O que se aprendeu, hoje, com a Mariana... - C

A Mariana tem a sorte de ter muitos tias e tios. A natureza, e o amor dos seus avós, deu-lhe alguns, a vida multiplicou esse número por vários algarismos.

Aqui pela Terceira, dando sentido ao verdadeiro significado da palavra família, tem encontrado tios e tias de muita qualidade. A A. é uma delas, daquelas que, quase desde o primeiro momento da nossa saga insular, se constituiu como figura de referência, como alicerce, simplesmente sendo quem é. Não é para todos.

Esta história passa-se à saída da casa da A.. Nas imediações da casa está uma placa na parece que homenageia um dos seus familiares, numa iniciativa da Junta de Freguesia.

Mariana - O que é aquilo?

A. - É uma placa sobre o meu tio.

Mariana - Porque é que fizeram isso?

A. - As pessoas gostavam dele. Houve muita gente que ele ajudou e havia muita gente que gostava dele. Por causa disso, fizeram esta homenagem.

Mariana - Há muitas pessoas que fazem coisas boas e não têm nada disso.

Disse-nos, depois a A., que, em tantos adultos que já tinham visto a placa, ninguém a tinha comentado com tamanho acerto.

Aprendeu-se que há mais vida além daquilo que é aparente.

Que há quem seja justamente homenageado e quem passe uma vida inteira sem o devido reconhecimento.

Que uma Princesa de oito anos pode ter uma escala de valores melhor definida que muitos adultos.

Que há coisas (aparentemente) pequeninas que orgulham pais e tias.


Que, não havendo placa cá em casa, há outras formas de salientar as coisas que importam. Este ciclo de 100 textos, que hoje encerro, é a minha forma de assinalar, para memória futura, muito daquilo que uma Princesa pode encerrar dentro de si e que a parentalidade implica.

Que é, mesmo, verdade que quem faz um cesto, faz um cento. Ainda bem.

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