O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - XCIV

Que, aos oito anos, as princesas têm uma melhor noção das prioridades que a quase totalidade dos adultos.

Que a Mariana percebe que o desporto é uma coisa bonita e que ficar no pódio não é o mais importante.

Que os adultos perdem, facilmente, da sua vista aquilo que é importante.

Que a linguagem da competição selvagem que os chatos dos adultos utilizam, e da qual, por vezes, dependem, não está  aprendida pela Mariana (e ainda bem).

A princesa é, como muitos saberão, uma destemida karateca. Aquilo que, inicialmente, começou por ser uma ocupação de tempo tem passado a ser um modo de vida, em que a Mariana tem incorporado valores e demonstrado esforço, muito bem orientada e integrando um clube que é uma família. Um descanso para qualquer pai e para este pai, em particular.

A pequena tem conseguido conjugar o seu esforço com alguma qualidade enquanto atleta. Vai ganhando umas taças e medalhas e vai passando as finais das provas em que participa, ao nível do campeonato de ilha.

No Sábado houve mais uma competição. Lá pelo meio, houve um engano e a karaté kid cá de casa não passou às finais, ainda que tivesse pontuação para tal. A primeira vez que tal acontecia, numa das disciplinas.

Da bancada deu para ver a desilusão (daquelas que ajudam a crescer, mais do que muitas vitórias) na face da Princesa.

A competição avançou e foram definidos os vencedores.

Lá pelo meio o engano foi encontrado, ainda que não fosse possível voltar a realizar as finais. Ainda bem, diga-se.

Para compensar, a C., diligentemente, referiu que compraria um ovo da Páscoa de chocolate para compensar o desgosto e o sentimento de injustiça da Princesa.


Chegados a casa, lá se falou sobre aquilo que tinha acontecido. Lá se tentou que a Princesa processasse o que tinha acontecido. Lá se tentou, quais senseis da parentalidade, que ela crescesse com o que tinha acontecido. Lá, pelo meio, o ovo de chocolate veio à conversa. A expressão mudou e um pai perspicaz, finalmente, conseguiu perceber e descomplicar.

Pai da Mariana: Entre ficar em primeiro e ganhar um ovo de chocolate, o que é que preferias?

Mariana (pelos caminhos da sinceridade renitente): O ovo, claro.

É difícil concorrer com um ovo da Páscoa de chocolate, quando se tem oito anos.

Que bom seria que muitos adultos, alguns daqueles chatos da televisão ou daqueles que nas bancadas envergonham o desporto (e os filhos...), percebessem a relativa importância de um ovo de chocolate. Ou a necessidade de relativizarem o desempenho desportivo dos seus petizes.

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