E a fada dos dentes? Ensinar a fantasia ou incitar ao ócio?
Hoje dei por mim a pensar na fada dos dentes, aquela manigância parental em que se trocam peças do aparelho dentário por euros. E, cá por casa, tem sido uma renda, posso garantir.
Ontem, a Mariana mostrou, orgulhosamente, o último dente que tinha caído na escola. Os marcos do crescimento são cada vez mais bem-vindos.
Estranhamente, e num acto de estratégia económica que faria inveja ao Centeno, preferiu dar um passo atrás no seu processo de desenvolvimento e falar na fada dos dentes, em quem, pelos vistos, ainda acredita.
Foi dormir e, de manhã, lá apareceu uma nota por baixo da almofada.
Dei por mim a pensar. Se ligarmos um prisma de complexificação intelectual da parentalidade, rejeitando a aprendizagem da fantasia, e se quisermos criar um novo soundbyte, podemos reflectir sobre a fada dos dentes.
Estaremos a marcar pontos no ensino da fantasia, da magia e do sonho ou estaremos a ensinar que o dinheiro aparece sem fazer puto ou, no limite, a gerar uma apologia do ócio ou até da prostituição, em que se ensina que se deve ganhar dinheiro vendendo pedaços do corpo?
Ora aí está uma bela interrogação para colocar os olhos em bico à Fátima Campos Ferreira, num qualquer Prós e Contras sobre parentalidade. Ui, O incêndio nas redes sociais que seria...
Cá por casa, continuaremos a delapidar as finanças e a trocar euros por pequenos dentes de Princesa. Acho que fazemos bem.
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