Há uns tempos, os animadores de um projecto em que trabalhava criavam, com as crianças e jovens, um conceito excelente chamado o Dia sem Tecnologia. Os petizes que, automaticamente, se dirigiam ao atelier do projecto para ligar o computador não o podiam utilizar. E a coisa não corria mal...
Ao serão, principalmente nos dias em que o cansaço e desgaste ligam o piloto automático do confortalismo*, acabam por haver, quando não tomamos conta de nós, demasiados rituais impensados. O ligar a televisão é um deles. O zapping inconsequente outro. O consumo acrítico, em que se olha através da televisão, de programas num dos 100 canais** que se seguem no rodapé da transmissão, o pior de todos.
Quando nos mudámos para a casa nova (aquela que, pelo meio, já tem cinco anos) estivemos dez meses sem televisão, numa altura em que a Internet ainda era vista como um luxo, não como uma necessidade. Foram tempos estranhos, de desintoxicação electrónica mas em que, tal como os miúdos que falo no início do …