Qualquer um de vós já teve, com certeza, uns sapatos que usou demasiado tempo, para além daquilo
que deveria acontecer. Apesar de se encontrarem adaptados às características
dos seus pés, começaram a apresentar algumas mazelas, que já não eram passíveis
de disfarçar nem com empenho, nem com a utilização estratégica de graxa ou de
um qualquer verniz. Mesmo que adaptados ao formato dos pés, já deixavam entrar
um pouco de água, nos dias invernosos ou nas alturas em que não evitou poças de
água que foi encontrando no percurso. Mesmo que fizesse um esforço por não
valorizar, a sua utilização recorrente já lhe valia alguns comentários
reprovadores por parte dos mais próximos, alertando-o, com bondade e interesse,
para a inadequação da opção de privilegiar o hábito e a rotina, em prejuízo de
uma opção diferente, mais funcional e profícua. Pode parecer que estamos,
unicamente, a falar de sapatos, mas estamos a reflectir sobre a nossa tendência
para o conformismo, para privilegiar aquilo que é…