.

A dada altura, lá terá sido admitido um qualquer desconhecimento à pequena, o que conduziu a que fosse aprendida, e repetida, a frase "ninguém sabe tudo, afinal". O que é verdade, claro.

Um destes dias, a Princesa chegou a casa orgulhosa de uma tarefa escolar que teria no dia seguinte, com o professor J.. Ia declamar um poema de Eugénio de Andrade na Biblioteca da mais bonita cidade açoriana. …

Uma boneca russa: geometrias variáveis dentro das Geometrias Variáveis

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Uma caricatura do mercado de Janeiro...

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...ou como alguns estão a estragar o jogo da bola em Portugal.

Luz

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E aí nos Açores não está sempre a chover?

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E isso aí na ilha tem centros comerciais? Não. E McDonald's? Não. E trânsito, agitação? Não. E discotecas? Uma. E se quiseres pegar no carro e conduzir umas dezenas de quilómetros? Não pego. E se quiseres arejar as ideias para longe de casa? Não posso (posso arejá-las a poucos metros de casa num qualquer miradouro ou paisagem). Como é que consegues viver aí, ainda para mais quando está sempre a chover?! Não compreendo, a sério que não compreendo! Como? Assim:

Um luxo e um privilégio, numa foto captada hoje, no Inverno açoriano. 

Lugares esquecidos: Fábrica da Pronicol/ELA

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Há uns tempos, o desejo pelo registo e exploração dos lugares esquecidos levou-me, na melhor das companhias, a um dos abandonados da cidade de Angra.

O destino foi a antiga fábrica da Pronicol, unidade de transformação de produtos lácteos, há muito em decadência à entrada oriental da cidade de Angra e que encerra, ainda, muitos aspectos interessantes para o registo fotográfico.

Abandonada há vários anos, em 2005 já se encontrava em estado de total decadência, continua sem destino definido, falhados projectos e ideias para a sua ocupação e reconversão.

Sei pouco sobre a fábrica e a sua história, e não consegui arranjar fotos da altura em que laborava. Ensina-me o solícito J. F. que a fábrica já laborava na década de 80, chamando-se ELA (Empresa de Lacticínios dos Açores). Em 1994 foi comprada pela Pronicol, cujas letras se vêem numa das fotos, e terá sido abandonada, aquando da construção da nova fábrica.
















E se fosse possível, pela força da memória, do pensamento livre e da criatividade, devolver a dignidade a um edifício abandonado há anos a fio?

É esse o desafio a que me proponho, com a esperada ajuda de muitas pessoas. Cenas dos próximos episódios numa internet perto de si.

As vantagens de ficarmos em último...

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Primeiro, não temos que olhar para trás a ver se alguém nos apanha, o que nos torna ainda mais rápidos, mesmo muito mais rápidos. Menos lentos, vá. Caracóis hiperactivos, pronto.
Segundo, recebemos mais palmas de quem está na meta, num misto de simpatia e empatia. 
Terceiro, podemos fazer aquela piada do "fiquei em primeiro! A sério? Sim, a contar do fim".
Mesmo, assim, mesmo com todas estas vantagens inexcedíveis, gostei mais quando fiquei em penúltimo. Nunca passei daí, diga-se.
(Para os mais atentos, na primeira foto, estou à beira de levar uma volta de avanço do queniano que está de vermelho...)



O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXIX

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Que o Bob Dylan tem toda a razão quando diz que os tempos estão a mudar, numa canção que a virtuosa Nina Simone recriou com brilhantismo, uns anos depois.

Que o prazo de validade para acharmos graça a algumas coisas é curto e que a contagem decrescente já começou.

Que é muito ternurenta a forma como rapazes e raparigas de oito anos podem ter uma amizade verdadeira, sublimando as diferenças entre os géneros. Que nunca percam essa capacidade que tantos adultos já esqueceram, perdidos em si mesmos, amordaçados pelos estereótipos.

Que, ao contrário do que proclamam os profetas da desgraça da parentalidade dos dias de hoje, é possível sentirmos orgulho das nossas crianças e das outras que, com elas convivendo, nos deixam, ainda que de forma diferente, orgulhosos também.

Ontem foi dia do M., amigo de sempre da Mariana, vir cá a casa. Numa combinação bem urdida pelos dois, daquelas que os pais vão sabendo aos pouquinhos, a reboque do receio de um sonoro "não!" trair as expectativas…

Um hospital moribundo na Cidade Património

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O antigo Hospital de Angra continua moribundo, sem que ninguém, sequer, o ligue a uma qualquer máquina que o reabilite.

As janelas têm vista privilegiada para o esquecimento e para o abandono da memória. Dizia, hoje, o C. P. "e tu nunca trabalhaste ali..." num misto de nostalgia e revolta. Faz bem em estar revoltado. Faz mal quem não se responsabiliza pela memória colectiva de todos os que habitaram um espaço de sofrimento mas, acima de tudo, de abnegação, de vida e de alegria.

Dizia a pequena S., pouco depois, quando me apanhou a ver as fotos que tirei no telemóvel:

S. - Isto é estúpido. O Hospital podia trabalhar mais tempo. Eu nasci lá, sabes... Quem deixa fazer isto é totó.

Tem razão, a pequena S., do alto dos seus oito anos.






O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXVIII***

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Que a Princesa está a trilhar muito bem os caminhos da educação emocional.

Que, para ela, ao contrário de muitos adultos, as emoções fazem todas falta.

Que, para ela, ao contrário de muitos adultos, não há emoções boas e emoções más, ainda que algumas sejam mais agradáveis do que outras, à primeira vista.

Que a Princesa já percebe que as emoções são todas equipamento de série e não uma espécie de tuning que podemos, ou não, colocar.

Que, como já se foi percebendo, tem bom gosto e rejeita alterações desnecessárias àquilo que é fundamental.


Que um Fiat Uno deve ser facilmente reconhecível como um Fiat Uno. Como aquele que tinha a tia A. S.* tinha e que voava por Lisboa. Vá, andava.

A Princesa acompanhou o seu pai a uma viagem à aldeia da sua avó materna.

Vários reencontros saborosos com família e amigos, da mocidade deste vosso escriba, uma visita à casa da aldeia (para "trazer brinquedos do pai") e uma passagem pelo local onde o avô paterno tem a última morada**.

Aquele misto…

O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - LXXXVII

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Hoje foi o dia seguinte à passagem de ano, muito bem passada em casa da C. e do J., tios de coração da Mariana.
Hoje foi o dia em que foi preciso recuperar da forma divertida e bem guarnecida de itens do foro alimentício e do domínio da produção de bebidas espirituosas, que permitiu que um punhado de pessoas tivessem dado um contributo generoso à indústria nacional. De nada, Centeno.
Em família, vimos o ET que estava gravado, à espera do dia ideal, na box do cabo.

Em família, gostamos do ET. Os pais da Mariana apreciaram a sua emoção espontânea quando o alienígena voltou à vida, quando já se formava uma lágrima, veementemente negada, no canto do olho da Princesa.
Em família procurou-se discutir o filme.
Pai da Mariana - Gostaste do filme?
Mariana - Sim.
Pai da Mariana - Este filme, na tua opinião, é sobre quê, Mariana?
Mariana - Sobre amor.
Aprendeu-se, mais uma vez, que as pequenas Princesas estão atentas. 
Que percebem a linguagem do amor, na sua pureza e genuinidade.
Que a Princes…

Ilhéus

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Resiliência. A principal característica do açoriano. Há 38 anos esta terra tremeu como ninguém pensava que tremesse. O abalo, o Sismo d'Oitenta.

Há 38 anos, da tragédia, emergiu a força de um povo, numa altura muito diferente da actual, na qual a escassez de recursos foi proporcional à coragem, resiliência e superação dos terceirenses.

Que não nos falte nenhuma destas características, na desejável ausência da tragédia, para a defesa da nossa terra, é um dos meus desejos para o novo ano.


2018: aqui vamos nós...

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Feliz Ano Novo. Que 2018 comece pequenino e que, todos nós, o consigamos fazer crescer e prosperar, com resiliência, paixão, compaixão, amor e crença. Sobretudo em nós.Só depende de nós.


Esta foto foi captada, sem filtros, naquela que chamei, numa publicação anterior, a árvore da vida. A árvore da vida, onde ficarão sempre memórias e pessoas (do meu pai aos meus avós) fica num terreno de família. Foi sempre um sobreiro altaneiro, bonito e frondoso que nos abraçava com cada ramo e que nos protegia com a sua solidez. Que nos transmitia a segurança de estar sempre ali, daquela forma boa que as árvores, e algumas pessoas, conseguem. Foi sendo morta, com malícia e num movimento vazio de sentimentos, por alguém que a foi envenenando e cortando, com minúcia, as suas raizes. A árvore da vida vai morrer. Mas ensina-nos, como se vê nesta foto, que há esperança. Se ela ainda luta, como podemos nós sequer pensar em não o fazer?

Que em 2018 aprendamos com a (minha) árvore da vida. E que vivamos a …