As datas lembradas...
Há uns tempos, numa consulta, uma senhora falou-me nas "datas lembradas", a propósito dos seus lutos. Datas em que a firmeza do processo de gestão da perda enfrenta uma torrente inevitável de memórias e dor naquilo que, por vezes, acaba por originar uma re-experienciar do processo de luto. Datas em que a cicatriz se agiganta e se procura metamorfosear numa anacrónica ferida.
Relembrar que as datas lembradas são um desafio, é algo que faço quase diariamente por obrigação profissional. As datas lembradas testam a estreiteza dos nossos evitamentos e questionam os nossos limites. Tornam-nos mais humildes perante a dificuldade, tornam-nos mais humanos perante aquilo que (ainda) nos dói.
As datas lembradas, simplesmente, ferem a cicatriz ou, de forma diferente, obrigam-nos a olhar para a ferida?
As datas lembradas obrigam-nos a lembrar essa dúvida. A única certeza é que doem.
Hoje é uma data lembrada.
Hoje é "a" data lembrada, hoje lembro aquilo que não esqueço.
Relembrar que as datas lembradas são um desafio, é algo que faço quase diariamente por obrigação profissional. As datas lembradas testam a estreiteza dos nossos evitamentos e questionam os nossos limites. Tornam-nos mais humildes perante a dificuldade, tornam-nos mais humanos perante aquilo que (ainda) nos dói.
As datas lembradas, simplesmente, ferem a cicatriz ou, de forma diferente, obrigam-nos a olhar para a ferida?
As datas lembradas obrigam-nos a lembrar essa dúvida. A única certeza é que doem.
Hoje é uma data lembrada.
Hoje é "a" data lembrada, hoje lembro aquilo que não esqueço.